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O luxo além dos padrões: representatividade, novos espaços e o reconhecimento através do Prêmio Preta Gil
Publicado 06/11/2026 • 14:29 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 06/11/2026 • 14:29 | Atualizado há 1 hora
O mercado de luxo sempre soube construir exclusividade. Mas, durante muito tempo, também ajudou a consolidar uma imagem bastante limitada de quem poderia representar esse universo. Na moda, na publicidade e na comunicação, determinados padrões de beleza, raça e corpo foram tratados quase como requisitos para ocupar espaços de prestígio.
Essa realidade vem sendo questionada por mulheres que, com suas trajetórias, desafiam convenções e ampliam as referências de beleza, competência e autoridade. E foi justamente o reconhecimento dessas mulheres que marcou a quinta edição do Evento
B.O.D.Y., idealizado por Ju Ferraz e realizado no Hotel Unique, em São Paulo no ultimo sábado, reunindo quase 3 mil mulheres.
O encontro reuniu personalidades de diferentes áreas para discutir diversidade, representatividade e liberdade dos corpos, saúde mental, economia e esportes. E um dos momentos mais importantes foi a entrega do Prêmio Preta Gil Para Vozes Que Transformam Gerações.
A homenagem reconhece mulheres que movem o mundo e abrem caminhos para outras, dando continuidade ao legado de Preta Gil e celebra a atuação em prol da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres. Preta teve uma importância particular nessa discussão. Mulher negra, de corpo fora dos padrões tradicionalmente valorizados pela indústria da beleza, ela construiu uma carreira de enorme visibilidade sem abrir mão de sua identidade.
Ao longo dessa trajetória, enfrentou preconceitos, questionou convenções e ajudou a ampliar o debate público sobre liberdade, autoestima e o direito de cada mulher existir como é. O prêmio que leva seu nome reconhece justamente mulheres que transformam essas discussões em trabalho, iniciativas e mudanças concretas.
Entre as homenageadas desta edição esteve Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, reconhecida por sua atuação dedicada a educação e a liberdade feminina. Letticia Munniz foi homenageada por sua atuação na comunicação em favor da pauta
feminina, enquanto a atriz Gabriela Loran também integrou o grupo de mulheres reconhecidas por suas contribuições à ampliação da diversidade e da pluralidade de representações.
E, nesta edição, eu também tive a honra de receber o prêmio, pelo meu trabalho desenvolvido ao longo dos anos em favor do movimento body positive brasileiro e mundial, da moda inclusiva e da liberdade dos corpos, além de levar diversidade corporal e racial ao mercado de luxo, ocupando um espaço originalmente negado a mulheres como eu e com minha origem.
Existe uma relação muito importante entre esse reconhecimento e o trabalho que eu trago aqui no Classe & Estilo. E essa relação passa por uma decisão do Times Brasil que considero especialmente significativa. Quando o canal escolheu uma mulher negra, de corpo fora dos padrões convencionais, para ser responsável pela cobertura do mercado de luxo, fez uma escolha que contrariou
estereótipos historicamente associados a esse setor.
Durante décadas, a imagem de autoridade no luxo esteve vinculada a referências muito específicas de aparência e pertencimento.
O Times Brasil reconheceu minha trajetória profissional, minha experiência e meu conhecimento sobre o mercado, sem reproduzir essas limitações. E isso merece ser celebrado como uma escolha de visão e pioneirismo na maneira de comunicar o luxo.
Porque a representatividade também está em quem tem voz para analisar os negócios, interpretar tendências, entrevistar executivos e participar das conversas que ajudam a definir os rumos de um setor. E existe uma questão comercial diretamente ligada a essa mudança.
O mercado de luxo atende consumidores com diferentes histórias, identidades, idades e corpos. Entretanto, essa diversidade nem sempre está refletida na oferta de produtos, nas campanhas ou na experiência de compra.
Uma consumidora pode ter poder aquisitivo para comprar uma peça de uma grife internacional e, ainda assim, não encontrar seu tamanho. Pode se identificar com os valores de uma marca, mas não se reconhecer nas imagens que ela apresenta.
Para empresas que investem tanto em atendimento personalizado, relacionamento e experiência, essa distância entre o discurso e a realidade merece atenção. A inclusão também é uma questão de conhecimento do consumidor, de desenvolvimento de produto e de estratégia de negócios.
E é por isso que a presença de diferentes vozes na comunicação especializada importa. Ela amplia as perguntas que fazemos e os aspectos do mercado que escolhemos investigar.
Receber o Prêmio Preta Gil, portanto, tem para mim um significado que vai além do reconhecimento individual. Ele se conecta a uma trajetória profissional e a uma discussão que também encontra espaço nesta emissora. Quero agradecer à Ju Ferraz, pela criação do B.O.D.Y. e pela iniciativa de manter vivo o legado de Preta Gil por meio do reconhecimento de outras mulheres.
E quero fazer um agradecimento especial ao Times Brasil, pela confiança e pela escolha de valorizar minha experiência profissional em um espaço no qual a diversidade ainda precisa avançar mais, mas que aqui existe espaço.
O legado de Preta Gil nos lembra da importância das mulheres que abriram caminhos antes de nós. E este prêmio reconhece aquelas que continuam ampliando esses caminhos para as próximas gerações.
É uma alegria compartilhar esse reconhecimento aqui, no Classe & Estilo, onde seguimos acompanhando o mercado de luxo, seus negócios e as transformações da sociedade que também fazem parte de sua história.
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