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Oracle usa expertise no domínio de dados corporativos para virar o jogo da era dos agentes de IA empresariais
Publicado 26/07/2026 • 10:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 26/07/2026 • 10:30 | Atualizado há 3 meses
Imagem gerada por inteligência artificial
Cofre corporativo entreaberto simboliza a aposta da Oracle em oferecer controle e governança para os agentes de inteligência artificial dentro das empresas
Havia uma piada no mundo da tecnologia, dos tempos em que Larry Ellison ainda passeava de iate pela baía de São Francisco contando vitórias sobre a IBM, que dizia que ninguém nunca foi demitido por comprar Oracle. A frase envelheceu mal como quase toda ironia corporativa, mas guarda um fundo de verdade que a empresa celebra novamente, quando o mercado corre atrás do modelo de IA mais impressionante e a Oracle, fundada em 1977 para vender banco de dados a bancos e governos desconfiados, decidiu que a corrida certa não é essa.
Em meados de julho, a companhia anunciou uma nova experiência de desenvolvimento para o Oracle AI Agent Studio, o ambiente onde clientes e parceiros criam o que ela batizou de Fusion Agentic Applications, aplicações que vão além da conversa com o usuário e passam a executar processos inteiros dentro do sistema corporativo, sob controle direto de aprovações, fluxos de trabalho e trilha de auditoria já embutidos.
A promessa do anúncio é relativamente fácil de enunciar, mas cara de construir. Em vez de deixar empresas montarem agentes de IA soltos, conectados por fora aos sistemas de RH, finanças e cadeia de suprimentos, a Oracle quer que tudo aconteça dentro do Fusion, herdando os controles de segurança e governança que já regem qualquer outro processo da companhia.
Chris Leone, vice-presidente de Desenvolvimento de Aplicações da Oracle, resumiu o argumento numa frase que vale menos pelo que diz sobre inteligência artificial e mais pelo que revela sobre a estratégia comercial. Para ele, a diferença em relação a automações desconectadas está em quando o controle entra no processo, pensado desde o início e não anexado depois que o agente já roda solto pela empresa.
É uma aposta que faz sentido para quem passou décadas vendendo o produto que ninguém adora mas todo mundo precisa.
A Oracle nunca teve o glamour de um lançamento com fila na porta, mas sempre teve algo valioso em ambiente corporativo grande, a confiança de quem administra dados sensíveis. Agora ela converte essa reputação de guardiã enfadonha em vantagem competitiva, justamente quando o mercado descobre que o problema da IA empresarial não é falta de bons modelos, mas excesso de modelos soltos sem ninguém sabendo quem aprovou o quê.
🔍 Fusion Agentic Applications são sistemas de IA que executam tarefas completas dentro dos processos de uma empresa, como fechar um balanço ou aprovar uma compra, seguindo regras e registros de auditoria já definidos pela companhia.
Em maio, esta coluna cobriu o lançamento da Gemini Enterprise Agent Platform, quando o Google apresentou sua versão de empresa agêntica, com clientes como NASA, Citi e PepsiCo testando agentes autônomos em escala. Na ocasião, o ponto de maior atenção foi a ausência quase completa da palavra responsabilidade nos materiais de lançamento, como se a governança fosse um detalhe a resolver depois.
A Oracle chega meses depois com o discurso invertido. Onde o Google vendeu escala e velocidade, a Oracle vende controle e auditoria, quase como se dissesse ao mercado que a festa dos agentes autônomos já aconteceu em outro lugar e agora é hora de alguém arrumar a casa.
A disputa, vista de fora, parece ser sobre o modelo de linguagem mais avançado. Vista de dentro de qualquer departamento de compliance, é sobre quem consegue provar, com registro e assinatura, que um agente de IA não vai aprovar sozinho um pagamento que não devia ter sido aprovado.
Outro detalhe revelador é o fato de a Oracle contar hoje com um exército de mais de 80 mil especialistas certificados no AI Agent Studio, gente treinada para configurar e implantar agentes dentro de empresas que não têm a menor intenção de deixar um estagiário brincando com o financeiro. Some a isso os mais de 1.000 agentes já disponíveis via Fusion Applications e as 22 aplicações lançadas no início do ano, e fica claro que a Oracle constrói um mercado de trabalho ao redor da própria plataforma, com o AI Studio Skill permitindo usar Visual Studio Code, Git e assistentes como Claude Code e OpenAI Codex sem sair de sua governança.
As falas dos parceiros seguem o mesmo roteiro. Lan Guan, da Accenture, fala em ajudar clientes a escalar esses recursos. Holger Mueller, da Constellation Research, descreve a Oracle mantendo agentes, segurança e acesso dentro de uma única plataforma. Mauro Schiavon, da Deloitte, e Zachary Chertok, da IDC, tratam do mesmo gargalo que qualquer diretor de tecnologia enfrenta hoje, a distância entre o piloto bonito de IA e a produção que ninguém quer arriscar sem supervisão. Kevin Sullivan, da PwC, fecha o coro citando escalabilidade com segurança. Ninguém no anúncio disputa se a IA generativa vai mudar o trabalho corporativo. A disputa real é sobre quem vai cobrar o pedágio para isso acontecer com segurança, e a Oracle, com quatro décadas vendendo justamente essa tranquilidade a quem não pode errar, aposta que a resposta é ela.
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