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Livraria Leitura anuncia expansão e chegará a 140 lojas no Brasil

Publicado 23/06/2026 • 11:02 | Atualizado há 4 horas

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

Livraria Leitura

Reprodução: Livraria Leitura

Livraria Leitura anuncia expansão e chegará a 140 lojas no Brasil, com novas unidades entre julho e outubro

Nesses tempos em que se discute se as telas vão acabar com os livros, a Livraria Leitura planeja uma expansão ambiciosa pelo país. A rede vai alcançar o expressivo número de 140 lojas no Brasil até o fim do próximo semestre. Quatro novas unidades entram em operação entre julho e outubro, em Manaus, Recife, Cabo Frio e São Luís. O movimento confirma que uma empresa dedicada a um setor cultural considerado tradicional pode crescer mesmo num mercado dado como ameaçado pelo digital.

O conceito da Livraria Leitura é simples de descrever e difícil de copiar. Espaços grandes, mix variado de livros, papelaria, mangás, HQs, jogos educativos e colecionáveis. Cada loja funciona como ponto de encontro, não apenas como um ponto de venda.

Rafael Martinez, Head de Marketing da rede, afirma que “o objetivo é criar conexão, não apenas transação”. Esse raciocínio explica boa parte do sucesso da rede. Livraria deixou de competir só com e-commerce e passou a competir com cafeterias, cinemas, parques. Compete pelo tempo livre da audiência, não apenas pelo bolso.

O pano de fundo ajuda. Ironicamente, o BookTok trouxe uma geração inteira de volta ao hábito de comprar livro físico, inclusive como objeto estético. Some a isso o "analog wellness", tendência que valoriza desconexão digital e contato com objetos tangíveis. O resultado aparece em número, uma vez que o setor editorial brasileiro faturou mais de R$ 3 bilhões em 2025, maior marca dos últimos anos.

Livro virou item de desejo, peça de decoração e símbolo de identidade, para públicos de todas as idades. Produtos como Moleskines inspirados em autores e cadernos temáticos ajudam a ampliar o ticket médio e fidelizar um público colecionador, que compra por afeto e desejo, não só por necessidade.

Do ponto de vista financeiro, o resultado também tem sido positivo. Mais de 70% das vendas vêm de livros; 23% de papelaria e o resto de itens correlatos, como jogos e presentes. Foram vendidos 13,2 milhões de livros em 2025, com projeção de 13,6 milhões de títulos para o próximo ciclo. Em 2024, a rede fechou o ano com R$ 770 milhões em receita. Estimativas de mercado, não confirmadas pela empresa, apontam que o faturamento se aproxima de R$ 1 bilhão.

A Leitura nasceu pequena e quase por acaso. Em 1967, os primos Emídio e Lúcio Teles, ambos com 16 anos, abriram um sebo na Galeria Ouvidor, em Belo Horizonte, vendendo livros usados doados por amigos e família. Chamaram o negócio de Lê, junção das iniciais dos dois. A loja vingou, ganhou sócios, chegou a virar editora e, em 1975, adotou o nome que carrega até hoje. O comando passou de Emídio para o irmão Gervásio e, depois, para Marcus Teles, que entrou como office boy em 1979 e assumiu a frente da empresa em 1988.

Filho de um fazendeiro (que também era poeta) e de um professora, Marcus Teles cresceu em uma família de 15 irmãos. Sob seu comando, a Leitura deixou de ser uma livraria mineira e se tornou a maior rede física do país, crescendo justamente no espaço aberto pela falência de gigantes como Saraiva e Livraria Cultura.

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