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Por que a credibilidade continua sendo o maior patrimônio de um médico

Publicado 11/06/2026 • 15:19 | Atualizado há 3 horas

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O avanço foi de 181.220 vínculos médicos e 320 mil odontológicos na comparação com setembro - Foto: reprodução Pexels

O cirurgião plástico Dr. Vinicius Camargo reflete sobre os desafios da profissão em tempos de exposição digital e defende que confiança, experiência e ética continuam sendo a base da relação com os pacientes

Depois de quase três décadas atuando como médico, tenho percebido uma mudança importante na forma como muitos profissionais enxergam suas carreiras. Quando iniciei minha trajetória, o reconhecimento era resultado de um processo relativamente simples de compreender, embora difícil de executar: estudar, trabalhar, adquirir experiência e conquistar a confiança dos pacientes ao longo do tempo.

Quando a visibilidade vira atalho

Hoje, essa lógica divide espaço com uma nova realidade. As redes sociais transformaram a maneira como nos comunicamos, nos posicionamos e somos percebidos pela sociedade. Não considero isso algo ruim. Pelo contrário. A comunicação se tornou mais acessível, o conhecimento pode alcançar mais pessoas e os médicos passaram a ter ferramentas valiosas para fortalecer suas carreiras.

Mas confesso que existe uma questão que me inquieta.

Tenho a impressão de que, em alguns momentos, a busca por visibilidade passou a ocupar um espaço maior do que deveria. Vivemos uma época em que alcance, curtidas e engajamento muitas vezes são interpretados como sinais de competência. E nem sempre são.

A autoridade verdadeira continua sendo construída da mesma forma que sempre foi: por meio do conhecimento, da experiência, da responsabilidade e da confiança conquistada diariamente. Nenhuma estratégia de comunicação é capaz de substituir isso.

Percepção não é qualificação

Ao mesmo tempo, também me preocupa observar profissionais sem a formação adequada ocupando espaços de destaque e se apresentando como especialistas em áreas que exigem anos de treinamento e dedicação. A exposição pode criar uma percepção de autoridade, mas percepção e qualificação são coisas diferentes.

Talvez por isso eu acredite que este seja um dos momentos mais desafiadores da medicina contemporânea. Não porque a profissão tenha mudado em sua essência, mas porque as distrações se tornaram mais numerosas.

Sempre defendi que médicos precisam entender de gestão, empreendedorismo e marketing. Escrevi livros e palestrei sobre isso inúmeras vezes.

Sim, consultórios precisam ser sustentáveis, equipes precisam ser lideradas e uma boa comunicação é fundamental. Ignorar essa realidade seria ingenuidade.

No entanto, existe uma linha que, na minha opinião, não pode ser ultrapassada. Quando o desejo por reconhecimento começa a influenciar decisões que deveriam ser exclusivamente técnicas e éticas, algo importante se perde no caminho. O paciente não pode se tornar um detalhe dentro de uma estratégia de crescimento profissional. Ele deve continuar sendo o centro de todas as decisões.

É justamente nesses momentos que os valores pessoais tendem a fazer diferença.

Os pilares que sustentam uma carreira respeitada

Ao longo da minha vida, aprendi que carreiras sólidas não são construídas apenas sobre talento ou oportunidades. Elas dependem de princípios. Sempre procurei orientar minha trajetória por quatro pilares que considero inegociáveis: determinação, dedicação, honestidade e lealdade.

Determinação para continuar evoluindo, mesmo quando os resultados demoram a aparecer. Dedicação para buscar excelência sem recorrer a atalhos. Honestidade para agir com transparência e assumir responsabilidades. E lealdade, não apenas com os pacientes, colegas e parceiros, mas também consigo mesmo.

A lealdade consigo mesmo talvez seja a mais difícil de todas. Ela exige coerência. Exige que nossas decisões estejam alinhadas com aquilo em que realmente acreditamos, mesmo quando seria mais fácil seguir outro caminho.

As transformações da medicina continuarão acontecendo, e isso é natural. Novas tecnologias surgirão, novas formas de comunicação aparecerão e o mercado seguirá mudando. Mas acredito que alguns fundamentos precisam permanecer intactos.

Acredito que, ao final da carreira médica, dificilmente seremos lembrados pelo número de seguidores que tivemos ou pelo alcance de nossas publicações. O que permanecerá na memória dos pacientes que confiaram suas vidas ao nosso trabalho será a confiança que inspiramos, os valores que preservamos e a forma como impactamos a vida das pessoas.

Visibilidade pode ser conquistada rapidamente. Credibilidade, não. Ela exige tempo, coerência e caráter. E continua sendo, na minha visão, o patrimônio mais valioso que um médico pode construir.

Dr. Vinicius Camargo – CRM-PR 19651 / RQE 54456 - Médico cirurgião plástico

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