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Por que tantos líderes estão fazendo cirurgia facial sem ninguém perceber?

Publicado 31/05/2026 • 17:05 | Atualizado há 3 horas

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Na minha prática como cirurgiã plástica especializada em rejuvenescimento facial, percebo uma mudança clara nesse comportamento

De executivos a figuras públicas, a cirurgiã plástica Danielle Gondim explica por que a busca não é “rejuvenescer”, mas parecer mais descansado, lúcido e alinhado à própria energia no trabalho. 

Durante muito tempo, procedimentos estéticos faciais estiveram associados à transformação visível, muitas vezes marcada por exageros que acabavam comprometendo a naturalidade e até a identidade facial. Na minha prática como cirurgiã plástica especializada em rejuvenescimento facial, percebo uma mudança clara nesse comportamento. Cada vez mais, recebo pacientes que associam a decisão pela cirurgia não apenas a uma questão estética, mas também à forma como desejam ser percebidos profissionalmente. 

Quando a imagem vira parte do trabalho 

São pessoas que ocupam posições de alta exposição, como empresários, executivos, profissionais do mercado financeiro, lideranças públicas e outros perfis cuja imagem faz parte da comunicação cotidiana. Em muitos casos, a motivação não está relacionada a parecer mais jovem de forma artificial, mas a reduzir sinais que transmitem fadiga, exaustão ou envelhecimento incompatíveis com a energia e a presença que essas pessoas sentem ter. 

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Essa mudança reflete uma transformação mais ampla na forma como imagem e credibilidade se conectam. Em uma rotina marcada por videoconferências, entrevistas, eventos, apresentações institucionais e interações públicas permanentes, a comunicação não verbal ganhou peso adicional. O rosto comunica antes da fala. Expressa atenção, clareza, vitalidade, disponibilidade e até resistência ao desgaste. 

O que os números mostram sobre o “efeito cansaço” 

Não considero coincidência que o mercado global esteja se movendo nessa direção. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram crescimento consistente na demanda por procedimentos estéticos cirúrgicos, com destaque para intervenções faciais associadas ao rejuvenescimento. A blefaroplastia, por exemplo, foi o procedimento cirúrgico estético mais realizado no mundo em 2024, com mais de 2,1 milhões de intervenções. Embora esse seja apenas um dos procedimentos dentro do rejuvenescimento facial, ele ajuda a ilustrar um movimento maior: a atenção crescente aos sinais visíveis de desgaste facial. 

Na prática clínica, porém, a demanda raramente está concentrada em uma única estrutura anatômica. O que observo com frequência é a busca por melhora global da face, respeitando identidade, proporções naturais e expressão individual. 

A região dos olhos costuma ser uma das primeiras a evidenciar cansaço, mas não é a única. Flacidez facial, perda de contorno, queda de estruturas e sinais difusos de envelhecimento podem produzir uma imagem de desgaste que nem sempre corresponde ao estado real daquela pessoa. 

Naturalidade como “nova estética” da liderança 

Essa conversa também encontra eco em uma discussão econômica mais ampla. Neste ano, o Fórum Econômico Mundial reforçou o conceito de capital cerebral como ativo estratégico, destacando a importância da saúde cognitiva, clareza mental e capacidade de decisão em um ambiente profissional de alta exigência. Se a performance intelectual se tornou um ativo econômico, faz sentido que sinais externos associados ao desgaste também passem a influenciar a percepção profissional. 

Não existem dados públicos robustos que permitam afirmar quais setores procuram mais esse tipo de cirurgia, e qualquer generalização estatística seria inadequada. O que posso afirmar, a partir da experiência clínica, é que existe uma percepção crescente de que imagem e comunicação profissional se conectam de forma mais direta do que no passado. 

Essa mudança também acompanha a expansão da economia global do bem-estar. Segundo o Global Wellness Institute, o setor movimentou US$ 6,3 trilhões em 2023, impulsionado por longevidade, prevenção e qualidade de vida. Na minha leitura, a cirurgia facial também passou a integrar esse debate de forma diferente: menos como transformação estética e mais como reposicionamento da imagem de forma coerente com saúde, vitalidade e autenticidade. 

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A nova estética da liderança, portanto, não parece orientada pela artificialidade. O valor agora está na naturalidade: preservar a identidade, reduzir ruídos visuais de desgaste e alinhar aparência com presença, energia e credibilidade. 

Dra. Danielle Gondim – CRM 5386 | RQE 2143 

Cirurgiã plástica. Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica.

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