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Relatório da Embaixada dos EUA reconhece vitória de Lula e revela preocupação da direita brasileira com contestação de Flávio Bolsonaro
Publicado 30/10/2026 • 09:51 | Atualizado há 37 minutos
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Publicado 30/10/2026 • 09:51 | Atualizado há 37 minutos
KEY POINTS
Fotos: Ricardo Stuckert/Reprodução
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um resultado surpreendente, mas definitivo. A avaliação consta de um relatório diplomático encaminhado na segunda-feira (26) a órgãos do governo americano, incluindo o Departamento de Estado.
O documento aponta que a eleição de domingo (25) ocorreu de forma predominantemente pacífica e que não há elementos capazes de colocar em dúvida o resultado. Segundo a representação diplomática, observadores internacionais reconheceram a validade da votação, apesar de problemas operacionais registrados durante o segundo turno.
A análise, obtida pela Folha de S. Paulo, também indica que a extensão do horário de votação, utilizada por Flávio Bolsonaro como principal argumento para questionar a derrota, teve impacto insuficiente para modificar o resultado. Lula venceu a disputa por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
A conclusão apresentada pela embaixada diverge das manifestações do presidente americano Donald Trump, que criticou o processo eleitoral brasileiro e levantou suspeitas de irregularidades sem apresentar provas que comprometessem a apuração.
O segundo turno foi marcado por dificuldades de transporte público e de acesso aos locais de votação em regiões do Nordeste e do Sul do Brasil. Diante dessas ocorrências, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro solicitaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do período disponível para os eleitores.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a votação continuasse por mais duas horas após o encerramento inicialmente previsto para as 17h. A medida, entretanto, enfrentou dificuldades de execução, uma vez que algumas seções eleitorais não receberam a orientação a tempo, o que gerou desencontros de informações e problemas na organização do atendimento aos eleitores.
De acordo com os dados do TSE mencionados no relatório diplomático, cerca de 34 mil votos foram registrados depois das 17h. Esse total inclui pessoas que já aguardavam na fila quando terminou o horário regular e representa aproximadamente 0,03% dos votos contabilizados.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a medida não produziu efeito significativo sobre a apuração. A quantidade de votos registrados no período adicional ficou muito abaixo da diferença obtida por Lula.
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As missões estrangeiras que acompanharam a eleição identificaram falhas na administração da prorrogação do horário, mas não apontaram irregularidades que colocassem em risco a legitimidade do resultado.
Segundo a embaixada americana, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) avaliaram que a comunicação entre os responsáveis pela condução da votação foi insatisfatória. Apesar dessas críticas, os observadores consideraram que o processo eleitoral ocorreu de maneira organizada e afirmaram não ter dúvidas sobre o resultado anunciado.
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Siga o Times | CNBCA avaliação internacional foi incluída no documento como um dos elementos que sustentam a conclusão de que a vitória de Lula não foi comprometida pelos problemas registrados no dia da votação.
Após a divulgação do resultado, Flávio Bolsonaro criticou a decisão judicial que permitiu a continuidade da votação e anunciou que buscaria contestar a derrota. O senador classificou o desfecho da eleição como impossível de aceitar.
A postura provocou preocupação entre integrantes do Partido Liberal. Conforme o relatório americano, representantes da legenda manifestaram, reservadamente, receio de que uma disputa prolongada sobre o resultado desencadeasse uma crise política. Entre os fatores mencionados estavam a diferença expressiva de votos, a ausência de fundamentos jurídicos para uma contestação e os possíveis danos à imagem do partido.
O documento registra ainda que outras lideranças conservadoras reconheceram publicamente a vitória do presidente Lula, mesmo diante da resistência de Flávio.
Embora a representação diplomática americana tenha apresentado uma avaliação conclusiva sobre o resultado, Donald Trump adotou um discurso de desconfiança em relação à eleição brasileira. Na segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos afirmou que o processo parecia ter sido fraudado e criticou a decisão de ampliar o horário de votação. Na ocasião, declarou que não havia apoiado nenhum dos candidatos e ressaltou que mantinha uma boa relação com Lula.
“A impressão que passou para o mundo foi terrível. Eleições precisam ser indiscutíveis”, afirmou.
Na quinta-feira (29), Trump voltou a questionar a condução do pleito ao ser perguntado sobre a possibilidade de telefonar para Lula e cumprimentá-lo pela reeleição. “Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha”, declarou.
O republicano também evitou responder quem considerava o vencedor legítimo da disputa. Em outra manifestação, disse que o processo representou um constrangimento para os brasileiros e reiterou que não havia tomado partido durante a campanha.
A repercussão internacional da eleição ocorre enquanto Flávio Bolsonaro permanece em território americano. O senador chegou a Miami na quarta-feira (28), após deixar o Brasil depois da derrota nas urnas. O Departamento de Estado confirmou que foram concedidos vistos ao parlamentar e a seus familiares.
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