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Dependência digital: quando a tecnologia começa a controlar a rotina
Publicado 28/10/2026 • 10:34 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 28/10/2026 • 10:34 | Atualizado há 3 horas
Foto: Getty Images
Você pega o celular para responder a uma mensagem e, quando percebe, já passou meia hora olhando redes sociais, vídeos e notícias. Essa situação tornou-se tão comum que muitas pessoas nem notam o quanto o uso da tecnologia interfere em sua rotina, no sono, na concentração e até nos relacionamentos.
A tecnologia não é a vilã. Ela facilita o trabalho, a comunicação, o acesso à informação e muitas atividades do dia a dia. O problema começa quando deixamos de escolher o momento de utilizá-la e passamos a agir de forma automática, com dificuldade para parar.
Aplicativos, jogos e redes sociais são desenvolvidos para manter nossa atenção. Notificações, curtidas, vídeos curtos e novidades constantes estimulam o sistema de recompensa do cérebro, relacionado à liberação de dopamina – uma substância associada à motivação, ao prazer e à expectativa de recompensa.
Cada nova mensagem ou conteúdo interessante produz uma pequena sensação de satisfação. Como não sabemos exatamente quando aparecerá algo que nos agrade, continuamos verificando a tela repetidamente. Aos poucos, o cérebro aprende a buscar esses estímulos sempre que sentimos tédio, ansiedade, solidão ou desconforto.
Esse comportamento pode se transformar em um ciclo: quanto mais usamos, mais sentimos vontade de usar. E atividades que exigem paciência e concentração, como ler, estudar ou conversar sem interrupções, podem parecer menos interessantes.
A psicóloga norte-americana Kimberly Young foi uma das pioneiras no estudo da dependência de internet e mostrou que o uso excessivo pode prejudicar a vida pessoal, profissional e social.
O psicólogo britânico Mark Griffiths, especialista em dependências comportamentais, explica que uma atividade pode se tornar problemática quando passa a dominar os pensamentos, altera o humor e provoca conflitos ou dificuldade de controle.
Já a psiquiatra Anna Lembke, da Universidade Stanford, destaca que o excesso de estímulos prazerosos pode desequilibrar o sistema de recompensa do cérebro, aumentando a ansiedade e a necessidade de buscar cada vez mais estímulos.
Alguns sinais podem indicar que o uso da tecnologia está ultrapassando um limite saudável: ansiedade quando o celular não está por perto, perda de sono, dificuldade de concentração, irritação ao ser interrompido, abandono de atividades importantes e tentativas frustradas de diminuir o tempo de uso.
Também é importante observar se o celular está ocupando momentos que antes eram destinados às refeições, às conversas, ao trabalho, ao lazer ou ao descanso.
Observe seu tempo de uso: consulte o relatório do próprio aparelho e identifique os aplicativos que mais consomem seu tempo.
Desative notificações desnecessárias: cada aviso interrompe a atenção e cria uma nova vontade de olhar a tela.
Retire os aplicativos mais tentadores da tela inicial: dificultar o acesso ajuda a interromper o gesto automático.
Crie momentos sem celular: evite o aparelho durante as refeições, conversas, estudos e pelo menos trinta minutos antes de dormir.
Substitua o hábito: quando surgir a vontade de pegar o celular por tédio, experimente caminhar, ler algumas páginas, ouvir música ou conversar com alguém.
Reduza aos poucos: mudanças radicais nem sempre duram. Estabeleça pequenas metas e aumente gradualmente os períodos longe das telas.
Quando o uso da tecnologia causa sofrimento intenso ou prejuízos importantes, a orientação de um profissional de saúde mental pode ser necessária.
Recuperar o controle não significa abandonar a tecnologia, mas utilizá-la com consciência. Afinal, liberdade digital não é viver sem o celular: é conseguir colocá-lo de lado quando existe algo mais importante para viver.
Tânia Parolari – CRP 06/90250-SP
Psicóloga clínica.
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