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O que ninguém te conta: por que as marcas vão decidir o futuro dos remédios
Publicado 19/08/2026 • 13:27 | Atualizado há 19 horas
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Publicado 19/08/2026 • 13:27 | Atualizado há 19 horas
Freepik
Poucas indústrias têm impacto tão direto na vida das pessoas quanto a farmacêutica. É um setor essencial, que pesquisa, desenvolve e garante acesso a tratamentos capazes de transformar e salvar milhões de vidas.
Sua influência também aparece nos números. Segundo o Sindusfarma, o Brasil está entre os seis e os oito maiores mercados farmacêuticos do mundo. Em 2025, pelas projeções da IQVIA, o mercado brasileiro alcançou R$ 180 bilhões, com crescimento de 12,1%, muito acima do esperado para o PIB brasileiro.
Ao apoiar marcas em lançamentos e processos de rebranding, fomos apurando nosso olhar para esse setor. Falar de branding na indústria farmacêutica é falar de responsabilidade: saúde, bem-estar, longevidade e confiança. Cada projeto exige rigor, sensibilidade e visão estratégica.
Mas o setor está mudando. A liderança já não se constrói apenas nos laboratórios, mas também nas expectativas dos consumidores, na experiência dos pacientes e na percepção de valor dos médicos. Quatro tendências ajudam a explicar essa transformação.
Leia também: O segredo por trás de líderes de alta performance que quase ninguém nota
Adesão ao tratamento é uma variável crítica: quanto mais complexa a experiência, maior o risco de interrupção da terapia. Menos doses, formatos amigáveis, uso intuitivo e formulações que minimizem efeitos adversos removem barreiras entre paciente e tratamento, favorecendo melhores resultados para o paciente e para o sistema de saúde.
A Inteligência Artificial começa a transformar diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Ao cruzar dados genéticos, históricos clínicos e padrões comportamentais, pode ampliar a personalização, aumentando a eficácia e reduzindo riscos. Seu maior potencial está no encontro entre high tech e high touch: ao assumir análises massivas de dados, a tecnologia libera profissionais para aquilo que nenhuma máquina substitui – olhar, escutar, acolher e decidir. A IA pode tornar o cuidado mais preditivo, personalizado e humano.
Vivemos uma transição: da busca por simplesmente estender a vida (lifespan) para o desejo de estendê-la com qualidade (healthspan). Isso aproxima a indústria farmacêutica do universo do consumo. O cuidado passa a ocupar espaço permanente na vida das pessoas, impulsionado pela ciência, por estilos de vida mais saudáveis e por novos concorrentes. Marcas antes focadas em tratamento avançam para territórios como vitalidade, prevenção, equilíbrio e performance. A indústria passa, assim, a participar da construção de uma vida melhor, não apenas do tratamento de doenças.
Com o fim das patentes, os genéricos ampliam a concorrência e reduzem custos. Campanhas que reforçam sua equivalência com medicamentos de referência também ampliam a confiança de médicos e pacientes. A ciência tende a se tornar mais acessível e, com produtos tecnicamente mais próximos, a marca se torna mais estratégica. A diferenciação migra para as percepções: qual marca inspira confiança? Qual laboratório tem maior reputação? Qual nome transmite segurança? Para fabricantes de referência, similares ou genéricos, construir uma proposta de valor relevante passa a ser necessidade.
Essas tendências mostram uma indústria em que ciência, tecnologia e consumo estão cada vez mais próximos. Quanto maior a paridade técnica entre produtos, maior a importância de construir significado, confiança e preferência. Nesse cenário, branding transforma ciência em valor percebido, tecnologia em experiência e tratamento em confiança.
Em um mercado onde a inovação se acelera e a ciência se democratiza, a força da marca pode transformar uma escolha técnica em uma escolha de confiança. Construir marcas fortes na indústria farmacêutica não é mais uma opção. É um imperativo estratégico para quem quer liderar o presente e construir relevância para o futuro.
Cecília Russo Troiano
CEO da Troiano consultoria
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