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Exposição de Portinari na China mostra a força do soft power brasileiro

Publicado 20/05/2026 • 17:30 | Atualizado há 16 minutos

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

A arte brasileira pode ser uma poderosa ferramenta diplomática. Sessenta obras originais de Candido Portinari vão ocupar as galerias do Museu Nacional da China, em Pequim, de 9 de junho a 10 de outubro. Durante quatro meses, mais de 4 milhões de visitantes são esperados no segundo museu mais visitado do mundo, atrás apenas do Louvre.

“O Brasil de Portinari” chega à Ásia com peso institucional e simbólico raro. A iniciativa reúne patrocínio master da Petrobras via Lei de Incentivo à Cultura, apoio dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, da Embratur, do Grupo Pátria Investimentos e do Escritório Veirano. E traz à frente João Candido Portinari, filho único do artista e fundador do Projeto Portinari, conduzindo pessoalmente a curadoria das obras que farão essa travessia pelo Pacífico.

A escolha da China não é casual. Em 2025, o intercâmbio bilateral Brasil-China atingiu o recorde histórico de US$ 171 bilhões, mais que o dobro do volume negociado com os EUA no mesmo período. A China já responde por 27,2% de toda a corrente comercial do Brasil e é o principal parceiro do país desde 2003.

Empresas chinesas acumulam mais de US$ 77 bilhões em projetos brasileiros desde 2007. É nesse contexto econômico e diplomático que Portinari chega a Pequim como o mais eloquente embaixador cultural que o Brasil poderia enviar.

A exposição integra o “Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China 2026”, agenda bilateral prevista na Declaração Conjunta sobre a Comunidade de Futuro Compartilhado, e funciona como o evento-âncora de uma programação que inclui ainda a Ocupação Brasil no Distrito Criativo 798, o Festival Internacional de Forró Raiz e a participação brasileira como convidada de honra no China Shanghai International Arts Festival.

O percurso da mostra é dividido em duas partes. A primeira reúne os 60 originais organizados em quatro núcleos temáticos: a infância e o lirismo afetivo de Brodowski; o drama social dos retirantes e trabalhadores rurais; as festas populares, o carnaval e o sincretismo religioso; e, por fim, o processo criativo do artista, dos esboços às grandes telas.

A segunda parte traz a curadoria de Marcello Dantas em uma experiência imersiva monumental, com projeções dos grandes temas portinarianos que transformam o espaço físico em algo sensorial e coletivo.

O que a exposição demonstra vai além da arte. Ela revela que cultura é estratégia e que soft power pode ser uma poderosa ferramenta diplomática. Quando João Candido afirma que seu pai “pintava a condição humana com tintas brasileiras”, ele enuncia exatamente o que diferencia Portinari de qualquer outro ativo cultural que o Brasil poderia projetar no exterior: uma obra que é profundamente local e ao mesmo tempo universalmente reconhecível.

A chegada ao Museu Nacional da China coincide com o Fórum Global de Diretores de Museus, reunindo em Pequim os principais nomes do setor mundial. Difícil imaginar vitrine maior. A arte de Portinari, que em 1957 o poeta Rafael Alberti já queria levar ao povo chinês, finalmente cumpre esse destino. Com 65 anos de atraso,mas com todo o impacto que o momento pede.​​​​​​​​​​​​​​​​

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