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Crise de mão de obra na fabricação de chips nos EUA deixa Samsung e TSMC em busca desesperada por talentos
Publicado 17/09/2026 • 09:00 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 17/09/2026 • 09:00 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Enquanto empresas de inteligência artificial propõem desacelerar o desenvolvimento de modelos devido a preocupações com os avanços rápidos e assustadores da tecnologia, outro problema no setor de hardware pode estar forçando uma desaceleração.
A mão de obra está no centro da capacidade mundial de produzir chips suficientes para alimentar a inteligência artificial, e os EUA enfrentam agora uma escassez de até 157 mil trabalhadores no setor de semicondutores até 2030, segundo um novo relatório da McKinsey e da SEMI Foundation.
“Estou preocupado”, disse Jon Taylor, vice-presidente executivo da divisão de semicondutores da Samsung em Austin, no Texas, em entrevista à CNBC. “Simplesmente não vemos pessoas com conhecimento técnico suficiente entrando no mercado.”
Apenas 3% dos graduados nos EUA que seguem carreiras de engenharia entram no setor de semicondutores todos os anos, segundo a McKinsey, e 73% dos empregadores do setor de chips relatam dificuldades significativas para preencher vagas de engenharia.
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Engenheiros e técnicos qualificados são fundamentais enquanto os EUA passam pelo maior processo de expansão da fabricação de chips de sua história, em uma corrida para produzir processadores de memória e de lógica suficientes para abastecer a inteligência artificial. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) e a Intel já estão produzindo chips avançados de lógica em novas fábricas, ou fabs, no Arizona.
A Samsung será a próxima fabricante de chips a produzir componentes avançados de lógica nos EUA, quando a empresa sul-coreana iniciar a produção na primeira de duas novas fabs em Taylor, no Texas, ainda este ano. O projeto faz parte de um investimento de US$ 35 bilhões no estado, e a Samsung afirmou que as duas novas fábricas devem criar cerca de 3.500 empregos.
“Estamos contratando engenheiros, estamos contratando técnicos, estamos contratando pessoas para a cadeia de suprimentos”, disse Taylor. “Todo mundo quer e precisa da mesma coisa, e é uma espécie de corrida contra o tempo neste momento, à medida que tudo começa a entrar em operação.”
Embora os EUA sejam o berço dos semicondutores e liderem o mundo em design de chips, quase todos os chips avançados são fabricados na Ásia há décadas. É lá que os canais de formação de talentos são mais fortes, e esse é um dos motivos pelos quais a Micron, com sede em Idaho, realizou processos acelerados de contratação em universidades técnicas da Coreia do Sul, entrevistando estudantes e oferecendo a eles posições permanentes em suas fábricas na Ásia, tudo em um único dia.
Esse cenário pode representar um ponto positivo para estudantes universitários americanos, que têm observado uma redução nas vagas de engenharia de software e aumento da incerteza no mercado de trabalho devido à inteligência artificial. Universidades como Purdue e Arizona State estão investindo milhões de dólares na criação de programas que preparam estudantes americanos para trabalhar no setor de chips.
“Já somos o maior formador de graduados universitários para a Intel no mundo e, agora, estamos tentando nos tornar isso para a TSMC”, disse Michael Crow, presidente da ASU, à CNBC.
Ainda assim, os empregos no setor de chips nos EUA frequentemente pagam muito menos do que em países como a Coreia do Sul, onde os trabalhadores do setor são altamente disputados até mesmo no mercado matrimonial. As funções no país frequentemente envolvem jornadas exaustivas de 12 horas, mas, quando milhares de trabalhadores ameaçaram entrar em greve na Micron, na Samsung e na SK Hynix, os bônus chegaram a mais de US$ 500 mil.
Em comparação, os salários nos EUA normalmente ficam entre US$ 127 mil e US$ 187 mil, enquanto posições seniores no setor ultrapassam US$ 238 mil, segundo a SEMI Foundation.
“À medida que as pessoas continuam desenvolvendo suas habilidades, as empresas terão de pagar salários mais altos”, disse Crow. “Principalmente à medida que elas expandem, expandem e expandem, e as necessidades de mão de obra são tão significativas.”
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Os trabalhadores estão especialmente em alta demanda entre as principais fabricantes de memória, que correm para ampliar a capacidade durante uma escassez global que faz gigantes como Nvidia e Advanced Micro Devices (AMD) se esforçarem para garantir o fornecimento.
O epicentro dessa expansão está na Coreia do Sul, onde a CNBC teve acesso exclusivo às primeiras imagens do maior complexo de fabricação de memória do mundo, que a SK Hynix começará a colocar em operação em fevereiro.
Embora atualmente fabrique toda a sua memória avançada na Ásia, a Micron está construindo a primeira fábrica de memória avançada dos EUA, em Boise, Idaho, com inauguração prevista para o próximo ano. Outra unidade está em construção em Clay, Nova York.
A SK Hynix também está construindo sua primeira instalação nos EUA, no Purdue Research Park, em West Lafayette, Indiana. A fábrica de US$ 4 bilhões será destinada ao empacotamento de chips de memória, e não à fabricação front-end. Ainda assim, SK Hynix e Micron disputarão um grupo restrito de trabalhadores americanos especializados em chips de memória.
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Siga o Times | CNBC“Podemos garantir um número significativo de funcionários de alta qualidade em alguns anos, com base na colaboração com a comunidade local”, disse o CEO da SK Hynix, Kwak Noh-Jung, à CNBC durante uma cerimônia de lançamento da construção em Indiana. “Essa é realmente a questão crítica.”
Segundo uma reportagem da Reuters publicada na quarta-feira, a SK Hynix está em negociações com a Intel para fabricar seus chips de memória nos EUA pela primeira vez. Em um dos cenários, a SK Hynix alugaria parte da unidade de fabricação de chips da Intel em Ohio, informou a Reuters, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
Durante um evento da Micron em julho, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, pressionou a SK Hynix e a Samsung a construírem fábricas front-end de memória nos EUA. Taylor afirmou que essas decisões na Samsung não estão sob sua responsabilidade.
“Seja memória ou lógica, ainda assim terei dificuldades para encontrar todos os recursos necessários para operar essas fábricas”, disse Taylor.
Samsung e SK Hynix disseram à CNBC que estão levando temporariamente trabalhadores da Coreia do Sul para os EUA para iniciar as operações de suas novas fábricas. A Samsung também enviou funcionários americanos para a Coreia do Sul por vários meses para receber treinamento prático, seguindo uma estratégia semelhante adotada pela TSMC quando suas primeiras fábricas no Arizona estavam em construção, em 2021.
“Se você observar onde a tecnologia avançada está atualmente, ela está na Ásia”, disse Taylor. “Nossos colegas sul-coreanos estão aqui para nos ajudar a colocar em operação equipamentos com os quais não temos muita experiência.”
A ASML, fabricante europeia de equipamentos avançados para chips, recentemente inaugurou um centro de treinamento nos EUA como parte de um esforço para ajudar na formação de engenheiros em alta demanda.
Embora os trabalhadores qualificados estejam concentrados no exterior, trazer profissionais estrangeiros para os EUA por meio de vistos H-1B tornou-se um processo caro e burocrático. O plano de longo prazo, segundo as fabricantes de chips ouvidas pela CNBC, é criar uma cadeia de formação de talentos dentro dos próprios EUA.
Universidades de Taiwan e da Coreia do Sul possuem programas de pós-graduação ou departamentos dedicados à formação em semicondutores. Embora ainda não sejam amplamente disseminados, programas de treinamento prático estão surgindo em algumas universidades americanas, com grandes investimentos das fabricantes de chips.
A Purdue lançou uma série de cursos de graduação em semicondutores em 2022, com cerca de 2.500 estudantes matriculados em disciplinas relacionadas a chips a cada semestre. O Birck Nanotechnology Center, da Purdue, treina estudantes em equipamentos semelhantes aos que poderão utilizar na fábrica da SK Hynix nas proximidades.
“Se você quer jovens especificamente preparados para trabalhar com semicondutores, este é o único lugar onde você pode vir hoje e encontrar pessoas que realmente se especializaram e obtiveram um diploma nessa área”, disse Mitch Daniels, presidente interino da Purdue e ex-governador de Indiana, à CNBC. “E nossas feiras de emprego estão sempre lotadas.”
Enquanto isso, a ASU transformou uma antiga fábrica da Motorola em uma sala limpa do MacroTechnology Works, com um novo centro criado graças a US$ 200 milhões da fabricante de equipamentos para chips Applied Materials. A TSMC também mantém um programa para técnicos na ASU, garantindo uma entrevista de emprego aos participantes que concluírem o curso.
A TSMC disse à CNBC que visitou cerca de uma dúzia de universidades no ano passado e planeja oferecer cargos avançados a muitos de seus centenas de estagiários, ajudando a preencher algumas das 6 mil vagas previstas para suas três primeiras fábricas no Arizona.
Leia também: TSMC e Samsung apostam nas novas máquinas da ASML à medida que I.A impulsiona demanda por chips
A Intel lançou seu programa de aprendizagem no Arizona em 2024 e destinou US$ 50 milhões a bolsas de estudo em mais de 80 instituições de Ohio próximas à fábrica que está em construção no estado. A Intel também mantém um programa mais amplo de formação em semicondutores, lançado em 2025, que começa ainda no ensino básico e médio.
A Samsung está se antecipando à escassez com um programa de desenvolvimento de mão de obra iniciado em 2023, que prevê milhões de dólares em doações para a University of Texas, a Texas A&M e a University of Illinois, com novos programas de engenharia de chips em cada uma delas. A empresa também doou US$ 1 milhão para ajudar a criar novos laboratórios técnicos na Taylor High School no ano passado e recebe mais de 100 estagiários por ano.
O apoio federal também ajuda. Mais de 80 faculdades comunitárias lançaram ou ampliaram programas de semicondutores desde a aprovação do CHIPS Act, em 2022, em parte graças a um fundo federal de US$ 200 milhões destinado à formação da mão de obra doméstica do setor de chips.
“Se não avançarmos mais rápido e de maneira mais agressiva do que fizemos até agora, vamos perder”, disse Daniels. “E não podemos nos dar ao luxo de ter isso em nosso histórico.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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