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Empresas falam de saúde mental, mas ignoram o que mais adoece pessoas
Publicado 25/03/2026 • 07:50 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 25/03/2026 • 07:50 | Atualizado há 2 meses
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Saúde mental no trabalho
De acordo com Alba Eiras, diretora de Pessoas e Comunicação da Lundbeck Brasil, o bem-estar no trabalho depende da rotina, da liderança e da cultura, e não apenas de iniciativas de apoio.
Nos últimos anos, a saúde mental ganhou espaço nas agendas corporativas. O aumento dos casos de ansiedade, depressão e esgotamento emocional acendeu um alerta claro para as organizações. A forma como o trabalho é estruturado impacta diretamente o bem-estar das pessoas.
Normas e regulamentações ajudam a estabelecer parâmetros mínimos de proteção. Ainda assim, empresas que avançam nesse tema entendem que cumprir exigências não basta. O cuidado precisa estar incorporado na rotina.
A questão passa por criar condições para que o trabalho funcione de forma sustentável no dia a dia.
Isso envolve aspectos que muitas vezes passam despercebidos. A forma como as metas são definidas, a gestão do tempo, o respeito aos momentos de descanso, o reconhecimento do trabalho realizado e a qualidade das relações dentro das equipes.
Ainda é comum que a saúde mental nas empresas seja tratada apenas por meio de iniciativas de suporte psicológico. Esses programas são relevantes e ajudam muitas pessoas. Sozinhos, não dão conta do problema.
O bem-estar no trabalho se constrói na experiência cotidiana de cada colaborador.
Organizações que têm avançado nesse tema adotam uma abordagem mais ampla. Flexibilidade na jornada, incentivo ao uso integral de férias e práticas que favorecem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal entram na rotina.
Políticas de desconexão e pausas ao longo do ano ajudam a reduzir a sobrecarga. Programas de desenvolvimento de liderança também têm impacto direto na qualidade do ambiente.
O reconhecimento ocupa um papel importante. Sentir-se valorizado, respeitado e ouvido influencia a motivação e o engajamento. Feedbacks consistentes, celebração de conquistas e espaço para participação nas decisões fazem diferença no dia a dia.
As empresas precisam reconhecer sinais precoces de sofrimento emocional. Mudanças de comportamento, dificuldade de concentração, queda de desempenho ou isolamento podem indicar que algo não vai bem.
O papel da organização é criar um ambiente em que as pessoas se sintam seguras para buscar apoio. A liderança tem influência direta nesse processo. Gestores preparados para ouvir e orientar contribuem para relações mais saudáveis e para um ambiente mais atento às necessidades individuais.
O bem-estar também está ligado à cultura organizacional. Empresas que valorizam equilíbrio, confiança e respeito criam condições para que as pessoas desempenhem seu trabalho sem comprometer a própria saúde.
Nos próximos anos, esse será um desafio central para o mundo corporativo. A aceleração tecnológica, os novos modelos de trabalho e a pressão por resultados exigem uma revisão constante sobre como o trabalho é organizado.
Cuidar da saúde mental também é uma decisão estratégica. Ambientes saudáveis favorecem engajamento, inovação, colaboração e produtividade ao longo do tempo.
Resultados sustentáveis dependem de ambientes em que as pessoas possam trabalhar e viver com qualidade.
Alba Eiras - Diretora de Pessoas e Comunicação da Lundbeck Brasil.
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