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Fiesp aponta retração da indústria no terceiro trimestre e prevê queda de 0,4% na produção em 2026

Publicado 30/10/2026 • 17:39 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • A indústria brasileira apresentou resultados negativos no terceiro trimestre de 2026, com queda nas vendas reais, nos salários médios e nas horas trabalhadas na produção.
  • Juros elevados, tarifas impostas pelos Estados Unidos e aumento dos custos de matérias-primas estão entre os principais fatores que dificultam o desempenho da indústria.
  • O comprometimento da renda e a alta inadimplência das famílias reduzem o poder de compra e afetam a demanda por produtos industriais, aumentando os desafios para os próximos anos.
Fiesp

Divulgação / Fiesp

O desempenho da indústria brasileira apresentou sinais de enfraquecimento no terceiro trimestre de 2026, segundo o Levantamento de Conjuntura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Os resultados reforçam a expectativa da entidade de desaceleração da atividade industrial até o fim do ano. Para 2026, a projeção é de retração de 0,4% na produção da indústria de transformação do país, com riscos adicionais para o setor em 2027.

Entre julho e setembro, os salários reais médios recuaram 1,1%, enquanto as horas trabalhadas na produção tiveram queda de 0,4%. As vendas reais também apresentaram redução de 0,2%, interrompendo uma sequência de dois trimestres positivos, nos quais haviam registrado altas de 9,4% e 2,7%. Já as horas trabalhadas acumulam seis trimestres consecutivos de queda.

Em setembro, as vendas reais avançaram 0,4%, e os salários tiveram uma pequena alta de 0,1%. As horas trabalhadas, por outro lado, diminuíram novamente, com recuo de 0,4% no mês, mantendo a trajetória negativa observada desde os últimos meses de 2025.

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Outro indicador que apresentou piora foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci). O índice passou de 78,5% em agosto para 78,2% em setembro, ficando abaixo da média dos últimos três anos, de 78,7%. O indicador também mantém tendência de queda desde junho, quando havia alcançado exatamente essa média.

Juros elevados e cenário internacional pressionam a indústria

Entre os principais fatores que prejudicam o desempenho industrial, a Fiesp destaca a manutenção da taxa Selic em patamar elevado, as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e o encarecimento das matérias-primas.

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As sobretaxas americanas atingem 37,5% para a maioria dos produtos brasileiros que não estão isentos das medidas. Além disso, os custos de insumos derivados do petróleo continuam pressionados, especialmente em razão dos impactos da guerra no Oriente Médio.

A combinação desses fatores aumenta os custos de produção e dificulta a recuperação da atividade industrial, segundo a avaliação da entidade.

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A demanda doméstica também aparece como um obstáculo para a indústria. De acordo com a Fiesp, o consumo segue enfraquecido pelo comprometimento da renda e pelo avanço da inadimplência entre as famílias brasileiras.

O comprometimento da renda anual chegou a 28,9%, enquanto a inadimplência das pessoas físicas nas operações de crédito livre alcançou 7,6%, o maior nível registrado em 13 anos.

Esse cenário reduz a capacidade de consumo da população e limita as perspectivas de crescimento das vendas, afetando diretamente a produção industrial. Diante desse conjunto de indicadores, a Fiesp avalia que o setor deve encerrar 2026 em ritmo mais lento, com previsão de queda na produção e desafios adicionais para a atividade industrial ao longo de 2027.

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