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Microsoft passou anos revendendo I.A. alheia; na semana passada entregou chip quântico, sete modelos e um recado
Publicado 08/06/2026 • 10:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 08/06/2026 • 10:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Divulgação Microsoft
Majorana 2 entrega qubits mil vezes mais confiáveis e reduz à metade o prazo para computador quântico escalável até 2029
Em algum momento entre 2019 e hoje, a Microsoft deixou de ser uma empresa de software corporativo para se tornar a maior distribuidora de inteligência artificial do planeta. O acordo com a OpenAI, anunciado como parceria e estruturado como dependência, colocou a empresa de Satya Nadella na posição curiosa de ser a mais valiosa do mundo, dona de uma nuvem que sustentava meia dúzia de modelos de terceiros, e estranhamente sem produto próprio nenhum no campo que o mercado considerava o mais importante.
A Microsoft cobrava o pedágio, instalava o motor dos outros e chamava isso de estratégia.
Na dia 2 de junho, em São Francisco, o Build 2026 enfim entregou a resposta demorada a essa situação. Não foi apenas um anúncio, foram sete de uma só vez.
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A primeira mudança visível está no lugar mais inesperado: o Windows. A Microsoft anunciou o Microsoft Execution Containers, o MXC, uma camada de execução orientada por políticas que permite definir, com precisão cirúrgica, o que um agente de IA pode ou não pode fazer enquanto roda no sistema operacional. Acessa quais arquivos, usa qual rede, interage com quais aplicativos. Os limites são declarados uma vez e o próprio sistema operacional os impõe em tempo de execução, sem depender de boa vontade do desenvolvedor.
Para quem leu a coluna sobre o OpenClaw, há uma ironia deliciosa aqui. O agente que nasceu no Discord, ultrapassou o React no GitHub em menos de quatro meses e funcionava, na prática, com as chaves do escritório do usuário, agora roda dentro do Windows com contenção imposta pelo sistema operacional, identidade própria provisionada pelo Entra e um aplicativo companheiro. A lagosta ganhou uma gaiola. Uma gaiola elegante, administrada pela Microsoft, mas uma gaiola.
🔍 O que é o MXC: Microsoft Execution Containers. Uma camada de software que age como fiscal entre o agente de IA e o sistema operacional, definindo o que o agente pode tocar: arquivos, rede, outros programas. O agente recebe uma identidade própria e toda ação fica registrada e atribuível. É o equivalente a dar crachá e registro de ponto para o funcionário que antes entrava pelo fundo.
Junto com o MXC chegou o Microsoft Scout, o primeiro agente sempre ativo da empresa, construído sobre o OpenClaw e alimentado pelo WorkIQ, uma camada de inteligência que mapeia como o trabalho realmente acontece dentro de uma organização: e-mails, reuniões, documentos, calendários, conexões entre pessoas.
O Scout não espera prompt. Ele monitora, prepara, agenda e resolve, enquanto o usuário faz outra coisa. Nick Brady, da Microsoft, relatou ter pedido ao Scout que colocasse seu aviso de férias após o Build: o agente verificou o calendário, identificou os conflitos e criou o bloco. Ninguém pediu uma segunda vez.
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A segunda mudança é mais direta e mais impactante para o setor. A Microsoft apresentou o MAI-Thinking-1, seu primeiro modelo de raciocínio desenvolvido internamente, treinado do zero em dados limpos e licenciados, sem distilação de modelos de terceiros. Tem 35 bilhões de parâmetros ativos, janela de contexto de 256 mil tokens e foi projetado para instruções complexas de múltiplas etapas e geração de código.
Os números divulgados pela própria Microsoft indicam que o MAI-Thinking-1, em avaliação humana cega conduzida pela empresa Surge, foi preferido ao Sonnet 4.6 da Anthropic, e empata com o Opus 4.6 no benchmark SWE Bench Pro de programação. Benchmarks são o que são: construídos com intenção. Mas o dado político importa mais que o técnico. A Microsoft colocou seu modelo no ringue com os da concorrente e declarou vitória. Isso não acontecia antes, porque antes não havia modelo próprio para colocar.
A família MAI completa inclui sete modelos: raciocínio, imagem, voz, transcrição, código e variantes eficientes de cada um. Os modelos de imagem MAI-Image-2.5 aparecem em segundo lugar no ranking Arena AI para o formato imagem-para-imagem, superando o Nano Banana 2 do Google, que é exatamente o modelo que a maioria dos leitores desta coluna usa para gerar imagens.
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O anúncio mais cinematográfico do Build veio no fim. O Majorana 2 é o chip quântico topológico de nova geração da Microsoft, e o dado que vale sublinhar é que os qubits do novo chip são mil vezes mais confiáveis do que os da geração anterior. Onde outras abordagens quânticas medem a vida útil de um qubit em microssegundos, o Majorana 2 entrega uma média de 20 segundos, com casos que chegam a um minuto inteiro. - Quanto mais tempo o qubit aguentar sem perder o estado, mais tempo o computador tem para fazer cálculos úteis antes de errar.
🔍 O que é um qubit: É a unidade básica de computação quântica, equivalente ao "bit" dos computadores convencionais. A diferença é que um bit convencional é sempre 0 ou 1. Um qubit pode ser os dois ao mesmo tempo, o que permite que computadores quânticos processem combinações imensas de possibilidades simultaneamente. O problema histórico é que qubits são extremamente instáveis. O Majorana 2 resolve isso trocando o alumínio pelo chumbo no material do chip, o que aumenta a proteção dos qubits contra interferências externas.
Com esse avanço, a Microsoft acelerou seu prazo para entregar um computador quântico escalável e comercialmente viável: o novo alvo é 2029, metade do prazo que a empresa estimava antes. Chetan Nayak, o responsável técnico pelo projeto, resumiu o ritmo: "Onde estamos em relação ao ano passado? Mil vezes melhores."
O projeto todo foi desenvolvido com auxílio do Microsoft Discovery, a plataforma agêntica de pesquisa científica que a empresa também anunciou em disponibilidade geral. É a mesma plataforma que a BHP usa para desenvolver soluções de lixiviação de cobre em meses em vez de anos, e que a GSK aplica na descoberta de medicamentos. A inteligência artificial ajudando a construir a computação que eventualmente vai substituí-la.
Enquanto a Microsoft apresentava chips quânticos e agentes autônomos em São Francisco, meu pai, Jotta, um dos leitores mais fiéis desta coluna, me encaminhou a dica de uma atualização que chegou para quem usa o Windows 11 no dia a dia.
O modo de baixa latência, recurso experimental que reduz o tempo de resposta do sistema, pode ser ativado manualmente por qualquer usuário disposto a abrir o prompt de comando.
O procedimento exige a atualização KB5089573 instalada e o download da ferramenta gratuita ViVeTool, disponível no GitHub. Com o CMD aberto como administrador, um único comando ativa o recurso. Quem testou em máquinas mais antigas, incluindo processadores Intel Core i7 de sexta geração, relatou melhora perceptível já no 'boot' do sistema.
Não é o tipo de anúncio que aparece em keynote. É o tipo de coisa que aparece em fórum e que funciona.
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