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Santander mantém planos para o Brasil após eleições e prevê elevar rentabilidade a 20%, diz diretor financeiro global do Santander, José García Cantera

Publicado 30/10/2026 • 10:01 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • O diretor financeiro global do Santander, José García Cantera, afirmou que o Brasil continua sendo estratégico para o grupo por oferecer crescimento, escala e diversificação
  • O executivo avalia que oscilações nas taxas de juros terão impacto marginal sobre os planos do banco.
  • O Santander mantém a meta de elevar o retorno sobre o patrimônio tangível (RoTE) da operação brasileira para cerca de 20% até 2028.

O resultado das eleições presidenciais no Brasil não altera as perspectivas nem os planos do Santander para o país, afirmou o diretor financeiro global do banco, José García Cantera, em entrevista exclusiva à CNBC Internacional. Segundo o executivo, a operação brasileira continua sendo estratégica para o grupo, apesar da volatilidade recente nos mercados financeiros.

O Santander estabeleceu uma meta de rentabilidade de cerca de 20% para sua operação brasileira até 2028, ante 15,3% em 2025. O objetivo considera o retorno sobre o patrimônio tangível (RoTE), indicador que mede a rentabilidade do banco excluindo ativos intangíveis. O grupo também tem uma meta global de RoTE superior a 20% para 2028.

Leia também: Lucro do Santander cai 28%, menor nível em três anos, diante de alta da inadimplência e das provisões

Brasil segue estratégico para o Santander

“Vimos recentemente uma volatilidade bastante acentuada em torno das eleições. O resultado das eleições não muda as perspectivas para o país ou para o nosso banco aqui no Brasil”, declarou Cantera.

O diretor financeiro destacou que a presença no mercado brasileiro contribui para os resultados globais da instituição.

“O Brasil é estrategicamente importante para o Santander porque agrega crescimento, escala e diversificação. E isso contribui para um perfil de risco e retorno melhor para todo o grupo”, afirmou.

Santander mantém meta de rentabilidade de 20% até 2028

Na entrevista à CNBC Internacional, Cantera reafirmou a confiança na execução do plano do Santander para alcançar a meta de rentabilidade nos próximos dois anos, apesar da volatilidade recente e das incertezas sobre a trajetória dos juros.

“Estamos executando nosso plano. Acreditamos que podemos elevar nossos retornos para cerca de 20% nos próximos dois anos”, disse o executivo.

Segundo Cantera, eventuais oscilações nas taxas de juros podem influenciar o desempenho do banco, mas não devem comprometer significativamente o objetivo.

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“Obviamente, as taxas de juros, que fiquem um pouco mais altas ou mais baixas durante esse período, podem afetar isso. Mas o impacto é marginal”, afirmou.

O diretor financeiro acrescentou que a recuperação da rentabilidade depende principalmente da execução da estratégia da instituição.

“Está em nossas mãos transformar o banco para alcançar esses retornos nos próximos dois anos”, declarou.

Lucro do Santander Brasil caiu 28% no terceiro trimestre

As declarações ocorrem dois dias depois de o Santander Brasil divulgar uma queda de 28% no lucro líquido gerencial recorrente do terceiro trimestre de 2026, para R$ 2,9 bilhões, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A rentabilidade da operação brasileira, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), recuou para 11,9%, ante 17,5% um ano antes, atingindo o menor nível desde o segundo trimestre de 2023. Embora também seja uma medida de rentabilidade, o ROAE utiliza uma base de cálculo diferente do RoTE considerado na meta de 20% para 2028.

O resultado foi pressionado pelo aumento da inadimplência e das despesas com provisões para perdas de crédito. A parcela dos empréstimos com pagamentos atrasados há mais de 90 dias chegou a 3,4%, ante 2,8% no mesmo período de 2025.

As despesas com provisões somaram R$ 7,46 bilhões, alta de 14,4% em um ano, refletindo a necessidade de reservar mais recursos para cobrir possíveis perdas com empréstimos.

Apesar da queda no lucro, a carteira de crédito ampliada do Santander Brasil cresceu 4,7% na comparação anual, alcançando R$ 721,26 bilhões em setembro.

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