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CNBCReserva de caixa da Anthropic supera a de quase todas as empresas americanas

Allan Ravagnani AI-451

Anthropic abre as contas de olho no IPO e a bolsa premia quem vende chips

Publicado 28/10/2026 • 11:00 | Atualizado há 3 horas

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Allan Ravagnani

Repórter Especial

Allan Ravagnani é jornalista há 20 anos, duas vezes eleito entre os 50 jornalistas de Economia mais admirados do Brasil. Assina a coluna AI-451 e é repórter especial do Times Brasil | CNBC. Estudou Publicidade na ESPM e Jornalismo na Fapcom, fez pós-graduações em Macroeconomia, Finanças e Ciência Política.

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Anthropic alerta para mudança nos próximos anos envolvendo as tecnologias avançadas

Na segunda-feira (26), enquanto o pequeno investidor brasileiro se descabelava com a queda do Ibovespa, o Nasdaq saia de duas semanas seguidas de perdas e o Federal Reserve prestes a decidir sobre os juros, apareceu no sistema da SEC (a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) um prospecto de mais de 330 páginas em nome da Anthropic, com os campos de preço e de quantidade de ações ainda em branco, e ao fim do pregão a Nvidia tinha subido 2,4%, a Micron 3% e a Broadcom 2,3%, sem que ninguém soubesse quanto valeria cada papel da empresa que provocara o movimento.

A reação diz mais sobre a bolha da inteligência artificial do que sobre a Anthropic, porque subiram os papéis de quem vende chips e memória ao laboratório, enquanto as neoclouds, que alugam capacidade de processamento com dinheiro emprestado, tiveram um dia dividido, com a CoreWeave avançando cerca de 2% e a Nebius recuando mais de 3%.

Anthropic multiplica receita por 14 e compute por quatro

Os números sustentam a parte otimista. No primeiro semestre, a receita chegou a US$ 16,3 bilhões (R$ 81,8 bilhões, pelo câmbio de 27/10), 14 vezes a de 2025, e no segundo trimestre cresceu 1.368% sobre um ano antes, enquanto as despesas com compute e infraestrutura cresceram 300%.

Essas despesas somaram US$ 8,9 bilhões (R$ 44,7 bilhões) nos seis meses, 55% da receita, e a margem operacional ajustada, negativa em 159% um ano antes, ficou em 10%. Pelas regras contábeis americanas, porém, o resultado operacional segue negativo, em 4% da receita, e o prejuízo líquido, já tratado nesta série, é em maior parte contábil.

Leia também: Prejuízo de US$ 80 bilhões da Anthropic é em grande parte contábil, mas capex de US$ 750 bilhões é real; entenda

Anthropic perde ritmo e investidores discutem avaliação de US$ 1,5 trilhão

O prospecto olha para trás, e o presente é menos exuberante. Segundo a Reuters, a receita do terceiro trimestre foi de US$ 16,8 bilhões (R$ 84,3 bilhões), 45% acima dos US$ 11,6 bilhões do segundo, que por sua vez mais que dobrara o primeiro. Na quarta-feira (14), em reunião com investidores em São Francisco, Dario Amodei e o diretor financeiro, Krishna Rao, apresentaram lucro ajustado, e parte da plateia saiu preocupada com a perda de ritmo e passou a discutir uma avaliação de cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões), 25% abaixo da expectativa anterior, segundo fontes ouvidas pela agência.

A margem alta de quem lidera também abriu espaço para o rival. De acordo com a The Information e o TechCrunch, a OpenAI oferece descontos de mais de 30% e ficou com a maior parte do gasto de mais de US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) por ano da Replit, depois que a Anthropic recusou estender um desconto sem compromisso maior de gasto, embora o presidente da Replit tenha suavizado depois a declaração de que rompera a parceria.

Compute contratado vai até 2036 e independe de uso

O que o semestre não mostra é o tamanho do que vem depois. As somas divergem conforme o critério de cada análise, de US$ 430 bilhões a mais de US$ 750 bilhões (R$ 2,16 trilhões a mais de R$ 3,77 trilhões), e, segundo a Motley Fool, os contratos com Amazon, até 2036, e Google, até 2033, são devidos independentemente do uso. A própria Anthropic admite que precisa expandir a receita com rapidez para gerar o caixa que sustenta esses contratos, e a Fortune observa que 75% da receita contratada será reconhecida em doze meses, enquanto os desembolsos passam de uma década e os clientes podem sair a qualquer momento. Amazon, Google e Microsoft ainda fornecem compute, investem na empresa e usam seus modelos, relações que o prospecto reconhece como fonte de dependências e vulnerabilidades.

Bolsa paga fornecedores e hesita diante de endividados

Chips e memória lideraram a reação. O ETF de semicondutores da iShares subiu quase 3% na segunda-feira, e a Chartmill resumiu o movimento como voto de confiança em toda a cadeia de fornecimento. Torsten Slok, economista-chefe da Apollo, calculou em agosto margem operacional de 41% para fornecedores de silício e equipamentos e de menos 59% para a camada de modelos e aplicações. A Anthropic, com margem ajustada de 10%, destoa dessa conta, mas a OpenAI e o restante da camada ainda não abriram os números.

Do outro lado está o crédito. A CoreWeave, com cerca de US$ 50 bilhões (R$ 251 bilhões) em dívida, viu na quinta-feira (15) o rendimento de um título de 2031 passar de 16% e o seguro contra calote superar 1.000 pontos-base, segundo a Reuters, e a ação segue 60% abaixo da máxima recente, de acordo com a CNBC.

A OpenAI adiou a estreia para 2027 e deixa a Anthropic sozinha no teste, e a experiência da SpaceX recomenda cautela, já que suas ações, depois da maior estreia da história, ficaram mais de 20% abaixo da máxima duas semanas depois.

Anthropic concentra voto em sete fundadores e fundo fiduciário

O investidor de classe A terá um voto por ação, mas uma única ação de classe F, em poder de uma sociedade dos sete cofundadores, vale 50,1% do poder de voto em assuntos gerais, e o Long-Term Benefit Trust, por meio das ações de classe T, elege a maioria do conselho. O prospecto adverte que essa estrutura pode eliminar, na prática, a influência dos acionistas de classe A sobre decisões importantes, inclusive mudança de controle. Reserva ainda 846,8 milhões de ações da classe N, 5% do capital, a um fundo de benefício público, prevê novas emissões de até 2% a cada alta de 50% no preço e mantém um programa que iguala em ações as doações de funcionários, conta que a The Information avalia que pode crescer muito depois da estreia.

Entre os riscos listados está a disputa com o Pentágono, que pode gerar perdas relevantes de receita, segundo a CNBC. A estreia é esperada para novembro, com captação acima de US$ 100 bilhões (R$ 502 bilhões) e avaliação que os bancos aventaram em até US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões), números relatados pela imprensa americana que o prospecto ainda não traz. O que ele já traz, segundo o Yahoo Finance, é um cronograma de liberação das ações de insiders em mais de 20 janelas ao longo de um ano.

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