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Allan Ravagnani AI-451

Entenda a treta bilionária entre Apple e OpenAI que escancara a corrida pelo hardware que pode suceder o iPhone

Publicado 15/07/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 hora

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Allan Ravagnani

Repórter

Allan Ravagnani é jornalista há 20 anos, duas vezes eleito entre os 50 jornalistas de Economia mais admirados do Brasil. Assina a coluna AI-451 e é repórter do Times Brasil | CNBC. Estudou Publicidade na ESPM e Jornalismo na Fapcom, fez pós-graduações em Macroeconomia, Finanças e Ciência Política.

Dois smartphones desligados frente a frente sobre mesa de reunião, iluminação âmbar quente, Apple atmosfera de disputa corporativa

Processo bilionário entre Apple e OpenAI escancara a corrida pelo hardware que herdaria o iPhone

Foi na sexta-feira (10), num tribunal federal do norte da Califórnia, que a Apple decidiu tirar do armário uma briga que já fervia há meses nos bastidores das duas empresas, e o resultado chegou em forma de petição de quarenta e uma páginas, recheada de mensagens internas, apelidos de projetos e nomes de ex-funcionários que até pouco tempo vestiam o crachá da maçã e hoje atendem pelo crachá da OpenAI, um documento que foi sido escrito para ser lido em voz alta numa sala de advogados, cada parágrafo mais estranho que o anterior, cada acusação abrindo caminho para a seguinte, mais grave.

O nome que primeiro chama atenção é o de Chang Liu, engenheiro que passou pela Apple e hoje trabalha no time de hardware da OpenAI. Segundo a Apple, Liu manteve consigo um notebook da empresa depois de sair e, meses mais tarde, descobriu uma falha que lhe dava acesso aos servidores internos de armazenamento.

A reação, registrada em mensagem a um ex-colega que ainda trabalhava na Apple, foi de quem tropeça numa piada e não resiste a contar: "kkkk, descobri que consigo acessar, muito engraçado". A petição lista dezenas de arquivos confidenciais que Liu teria baixado usando esse acesso, enquanto ajudava a desenvolver o hardware da própria OpenAI.

Peças verdadeiras em entrevistas de emprego

O outro protagonista do processo é Tang Tan, que passou vinte e quatro anos na Apple, chegou a vice-presidente de design de produto do iPhone e do Apple Watch, e hoje comanda a área de hardware da OpenAI.

A Apple acusa Tan de usar os codinomes internos de projetos ainda não lançados para extrair informação de candidatos a vaga que ainda trabalhavam na empresa, pedindo que levassem "peças de verdade" (baterias, placas lógicas, componentes) para sessões que a própria petição chama de "mostra e conta".

Tan também teria circulado um documento interno da Apple, com a etiqueta "apenas para quem precisa saber", ensinando novos contratados a driblar a temida checagem de segurança na saída, o tal walkout que tira o funcionário do prédio no mesmo minuto em que ele avisa que está de saída.

Debaixo de cada mensagem engraçadinha e cada peça escondida na mochila existe um motivo maior, e nada sutil: as duas empresas, que já foram parceiras (o ChatGPT ainda equipa a Apple Intelligence, mesmo depois de a Apple ter trocado a OpenAI pelo Google em janeiro para os recursos mais avançados), disputam agora o mesmo prêmio, o aparelho que sucederia o smartphone.

A OpenAI promete lançar seu primeiro dispositivo de consumo ainda neste semestre, projeto que herdou boa parte da equipe de design mais cobiçada do mundo, a mesma que passou décadas desenhando o produto que a Apple mais teme perder para outra empresa.

Corrida por hardware passa por Ive e por Zuckerberg

Chama atenção quem não aparece como réu no processo. Jony Ive, o ex-diretor de design da Apple que assina o desenho do iPhone e hoje comanda o hardware da OpenAI através da io Products (comprada pelo laboratório em 2025), ficou de fora da lista de acusados, apesar de ocupar um papel decisivo em toda essa história.

A ausência do nome mais famoso diz mais sobre estratégia jurídica do que sobre inocência. E a disputa não para na OpenAI: a Meta também aposta fichas pesadas num futuro sem tela de vidro, com óculos inteligentes que já renderam discussão sobre o preço da privacidade embutido no hardware.

Quem primeiro convencer o público de que vale a pena abandonar o bolso do smartphone leva um mercado que a Apple domina por quase vinte anos sem grande disputa.

RAPIDINHA

Fable 5 ganha terceira prorrogação, agora até domingo (19)

A Anthropic estendeu pela terceira vez em cinco semanas o acesso gratuito ao Claude Fable 5 dentro dos planos pagos, prorrogando o prazo de terça-feira (12) para domingo (19), às 23h59 no horário do Pacífico.

A regra não muda: assinantes dos planos Pro, Max, Team e Enterprise premium podem usar até 50% do limite semanal no Fable 5 sem custo extra, e o mesmo bônus de 50% também segue valendo para os limites do Claude Code.

Depois do prazo, o uso passa a rodar em créditos pré-pagos, US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de saída, o preço mais alto já cobrado pela empresa por um modelo de uso geral. A sequência de prorrogações (7 de julho, depois 12, agora 19) acontece na mesma semana em que a OpenAI lançou o GPT-5.6 Sol, reforçando a leitura de que a Anthropic está comprando tempo enquanto negocia capacidade computacional.

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