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Coração e Copa do Mundo: emoção faz bem, mas exige atenção de quem já tem doença cardíaca
Publicado 03/07/2026 • 07:31 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 03/07/2026 • 07:31 | Atualizado há 3 semanas
Cardiologista Carlos Alberto Pastore explica como a emoção dos jogos afeta cardiopatas e quais cuidados adotar durante a Copa do Mundo.
A cada quatro anos, a Copa do Mundo transforma a rotina de milhões de pessoas. Horários são reorganizados, reuniões são adiadas e o coração dos torcedores parece acompanhar cada lance dentro de campo. A sensação não é apenas uma figura de linguagem. Do ponto de vista fisiológico, o organismo realmente responde às emoções intensas provocadas por uma partida decisiva.
Durante um jogo importante, especialmente quando envolve a seleção do país, o corpo libera hormônios como adrenalina e noradrenalina. Essas substâncias aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial e deixam o organismo em estado de alerta. É uma reação natural do ser humano diante de situações de forte envolvimento emocional.
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Para pessoas saudáveis, essas alterações costumam ser transitórias e não representam um problema. O coração acelera, a pressão sobe temporariamente e, após o término da partida, tudo tende a retornar aos níveis habituais. Faz parte da experiência de torcer, vibrar, comemorar um gol ou até sofrer com um resultado inesperado.
O cenário é diferente para quem já convive com alguma doença cardiovascular. Pacientes com hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença coronariana, histórico de infarto, arritmias ou outras condições cardíacas podem apresentar uma resposta mais intensa aos momentos de estresse emocional. Nesses casos, a combinação entre emoção, hábitos inadequados e eventual descontrole da doença pode aumentar o risco de complicações.
Diversos estudos realizados ao longo das últimas décadas demonstraram que eventos esportivos de grande repercussão podem estar associados a um aumento de atendimentos por problemas cardiovasculares. Não significa que a emoção da torcida seja a causa direta de infartos ou arritmias, mas ela pode funcionar como um gatilho em indivíduos que já apresentam fatores de risco ou doenças previamente estabelecidas.
Por isso, a principal recomendação não é deixar de assistir aos jogos, mas adotar algumas medidas de proteção. Uma delas é evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Muitas pessoas associam futebol e confraternização ao aumento da ingestão de álcool, que pode favorecer alterações da pressão arterial, desencadear arritmias e contribuir para a desidratação.
Outro cuidado importante está relacionado à alimentação. Petiscos muito salgados, frituras e refeições pesadas são comuns durante transmissões esportivas, mas podem representar uma sobrecarga adicional para pacientes cardiopatas. O excesso de sódio favorece a retenção de líquidos e pode dificultar o controle da pressão arterial, enquanto refeições volumosas exigem maior esforço do organismo durante a digestão.
O tabagismo também merece atenção especial. Em momentos de tensão, algumas pessoas acabam aumentando o número de cigarros consumidos ao longo do jogo. Trata-se de um hábito que eleva significativamente o risco cardiovascular e que deve ser evitado, especialmente por quem já possui diagnóstico de doença cardíaca.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é a adesão ao tratamento. Durante feriados, viagens ou mudanças na rotina, alguns pacientes esquecem horários de medicamentos ou deixam de tomar as doses prescritas. Em um período marcado por emoções intensas, manter o tratamento rigorosamente em dia torna-se ainda mais importante.
Vale lembrar que a Copa deste ano acontece durante o inverno brasileiro, estação em que a pressão arterial tende a apresentar valores mais elevados em parte da população. Para pacientes hipertensos, essa condição reforça a necessidade de acompanhamento médico adequado e de controle regular da pressão.
Em alguns casos, principalmente entre pacientes com doenças cardiovasculares mais complexas, pode ser necessário revisar medicações ou ajustar estratégias de controle antes do período da competição. Essa avaliação deve ser feita individualmente pelo cardiologista responsável pelo acompanhamento.
A boa notícia é que não existe motivo para abrir mão da emoção do futebol. Torcer faz parte da cultura brasileira, promove integração social e proporciona momentos de alegria que também contribuem para o bem-estar. O segredo está no equilíbrio.
Viver a Copa do Mundo com intensidade é perfeitamente possível. Para quem tem o coração saudável, a emoção costuma ser apenas mais um ingrediente da festa. Já para os cardiopatas, a recomendação é simples: torcer, vibrar e comemorar, mas sem esquecer dos cuidados que ajudam a proteger o coração dentro e fora dos gramados.
Prof. Dr. Carlos Alberto Pastore - CRM/24264 | RQE 69372
Cardiologia
Livre-docente pela FMUSP
Membro Brazil Health
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