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Séculos após sua morte, Shakespeare continua atual. E muito lucrativo

Publicado 27/01/2026 • 22:23 | Atualizado há 1 uma semana

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

KEY POINTS

  • Mais de 400 filmes foram inspirados em obras de William Shakespeare, e adaptações recentes seguem gerando retornos relevantes: Hamnet (2025) já arrecadou mais de US$ 42 milhões com orçamento de US$ 30 milhões, enquanto Todos Menos Você (2024) faturou US$ 220 milhões com orçamento de US$ 25 milhões.
  • No teatro, estimam-se mais de 1.700 produções anuais no mundo; apenas o Shakespeare’s Globe arrecadou £13,5 milhões em bilheteria na temporada 2024/2025, enquanto uma nova montagem de O Mercador de Veneza já levou mais de 12 mil espectadores no Brasil.
  • Mesmo em domínio público, a obra do dramaturgo segue expandindo valor econômico em múltiplas mídias — do cinema ao teatro e aos games — consolidando Shakespeare como um ativo cultural de retorno consistente.

Dan Stulbach volta em cartaz com O Mercador de Veneza

Foto: Ronaldo Gutierrez

William Shakespeare morreu em 1616, mas permanece mais vivo do que nunca como referência no mercado cultural mundial. Seu legado não se limita às reedições de seus livros: são incontáveis as adaptações de suas obras para o cinema, o teatro e outras mídias.

No cinema, por exemplo, clássicos e adaptações livres de Shakespeare inspiraram mais de 400 filmes, criando valor cultural — e financeiro — para todos os envolvidos.

A cada temporada, adaptações clássicas e reinvenções modernas confirmam: Shakespeare “não vai embora” — e continua sendo uma aposta lucrativa. O sucesso de Hamnet (2025), dirigido por Chloé Zhao, é a prova mais recente.

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Com um orçamento de US$ 30 milhões, o filme já faturou mais de US$ 42 milhões, valor que pode crescer ainda mais caso conquiste uma ou mais estatuetas: foram oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.

Outro exemplo é a comédia romântica Todos Menos Você (2024), inspirada em Muito Barulho por Nada. Com orçamento de US$ 25 milhões, faturou US$ 220 milhões, demonstrando que as narrativas shakespearianas continuam a atrair grandes públicos.

Essa lógica se aplica também ao teatro em todo o mundo. Estimam-se mais de 1.700 produções anuais e dezenas de milhares de apresentações. O Shakespeare’s Globe, instituição dedicada à obra do bardo britânico, arrecadou £13,5 milhões em bilheteria apenas na temporada 2024/2025.

No Brasil, uma nova montagem de O Mercador de Veneza, em cartaz no Teatro Tucarena, em São Paulo, já foi vista por mais de 12 mil pessoas. A produção esgotou ingressos nas temporadas no Rio de Janeiro, Recife e Curitiba. Dan Stulbach interpreta o agiota Shylock, papel que já teve versões de Al Pacino, Laurence Olivier e Pedro Paulo Rangel. Sob a direção de Daniela Stirbulov, a montagem transporta a história da Itália do século XVI para um cenário contemporâneo.

“Lidar com os desafios shakespearianos é abrir espaço para o risco, para o confronto com o que somos — e com o que podemos ser. E expandir o entendimento sobre a vida: as relações humanas em sua complexidade e contradições. Vilões e heróis se confundem nas máscaras sociais. A obra, atravessada por tensões religiosas e preconceitos, nos confronta sobre intolerância, identidade e justiça — temas tão atuais quanto no tempo em que foi escrita”, afirma Stirbulov.

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Não há estimativa sobre a venda de livros com suas obras, já que elas caíram em domínio público. Mas Shakespeare vai muito além da literatura: cinema, teatro e até mídias digitais comprovam seu alcance. O documentário Grand Theft Hamlet (2024), por exemplo, inovou ao ser inteiramente gravado dentro do mundo virtual do videogame Grand Theft Auto Online.

Do ponto de vista cultural, o valor do dramaturgo britânico é indiscutível. Mas economicamente, Shakespeare também é sinônimo de retorno seguro: suas histórias continuam a render bilheterias expressivas, lotar salas de teatro e inspirar novas narrativas, provando que, séculos depois, o nome Shakespeare ainda é garantia de lucro.

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