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Esperança para membros em risco: a nova fronteira da terapia gênica
Publicado 14/04/2025 • 20:43 | Atualizado há 10 meses
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KEY POINTS
Viktors Duks/Pexels
A insuficiência arterial crônica periférica é causada pela obstrução progressiva das artérias das pernas e dos braços, o que reduz o fluxo de sangue para os tecidos. Trata-se de uma condição comum e que pode provocar complicações graves. Os sintomas variam desde dor ao caminhar até a chamada isquemia crítica — quando o sangue não leva oxigênio suficiente aos tecidos mesmo em repouso. Nesses casos mais graves, o metabolismo da região afetada entra em colapso, surgem dores constantes, feridas de difícil cicatrização, necroses e, em situações extremas, pode ser necessário amputar o membro.
Tratamentos convencionais ainda são a base
O principal objetivo da cirurgia vascular é restaurar o fluxo sanguíneo por meio da desobstrução das artérias. Isso pode ser feito com a colocação de enxertos, stents ou próteses internas. Quando bem-sucedido, esse tipo de procedimento melhora o aporte de sangue e alivia os sintomas da isquemia.
No entanto, em algumas pessoas, a anatomia ou o grau de obstrução impedem que essas soluções tradicionais sejam aplicadas. Nesses casos, as feridas tornam-se crônicas, a dor persiste e, muitas vezes, a amputação passa a ser a única alternativa viável para preservar a vida.
Avanços com medicina regenerativa e terapia gênica
É justamente nesses cenários críticos que surgem as terapias celulares e genéticas como uma possível saída para evitar amputações. Embora ainda em fase experimental, essas abordagens já mostram resultados promissores no estímulo à cicatrização de feridas e na regeneração de tecidos. A ideia é restaurar a função dos tecidos afetados, usando mecanismos naturais do próprio corpo — como a formação de novos vasos ou a regeneração celular — com a ajuda de células-tronco, engenharia de tecidos e biomateriais.
As células-tronco podem ser usadas com dois objetivos principais: estimular a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese) ou atuar diretamente na cicatrização de feridas isquêmicas. Já a engenharia de tecidos envolve o uso de células, materiais naturais ou sintéticos e substâncias bioativas para criar ou restaurar tecidos, cobrindo feridas e preenchendo áreas lesionadas.
A medicina regenerativa também tem mostrado resultados animadores em outras áreas, como doenças neurológicas, hematológicas e ortopédicas, principalmente em situações não relacionadas à isquemia. Mesmo assim, ainda são necessários avanços técnicos e científicos para garantir a segurança e eficácia desses tratamentos em larga escala.
O papel da terapia gênica
Outra frente de pesquisa é a terapia gênica, que utiliza genes específicos para estimular a formação de novos vasos em áreas com circulação comprometida. Já foram testados genes responsáveis por fatores de crescimento que atuam no revestimento dos vasos, no tecido conjuntivo e na resposta ao baixo nível de oxigênio. A intenção é melhorar a irrigação sanguínea das regiões afetadas e acelerar a cicatrização de feridas graves.
Desafios para que os avanços cheguem aos pacientes
Para que essas terapias se tornem realidade, é essencial entender profundamente como funcionam as células e os genes envolvidos, e dispor de uma estrutura complexa para pesquisa e produção. Isso inclui laboratórios especializados, bancos de sangue, salas limpas e centros de processamento e armazenamento de células.
Mesmo com os avanços, poucos medicamentos chegaram ao mercado até agora. Atualmente, apenas dois tratamentos de terapia gênica voltados para a formação de vasos sanguíneos foram aprovados — um na Rússia e outro no Japão —, o que mostra que ainda estamos nos estágios iniciais desse tipo de terapia. Hoje, apenas pacientes que participam de estudos científicos têm acesso a essas abordagens.
No entanto, com o avanço da ciência e a consolidação de evidências clínicas, essas terapias têm o potencial de se tornar alternativas eficazes para tratar a isquemia grave de membros, oferecendo esperança real para pacientes que antes não tinham outra opção além da amputação.
Dr. Nelson Wolosker – CRM 51701
Professor Titular da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein
Reitor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein
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