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Seus olhos estão acompanhando a sua rotina?
Publicado 19/06/2026 • 22:00 | Atualizado há 12 horas
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Publicado 19/06/2026 • 22:00 | Atualizado há 12 horas
Visão exige cuidados com o uso excessivo de telas. Oftalmologista explica causas da fadiga visual e o avanço da miopia em crianças
Computadores, celulares e tablets fazem parte da rotina de trabalho, estudo e lazer de milhões de pessoas. Em poucos anos, passamos a dedicar uma parcela significativa do dia a atividades que exigem atenção visual contínua e prolongada. Embora a tecnologia tenha facilitado inúmeras tarefas, esse novo padrão de comportamento também tem repercussões sobre a saúde dos olhos.
Nos consultórios oftalmológicos, tornou-se cada vez mais comum receber pacientes que relatam ardência, ressecamento, sensação de areia nos olhos, visão embaçada e dores de cabeça após longos períodos diante das telas. Muitas vezes, esses sintomas são encarados como uma consequência inevitável da rotina moderna. No entanto, eles podem indicar que os olhos estão sendo submetidos a uma carga de esforço maior do que conseguem tolerar confortavelmente.
Uma das explicações para esse desconforto está na forma como utilizamos a visão durante o uso de dispositivos eletrônicos. Quando estamos concentrados em uma tela, a frequência do piscar diminui de forma significativa. Como o ato de piscar distribui a lágrima sobre a superfície ocular e ajuda a manter os olhos protegidos e lubrificados, essa redução favorece o ressecamento e a irritação.
Além disso, a visão permanece durante horas ajustada para enxergar objetos próximos. Os músculos responsáveis pela acomodação visual trabalham continuamente para manter imagens nítidas, especialmente durante atividades como leitura, escrita, videoconferências e navegação em celulares. Com o passar do tempo, esse esforço pode resultar em fadiga visual, dificuldade para alternar o foco entre diferentes distâncias e sensação de peso ao redor dos olhos.
A chamada Síndrome da Visão Computacional reúne justamente esse conjunto de sintomas relacionados ao uso prolongado de telas. Embora não represente uma doença específica, ela está entre as causas mais frequentes de desconforto visual na atualidade.
Algumas medidas simples ajudam a reduzir essa sobrecarga. Fazer pausas regulares ao longo do dia, ajustar adequadamente a posição da tela, evitar reflexos excessivos e lembrar-se de piscar mais vezes são hábitos que podem trazer alívio significativo. A regra 20-20-20 também costuma ser útil: a cada 20 minutos, olhar durante cerca de 20 segundos para um ponto localizado a aproximadamente seis metros de distância.
Nem todo sintoma ocular está relacionado apenas ao excesso de telas. Quando a visão embaçada se torna frequente, quando as dores de cabeça se repetem ou quando o desconforto persiste mesmo após períodos de descanso, a avaliação oftalmológica é importante.
Em alguns casos, as queixas podem estar associadas a erros refrativos não corrigidos, síndrome do olho seco ou outras alterações que exigem tratamento específico. Além disso, exames oftalmológicos
periódicos permitem identificar doenças que costumam evoluir sem sintomas nas fases iniciais, como o glaucoma.
A consulta não serve apenas para verificar a necessidade de óculos. Ela permite uma avaliação completa da saúde ocular e oferece orientações individualizadas de acordo com a rotina e as necessidades de cada paciente.
Enquanto os adultos costumam procurar atendimento por sintomas relacionados à fadiga visual, outro fenômeno tem chamado a atenção dos especialistas: o crescimento dos casos de miopia entre crianças e adolescentes.
A predisposição genética continua sendo um fator importante, mas ela não explica sozinha o aumento observado nas últimas décadas. O maior tempo dedicado a atividades de perto, associado à redução das atividades ao ar livre, parece contribuir para esse cenário.
A exposição à luz natural desempenha um papel importante no desenvolvimento ocular durante a infância. Quando as crianças passam menos tempo em ambientes externos, aumenta o risco de progressão da miopia ao longo dos anos.
Essa preocupação vai além da necessidade de usar óculos. Graus elevados de miopia estão associados a um risco maior de complicações futuras, incluindo glaucoma, descolamento de retina e alterações da mácula.
Por esse motivo, recomenda-se que o uso de dispositivos eletrônicos seja equilibrado com brincadeiras ao ar livre, prática de esportes e outras atividades fora das telas. O objetivo não é afastar as crianças da tecnologia, mas incentivar hábitos que favoreçam um desenvolvimento visual saudável.
A tecnologia continuará ocupando um espaço importante em nossas vidas. O cuidado com a saúde ocular passa por reconhecer os limites do corpo, respeitar os sinais de desconforto e adotar hábitos que permitam utilizar esses recursos sem comprometer a qualidade da visão. Em uma rotina cada vez mais conectada, os olhos também precisam de atenção.
Dra. Renata Alves – CRM-SP 195416 | RQE 92111 Oftalmologista do Hospital CEMA
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