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Cachorro Grande volta aos palcos apostando no bom rock e nostalgia dos fãs

Publicado 17/04/2026 • 14:30 | Atualizado há 3 horas

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

O anúncio da volta da banda gaúcha Cachorro Grande aos palcos é mais um capítulo de uma história que já virou tese no mercado de entretenimento brasileiro: a nostalgia, quando bem produzida, é um negócio extraordinariamente lucrativo.

A banda se apresenta nessa sexta, 17, no Cine Joia, em São Paulo, com a formação clássica (Beto Bruno, Marcelo Gross, Gabriel Azambuja e Pedro Pelotas), e traz de volta a intensidade e a identidade mod que a definiu desde sua fundação em Porto Alegre, em 1999. O álbum As Próximas Horas Serão Muito Boas, lançado de forma independente encartado na revista OutraCoisa em 2004, e o Pista Livre, gravado em fita de rolo e mixado em Abbey Road, são marcos de uma trajetória que resistiu ao tempo.

O retorno da Cachorro Grande, no entanto, não é apenas um evento cultural. É também um dado de mercado, com lógica e estratégia bem definidas. Nos últimos anos, o rock brasileiro descobriu que a economia da nostalgia é sinônimo de sucesso. O público que tinha 15 anos em 1997 tem hoje cerca de 45, está no auge da sua capacidade de consumo e busca experiências, não produtos. O streaming ajudou a revelar e monetizar essa demanda reprimida. O resultado: shows esgotados, turnês nacionais e produções com ambição crescente.

O caso mais emblemático dos últimos anos é o dos Titãs. Em 2023, Arnaldo Antunes, Branco Mello, Charles Gavin, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto se reuniram para uma turnê pela primeira vez em 30 anos no projeto Titãs Encontro, produzido pela 30e.

O plano inicial era fazer 10 shows, mas a demanda fez aumentar o número para mais de 20 apresentações. O grupo se tornou o primeiro nome da música brasileira a realizar seis shows no Allianz Parque com ingressos esgotados, reunindo mais de 300 mil pessoas só em São Paulo. A estimativa é de que a turnê completa tenha chegado perto de 1 milhão de pagantes. O encerramento aconteceu no Lollapalooza Brasil de 2024, e já há conversas para celebrar os 30 anos do Acústico MTV em 2027.

Não foi caso único. O NX Zero retornou em 2023 com a turnê Cedo ou Tarde, reunindo Di Ferrero, Caco Grandino, Daniel Weksler, Fi Ricardo e Gee Rocha após um hiato que começou em 2017. Encerrou o ciclo com dois shows históricos no Allianz Parque em dezembro, e ainda voltou com a tour Um Pouco Mais e apresentações no Rock in Rio 2024. A lógica era simples: uma geração inteira de fãs cresceu ouvindo Cedo ou Tarde e Razões e Emoções e estava disposta a pagar para rever aquela formação específica, naquele estágio exato de intensidade emocional.

O Raimundos gerou uma das turnês mais lucrativas do rock nacional recente, com datas esgotadas em múltiplas cidades. A série documental Andar da Pedra, sobre a trajetória dos Raimundos, prova que o público não quer apenas o show, mas voltar àquele passado inteiro. O Detonautas e o CPM 22 reativaram carreiras com sucesso comercial.

A 30e, fundada em 2021 com aporte de R$ 400 milhões do fundo Flowinvest, entendeu essa equação antes de muita gente e se especializou em transformar reuniões em eventos monumentais. Natiruts, Forfun e o recém-anunciado retorno do Kid Abelha completam esse painel. Apostar na memória, como esses shows lotados demonstram, é um ótimo negócio.

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