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Servidor do BC avisou Vorcaro sobre questionamentos envolvendo Reag
Publicado 11/09/2026 • 10:39 | Atualizado há 42 minutos
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Publicado 11/09/2026 • 10:39 | Atualizado há 42 minutos
KEY POINTS
Paulo Sérgio Neves de Souza, servidor de carreira e ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, avisou Daniel Vorcaro de que ele seria questionado sobre sua relação com a Reag Investimentos e com João Carlos Mansur, fundador da gestora, antes de uma reunião com a fiscalização da autoridade monetária.
O alerta foi feito em fevereiro de 2024, antes de um encontro entre o então controlador do Banco Master e Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do BC. Para a Polícia Federal, Paulo Sérgio prestava uma espécie de consultoria informal a Vorcaro, antecipando assuntos que poderiam surgir em reuniões e auxiliando o banqueiro em processos dentro da instituição.
A informação consta de mensagens de WhatsApp encontradas pela PF no celular de Vorcaro e tornadas públicas após a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o Master. Na representação, a polícia afirma que Paulo Sérgio advertiu antecipadamente o banqueiro de que seria questionado sobre suas relações com a Reag e Mansur.
As conversas fazem parte de uma investigação sobre a atuação de servidores do Banco Central em favor do Master. Paulo Sérgio está afastado da instituição, e a PF apura a suspeita de que ele e Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), tenham defendido interesses do banco dentro da autarquia e recebido vantagens indevidas.
Em fevereiro de 2025, Paulo Sérgio voltou a alertar Vorcaro, desta vez sobre uma movimentação financeira que poderia chamar a atenção da área de monitoramento do BC. Ele mencionou a saída de R$ 488,6 milhões do fundo Reag Growth 95 e a entrada de R$ 545,5 milhões na Master Holding Financeira.
Segundo a PF, o episódio reforça a suspeita de uma atuação recorrente do servidor em apoio aos interesses de Vorcaro. Em conversa com o cunhado Fabiano Zettel, o ex-banqueiro orientou que Paulo Sérgio fosse bem tratado e afirmou que ele estava sendo “um anjo” em sua vida.
Leia também: Vorcaro tinha grupo no WhatsApp com “espiões” do BC para monitorar fiscalização
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Siga o Times | CNBCA Reag também aparece em outras conversas entre Paulo Sérgio e Vorcaro. Em 2024, os dois discutiram problemas relacionados ao Will Bank, instituição que fazia parte do conglomerado ligado ao Master.
Em uma das mensagens, Paulo Sérgio mencionou a aprovação da compra do Will IP pela Reag. A partir da sequência dos diálogos, a PF concluiu que Vorcaro teria recebido uma negativa no processo de aquisição do Will Bank pelo “Master/Reag” e que o servidor estaria atuando para reverter esse posicionamento.
O Will Bank manteve ligação com o Master mesmo depois da crise que atingiu o banco de Vorcaro. As duas instituições chamaram a atenção do Banco Central pela oferta de CDBs com rentabilidades elevadas.
A relação entre Reag e Banco Master tornou-se uma das principais frentes das investigações sobre as operações financeiras do grupo. Fundos administrados pela gestora passaram a ser investigados por possíveis movimentações de recursos ligados ao banco e a Vorcaro.
Mais recentemente, João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da Reag, fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Master no Supremo Tribunal Federal (STF), para análise de homologação.
Mansur afirmou, em sua colaboração, que fundos administrados pela Reag teriam sido utilizados para ocultar pagamentos de propina de Vorcaro a autoridades públicas. O acordo reúne 17 frentes de colaboração e amplia as informações já fornecidas aos investigadores sobre operações financeiras relacionadas ao Master.
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