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Trump conhece pouco a direita do Brasil além dos Bolsonaro, diz ex-cônsul dos EUA Ricardo Zúñiga

Publicado 30/10/2026 • 17:39 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Ex-cônsul dos Estados Unidos em São Paulo afirma que a Casa Branca tem pouco diálogo com nomes da direita brasileira fora do círculo dos Bolsonaro.
  • Segundo Zúñiga, Steve Bannon e Jason Miller funcionam como interlocutores próximos da família e exercem influência no entorno de Donald Trump.
  • Diplomata avalia que a crise política dificulta uma relação mais pragmática entre Brasil e Estados Unidos, especialmente para empresas e investidores.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe uma visão da política brasileira fortemente influenciada pela família Bolsonaro e tem pouco conhecimento sobre outras correntes da direita no país. É o que afirma Ricardo Zúñiga, ex-cônsul-geral americano em São Paulo.

Na avaliação do ex-diplomata, integrantes próximos a Trump mantêm relações estreitas com os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro, enquanto existe pouco diálogo em Washington com outros nomes do campo conservador brasileiro. As declarações foram dadas por Zúñiga em entrevista ao Valor Econômico.

“Pode ter certeza de que a Casa Branca, o presidente Trump e provavelmente o secretário de Estado não sabem que o resto da direita brasileira já está olhando para a frente [e não seguindo a posição de Flávio de contestar as eleições]. Muito poucas pessoas em Washington sabem quem é o Tarcísio de Freitas, por exemplo”, afirmou.

Zúñiga foi cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo durante o primeiro mandato de Trump e, anteriormente, atuou no governo Barack Obama em assuntos relacionados à América Latina.

Bannon e Miller aparecem como principais interlocutores

Segundo Zúñiga, Steve Bannon e Jason Miller estão entre os nomes ligados à direita americana que mantêm maior proximidade com Eduardo e Flávio Bolsonaro.

Bannon teve atuação de destaque no primeiro governo Trump e, embora hoje tenha menos espaço formal, continua sendo ouvido pelo presidente americano, segundo o ex-cônsul.

Miller, por sua vez, também mantém acesso ao entorno de Trump. Zúñiga afirma que a falta de interlocução com outras forças políticas brasileiras acaba concentrando as informações sobre o país em um grupo bastante restrito.

“Há muita pressão de um grupo ideológico próximo ao presidente Trump que quer apoiar a postura de Flávio Bolsonaro. E a verdade é que esse grupo próximo quase não tem comunicação com nenhuma outra ala política no Brasil”, disse.

Na sequência, acrescentou: “Ou seja, significa que o presidente está recebendo informações através do filtro da família Bolsonaro e de quase nenhum outro ator político brasileiro.”

Ex-cônsul vê desconhecimento sobre mudanças na direita brasileira

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Zúñiga avalia que a Casa Branca provavelmente não acompanha de perto as divergências surgidas dentro da própria direita brasileira depois da eleição.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil nesta semana e passou a contestar o resultado eleitoral a partir dos Estados Unidos, alegando fraude sem apresentar provas.

Segundo a avaliação do ex-cônsul, setores da direita que apoiaram Flávio durante a campanha já passaram a olhar para outros caminhos políticos, movimento que não estaria sendo percebido com clareza em Washington.

Para Zúñiga, a baixa diversidade de interlocutores ajuda a explicar decisões recentes do governo americano relacionadas ao Brasil.

Entre os episódios mencionados por ele estão a ausência, até agora, de um reconhecimento público da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva por Trump e a concessão de visto a Flávio Bolsonaro.

Empresas querem relação mais previsível entre Brasil e EUA

Zúñiga avalia que a disputa política brasileira terá pouca relevância para as eleições legislativas americanas, mas afirma que o impasse chama a atenção de empresas com negócios nos dois países.

Atualmente, ele atua na consultoria Dinámica Americas, aconselhando companhias.

Segundo o ex-diplomata, empresários e investidores com quem mantém contato não questionam o resultado da eleição brasileira.

“Nenhum dos atores comerciais que eu conheço está questionando os resultados das eleições. Eu diria que essa crise política está bloqueando o que eles [empresários e investidores] querem ver, que são relações comerciais, de Estado e transparentes entre EUA e Brasil.”

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