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Superquarta mantém fôlego da bolsa, mas 2026 pode cobrar correções
Publicado 28/01/2026 • 21:37 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 28/01/2026 • 21:37 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
A primeira Superquarta de 2026 deixou o mercado com duas mensagens principais. No Brasil, a leitura do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reforçou a expectativa de início de flexibilização da Selic. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, Banco Central Americano) manteve a taxa de juros e fez apenas ajustes limitados na comunicação — um pano de fundo que, na visão de analistas consultados pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, tende a sustentar o apetite por risco, ao menos no curto prazo.
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o viés imediato ainda favorece a renda variável, com migração gradual de portfólios. “A princípio as bolsas devem reagir de forma muito positiva”, afirmou. Ele acrescentou que, no Brasil, a leitura é de continuidade do movimento. “A tendência é que a Bolsa de Valores do Brasil vai continuar batendo recordes”.
Agostini, pondera, porém, que o curto prazo pode ser interrompido por ruídos típicos de ano político e por temas de percepção de risco institucional. “Temos um componente bastante duvidoso, que é o ano eleitoral”, acrescentou.
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Na mesma linha, Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, destacou que o comunicado do BC manteve a porta aberta para o início do ciclo de cortes, mas sob forte condicionalidade, especialmente no fiscal. “O cenário base na concepção do mercado, do próprio Copom, é que a gente não tenha novas surpresas vindas da política. Ou novas surpresas, obviamente, vindas do fiscal”, afirmou.
Simão também chamou atenção para o fluxo externo por trás da alta recente do Ibovespa B3. “O que sustenta a bolsa na alta expressiva vista nos últimos meses é muito do fluxo macro global, do investidor estrangeiro realocando parte dos recursos que ele tinha em renda variável americana, em tesouro americano, em ativos dolarizados”, disse.
Do lado técnico da leitura do comunicado, uma análise da Warren Rena avaliou que o Copom “sinaliza explicitamente” espaço para calibrar juros e projetou, no cenário base, um primeiro corte maior. “Confirmando-se o cenário, o BC iniciará a calibração do nível de juros, o que, em nossa leitura, indica um corte de 50 bps na próxima reunião”, diz o relatório.
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Siga o Times | CNBCAinda assim, a avaliação não é de “corte livre”. A análise da Warren indica que dúvidas persistem sobre a capacidade de entregar todo o ciclo que parte do mercado precifica e indica que a comunicação busca moderar expectativas sobre o ritmo ao longo do ano.
Já Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, disse que a reação inicial da bolsa tende a ser moderada para positiva, já que Copom e Fed mantiveram as taxas sem surpresas relevantes e o mercado precificava grande parte do cenário.
Para ele, o principal gatilho veio do guidance (projeção) do Copom, que sinalizou de forma explícita a possibilidade de iniciar a flexibilização monetária já na próxima reunião, caso o cenário se confirme. Na avaliação do analista, essa comunicação reduz incertezas, melhora a percepção sobre o custo de capital à frente e favorece setores da bolsa mais sensíveis à taxa de juros, como consumo, varejo e construção, além de dar suporte ao mercado via ponta longa da curva.
Sobre a postura das autoridades, Lima classificou o tom como “hawkish moderada”, reforçando a dependência dos dados e a necessidade de maior confiança na convergência da inflação antes de iniciar cortes. “Ou seja, é um hawkish de vigilância, não de aperto adicional”, afirmou.
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No curto prazo, entra também o risco de realização. Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, ponderou que o mercado pode até começar em alta, mas não descartou ajustes. “O mercado pode iniciar em alta, mas acreditamos na queda ao final. No mercado, falamos em ‘buy the rumors, sell the fact’ ou ‘compre no boato e venda no fato’”, destacou.
Para 2026, o consenso entre as análises é de um cenário ainda construtivo para a bolsa, mas com seletividade e cautela. A direção do mercado tende a depender de dois fatores principais: quão cedo e quão gradualmente a Selic vai cair e o quanto o risco fiscal e político pode pressionar câmbio, a curva de juros e o prêmio de risco.
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