CNBC

CNBCTesla não atinge expectativas de lucro, apesar de superar previsões de receita

Sua saúde, seu sucesso Brazil Health

Saúde mental no trabalho: estudo mostra que depressão e ansiedade podem levar ao turnover e geram custos elevados para empresas

Publicado 21/07/2026 • 12:34 | Atualizado há 1 dia

Foto de Brazil Health

Brazil Health

A Brazil Health é uma agência de notícias especializada em saúde e bem-estar, que tem mais de uma década de atuação. Desenvolve conteúdos exclusivos baseados em ciência e ética, destacando-se pela qualidade e precisão de suas informações.

Pixabay

Investir em saúde mental reduz turnover e traz retorno financeiro para empresas

Um levantamento realizado pela Gattaz Health, empresa pioneira em programas de saúde mental corporativa no Brasil, em uma empresa com 339 funcionários, revelou dados importantes sobre a relação entre saúde mental e retenção de talentos. Após um ano do levantamento inicial, 64 funcionários haviam sido desligados da empresa (seja por demissão ou pedido de desligamento). A análise mostrou que esses funcionários apresentavam, um ano antes do desligamento, níveis significativamente mais elevados de sintomas de depressão e ansiedade em comparação aos que permaneceram na empresa.

"Estes achados indicam claramente que depressão e ansiedade são preditores importantes do turnover nas organizações, um fenômeno que gera custos substanciais para as empresas", afirma o Dr. Wagner Gattaz, diretor-presidente da Gattaz Health e professor sênior de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. "Nossos dados estão alinhados com evidências científicas internacionais que demonstram o impacto econômico dos transtornos mentais no ambiente de trabalho."

O impacto global dos transtornos mentais no trabalho

A literatura científica confirma que transtornos mentais representam uma das principais causas de custos para as organizações em todo o mundo. Em uma revisão publicada na revista The Lancet em 2023 [3], pesquisadores de diversas universidades europeias estimaram que mais de US$ 1 trilhão sejam perdidos globalmente em produtividade a cada ano devido a transtornos depressivos e de ansiedade.

Num trabalho publicado recentemente no American Journal of Industrial Medicine [4], pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) estimaram que o custo relacionado ao sofrimento psicológico no ambiente de trabalho foi de aproximadamente US$ 100 bilhões em 2021, considerando apenas absenteísmo e presenteísmo (trabalhar doente com desempenho reduzido).

Trabalhadores com transtornos mentais apresentam risco aumentado de afastamento por doença, desemprego, saída permanente do mercado de trabalho e menores ganhos ao longo da vida. Em muitos países de alta renda, os transtornos mentais são a categoria de doenças que mais cresce como causa de aposentadoria precoce por invalidez.

Leia também: Por que líderes estão trocando cirurgias longas por resultados rápidos e seguros

Depressão e ansiedade afetam diretamente o desempenho e a permanência no trabalho

Em um estudo publicado na revista Occupational Medicine [1] em 2022, pesquisadores australianos demonstraram que trabalhadores com depressão apresentam 7,10 vezes mais chances de ter ausências superiores a 2 semanas e 5,67 vezes mais chances de ter desempenho prejudicado no trabalho. Já trabalhadores com transtornos de ansiedade têm 1,84 vezes mais chances de ausências prolongadas e 2,13 vezes mais chances de desempenho prejudicado.

Em outra pesquisa conduzida pela Gattaz Health em uma empresa brasileira com 9.100 funcionários, a depressão sozinha foi responsável pela perda de 15.600 dias de trabalho, demonstrando o impacto direto desses transtornos na produtividade organizacional.

Quando depressão e ansiedade ocorrem simultaneamente (comorbidade), o impacto é ainda maior. Trabalhadores com ambas as condições relatam maior gravidade de sintomas, pior desempenho no trabalho e mais ausências em comparação a todos os outros grupos. Mesmo após a recuperação desses transtornos, os trabalhadores ainda apresentam maior risco de funcionamento laboral prejudicado.

Um estudo longitudinal executado por pesquisadores da Universidade de Copenhague com mais de 43.000 trabalhadores dinamarqueses, publicado no International Archives of Occupational and Environmental Health [2] em 2023, mostrou que transtornos depressivos e de ansiedade estão associados a redução do tempo de trabalho de 4 a 51 dias em um período de dois anos, aumento do tempo em afastamento por doença de 6 a 44 dias, e aumento do tempo em desemprego de 6 a 12 dias, quando comparados a trabalhadores sem esses transtornos.

Transtornos mentais multiplicam os custos de outras doenças crônicas

"Um aspecto frequentemente negligenciado é que os transtornos mentais não apenas geram custos diretos, mas também multiplicam dramaticamente os custos de outras condições médicas", destaca o Dr. Wagner Gattaz. "Quando um funcionário com diabetes, doença cardíaca ou câncer também apresenta depressão ou ansiedade, os custos para o sistema de saúde e para os planos de saúde corporativos aumentam exponencialmente."

Em um estudo publicado no BMC Health Services Research [7] em 2021, pesquisadores norte-americanos analisaram dados de seguros de saúde de mais de 50.000 pacientes e demonstraram que a presença de depressão aumenta significativamente os custos em pacientes com diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Pacientes diabéticos com depressão comórbida apresentaram custos totais de saúde de US$ 16.511 por ano, comparados a US$ 11.550 para diabéticos sem depressão - um aumento de 43%. Para pacientes com doenças cardiovasculares, a presença de depressão elevou os custos de US$ 18.041 para US$ 25.546 anuais, um aumento de 42%. Este achado tem especial relevância se considerarmos que a prevalência de depressão em pacientes diabéticos é cerca de 3 vezes maior que na população geral [8].

Num estudo publicado no Journal of Diabetes Research [9] em 2018, pesquisadores americanos avaliaram adultos com diabetes e hipertensão concomitantes e encontraram que aqueles com depressão e ansiedade simultâneas apresentaram custos anuais de US$ 28.832 por pessoa, enquanto aqueles sem transtornos mentais tiveram custos de apenas US$ 12.254 - representando um aumento de 135%.

Em duas análises publicadas no JAMA Network Open [14, 15], pesquisadores canadenses acompanharam 991.445 adultos com doenças crônicas ao longo de 3 anos (2012-2015) e demonstraram que a presença de transtornos mentais em pacientes com doenças crônicas está associada a custos de saúde aumentados em 73% em um período de três anos (US$38.250 contra US$22.280 para aqueles sem transtornos mentais). Os maiores aumentos de custos foram encontrados em pacientes com esquizofrenia (US$50.450), transtornos por uso de álcool (US$42.320) e drogas (US$45.260) e pacientes com depressão (US$34.690) apresentaram os maiores aumentos de custos.

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Psychiatry [10] em 2022 por pesquisadores norte-americanos analisou 199 estudos e concluiu que a depressão está significativamente associada ao aumento da incidência e agravamento de doenças cardiovasculares, diabetes, demência, doenças

autoimunes e HIV/AIDS, além de pior controle e maior gravidade dessas condições quando já estabelecidas.

Em um estudo de coorte populacional publicado na revista Psychological Medicine [11] em 2013, pesquisadores britânicos avaliaram quase 300.00 0 participantes e encontraram que a presença de depressão estava associada a custos de saúde substancialmente mais elevados em todos os níveis de morbidade. Em mulheres de 55 a 64 anos sem outras doenças, o custo anual médio foi de £513 sem depressão e £1.074 com depressão. Quando três doenças crônicas estavam presentes, o custo foi de £1.495 sem depressão e £2.878 com depressão - um aumento de 92%.

Leia também: Sua equipe trabalha por propósito ou por medo?

Impacto nos planos de saúde e custos para as empresas

"Esses dados têm implicações diretas para as empresas brasileiras", explica o Dr. Wagner Gattaz. "O aumento dos custos de saúde devido a transtornos mentais não tratados leva inevitavelmente ao aumento dos prêmios dos planos de saúde corporativos, onerando ainda mais as organizações. Além disso, condições de saúde mental não tratadas levam a maior utilização de serviços de emergência, hospitalizações e complicações médicas evitáveis."

Em um estudo publicado no JAMA Network Open [12] em 2025, pesquisadores americanos demonstraram que condições de saúde mental não tratadas estão associadas a aumentos de até 3 vezes nos gastos com saúde para indivíduos com a mesma carga de doenças físicas. O impacto é maior para pacientes com condições físicas de alto custo, sendo que mais da metade dos pacientes com condições de alto custo também apresentam transtornos de saúde mental.

Um estudo alemão publicado na revista Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology [13] em 2023 demonstrou que os custos excedentes de transtornos mentais aumentam com a gravidade da doença, variando de €6.123 para casos leves a €31.883 para casos graves em um período de 6 meses, com custos indiretos (afastamentos, desemprego, aposentadoria precoce) representando a maior parcela.

O retorno do investimento em saúde mental

"Diante desses dados, cuidar da saúde mental dos trabalhadores representa não apenas uma responsabilidade ética e social, mas também uma estratégia economicamente vantajosa para as empresas", reforça o Dr. Wagner Gattaz. "Além de aumentar a produtividade e reduzir o absenteísmo e o presenteísmo, programas de saúde mental podem reduzir significativamente o turnover, diminuindo custos com recrutamento, seleção, treinamento e perda de conhecimento organizacional. Mais importante ainda, ao tratar adequadamente os transtornos mentais, as empresas podem reduzir drasticamente os custos com planos de saúde, evitando a escalada de custos associada às comorbidades."

Iniciativas de política pública e práticas empresariais em diversos países têm reconhecido a importância da saúde mental no trabalho. O relatório "Thriving at Work" do Reino Unido, de 2017, detalha os principais custos da má saúde mental para empresas e a economia, estabelecendo diretrizes sobre o que os empregadores podem fazer para apoiar a saúde mental dos trabalhadores. Na Austrália, a Comissão Nacional de Saúde Mental lançou a Iniciativa Nacional de Locais de Trabalho para fornecer uma abordagem consistente à saúde mental no ambiente de trabalho em todo o país.

O Brasil também está nesta vanguarda com a entrada em vigor da Norma Regulamentadora NR01, que insere o levantamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho dentro das obrigações dos empregadores de cuidar da saúde dos empregados. Neste sentido, a Gattaz Health foi pioneira em apresentar um programa completo de detecção e prevenção dos riscos psicossociais, inserindo as empresas dentro das exigências legais da NR01.

Os dados dos levantamentos da Gattaz Health, somados às evidências científicas internacionais, reforçam que investir em saúde mental não é apenas benéfico para os trabalhadores, mas traz um excelente retorno sobre o investimento para as empresas, contribuindo para organizações mais saudáveis, produtivas e sustentáveis. Redação Brazil Health.

Referências

I. Depressão, ansiedade e impacto no trabalho

1. Deady M, Collins DAJ, Johnston DA, et al. The Impact of Depression, Anxiety and Comorbidity on Occupational Outcomes. Occupational Medicine. 2022.

2. Pedersen J, Framke E, Thorsen SV, et al. The Linkage of Depressive and Anxiety Disorders With the Expected Labor Market Affiliation (ELMA): A Longitudinal Multi-State Study of Danish Employees. International Archives of Occupational and Environmental Health. 2023.

3. Rugulies R, Aust B, Greiner BA, et al. Work-Related Causes of Mental Health Conditions and Interventions for Their Improvement in Workplaces. The Lancet. 2023. (Revisão)

4. Asfaw A, Alterman T, Pana-Cryan R. Workplace Productivity Cost Associated With Psychological Distress in the United States. American Journal of Industrial Medicine. 2026.

5. Plaisier I, Beekman AT, de Graaf R, et al. Work Functioning in Persons With Depressive and Anxiety Disorders: The Role of Specific Psychopathological Characteristics. Journal of Affective Disorders. 2010.

6. Stewart WF, Ricci JA, Chee E, Hahn SR, Morganstein D. Cost of Lost Productive Work Time Among US Workers With Depression. JAMA. 2003. (Estudo observacional)

II. Influência dos transtornos mentais nos custos em saúde

7. Kangethe A, Lawrence DF, Touya M, et al. Incremental Burden of Comorbid Major Depressive Disorder in Patients With Type 2 Diabetes or Cardiovascular Disease: A Retrospective Claims Analysis. BMC Health Services Research. 2021.

8. Guerrero Fernández de Alba I, Gimeno-Miguel A, Poblador-Plou B, et al. Association Between Mental Health Comorbidity and Health Outcomes in Type 2 Diabetes Mellitus Patients. Scientific Reports. 2020.

9. Wallace K, Zhao X, Misra R, Sambamoorthi U. The Humanistic and Economic Burden Associated with Anxiety and Depression among Adults with Comorbid Diabetes and Hypertension. Journal of Diabetes Research. 2018.

10. Arnaud AM, Brister TS, Duckworth K, et al. Impact of Major Depressive Disorder on Comorbidities: A Systematic Literature Review. The Journal of Clinical Psychiatry. 2022. (Revisão sistemática)

11. Bhattarai N, Charlton J, Rudisill C, Gulliford MC. Prevalence of Depression and Utilization of Health Care in Single and Multiple Morbidity: A Population-Based Cohort Study. Psychological Medicine. 2013.

12. Hawrilenko M, Smolka C, Ward E, et al. Return on Investment of Enhanced Behavioral Health Services. JAMA Network Open. 2025. (Estudo observacional)

13. König H, König HH, Gallinat J, et al. Excess Costs of Mental Disorders by Level of Severity. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology. 2023;58:973-985. doi:10.1007/s00127-022-02298-8.

14. Sporinova B, Manns B, Tonelli M, et al. Association of Mental Health Disorders With Health Care Utilization and Costs Among Adults With Chronic Disease. JAMA Network Open. 2019.

15. Figueroa JF, Phelan J, Orav EJ, Patel V, Jha AK. Association of Mental Health Disorders With Health Care Spending in the Medicare Population. JAMA Network Open. 2020

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Brazil Health