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Empresas de criptomoedas tentam deixar ciclo de hype para buscar receitas mais estáveis
Publicado 03/06/2026 • 19:30 | Atualizado há 1 hora
Empresas de criptomoedas tentam deixar ciclo de hype para buscar receitas mais estáveis
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Publicado 03/06/2026 • 19:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
As empresas de criptomoedas passaram anos monetizando a volatilidade do mercado, mas agora tentam sobreviver sem ela.
Os resultados do primeiro trimestre reforçaram que a era dos ganhos fáceis e dos retornos impulsionados pelo hype no setor cripto está perdendo força. Com a queda nos preços do bitcoin e do ether, a demanda especulativa diminuiu, enquanto investidores reduziram exposição a ativos de risco diante das incertezas macroeconômicas. A desaceleração apareceu nos balanços das companhias abertas, com exchanges, corretoras e empresas financeiras do setor reportando receitas mais fracas com transações e staking, além de menor atividade dos clientes.
Isso não é novidade para Coinbase e Robinhood, para as quais o trading já foi o principal motor das plataformas. Ambas trabalham há anos para diversificar receitas, expandindo suas ofertas de serviços financeiros.
Mas até empresas menos dependentes de negociação continuam inseridas em uma indústria marcada pelos ciclos de alta e baixa das criptomoedas. E os balanços do primeiro trimestre – especialmente das companhias que abriram capital no ano passado – mostraram uma urgência maior em provar que conseguem gerar receita consistente mesmo em períodos de baixa nos preços e nos volumes negociados.
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“Durante muitos anos, os investidores surfaram nessa onda de loucura das criptomoedas… era um novo caminho para as pessoas negociarem”, afirmou Vassilis Tziokas, vice-presidente de crescimento da Matter Labs, à CNBC. “Mas agora estamos vendo as criptomoedas se tornarem algo maior, algo integrado à economia real, o que significa que as pessoas têm expectativas maiores sobre essas empresas. Elas precisam diversificar receitas e expandir operações para novos segmentos adjacentes”, acrescentou.
A Robinhood abriu a temporada de balanços do setor cripto registrando forte frustração, após a receita com negociações de criptomoedas despencar 47%. Ao mesmo tempo, a atividade dos usuários migrou para outros produtos – especialmente contratos de eventos – impulsionando essa divisão em 320% na comparação anual e gerando receita de US$ 147 milhões (R$ 737,9 milhões).
Da mesma forma, embora a Coinbase tenha divulgado resultados abaixo das expectativas em receita e lucro, a empresa registrou crescimento relevante em ofertas diversificadas, incluindo contratos de eventos, derivativos cripto – que avançaram 169% em relação ao mesmo período do ano anterior – e commodities tokenizadas.
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“Estamos tentando diversificar os ativos que as pessoas podem negociar para que, conforme os mercados e os comportamentos mudem, sempre exista algo que os clientes queiram negociar”, afirmou à CNBC a diretora financeira da Coinbase, Alesia Haas. Segundo ela, “essa diversificação vai ajudar a reduzir parte da volatilidade que vimos em operações puramente ligadas ao trading de criptomoedas”.
A Gemini, exchange fundada pelos irmãos Winklevoss, também está priorizando a estabilização das receitas, tradicionalmente muito ligadas aos preços das criptomoedas. Para isso, a empresa vem expandindo operações em previsões, derivativos e, em breve, ações, além de ampliar sua própria infraestrutura financeira.
A companhia também informou crescimento anual de 292% na receita vinculada ao seu cartão de crédito para consumidores.
O objetivo é migrar “de uma empresa exclusivamente focada em criptomoedas para uma companhia mais conectada aos mercados em geral… algo que deve suavizar nossa receita em algum nível”, afirmou à CNBC o presidente da Gemini, Cameron Winklevoss. Segundo ele, “se uma classe de ativos estiver com desempenho pior do que outra, isso ajuda a equilibrar os resultados e oferecer uma abordagem mais indexada entre diferentes ativos”.
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As ações dispararam após um balanço mais positivo do que o de concorrentes e também após o anúncio de um investimento de US$ 100 milhões (R$ 502 milhões) voltado a essa estratégia futura.
A Bullish é outra companhia tentando enfrentar dificuldades de receita por meio de expansão. A aquisição planejada da agente de transferências global Equiniti, em um negócio de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,1 bilhões), está entre as maiores operações de fusões e aquisições da história do setor cripto.
Com a operação, a companhia tenta se posicionar como uma empresa de infraestrutura de mercados de capitais, e não apenas como uma exchange de criptomoedas. As ações subiram após o anúncio da aquisição, mas perderam força posteriormente depois da divulgação de resultados abaixo das expectativas.
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Embora a Circle esteja mais protegida da volatilidade do trading, a empresa continua exposta ao ciclo das criptomoedas, que ainda influencia o uso, a liquidez e a adoção da stablecoin USDC. A companhia reportou um trimestre forte, mas foi sua blockchain Arc — um sistema operacional voltado para a economia baseada em inteligência artificial autônoma – que mais chamou atenção do mercado, reduzindo preocupações sobre a sustentabilidade de longo prazo da empresa como emissora de stablecoins.
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Seguir no GoogleAs ações da Circle avançaram cerca de 20%, e até analistas mais cautelosos elevaram seus preços-alvo para os papéis.
Mesmo empresas de tesouraria cripto – companhias abertas cuja função principal é comprar grandes quantidades de criptomoedas para oferecer exposição aos acionistas – continuam estruturalmente ligadas aos ciclos do mercado.
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A Strategy, de Michael Saylor, deu o exemplo mais claro disso ao abandonar parcialmente a estratégia de “nunca vender” bitcoin em favor de uma postura mais próxima da gestão ativa de ativos. A mudança foi anunciada durante a teleconferência de resultados, depois de a empresa registrar prejuízo líquido de US$ 12,5 bilhões (R$ 62,8 bilhões) devido à queda do bitcoin.
“Vamos vender bitcoin quando isso for vantajoso para a companhia”, afirmou o presidente e CEO da Strategy, Phong Le. “Não vamos simplesmente ficar sentados dizendo: ‘Nunca venderemos bitcoin’”, acrescentou.
Em mercados de alta, a estratégia da empresa de emitir ações ou captar recursos para comprar mais bitcoin pode parecer eficiente. Mas em períodos de baixa, esse modelo se torna mais arriscado e aumenta a preocupação de investidores.
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Nos resultados da Sharplink, companhia focada em acumulação de ether, a empresa repetiu o mesmo discurso ao anunciar que contratou a Galaxy Digital para ajudar na alocação de parte do capital em estratégias on-chain geridas ativamente.
Wall Street reagiu positivamente ao que analistas classificaram como uma abordagem “disciplinada” e “diferenciada” em um momento em que empresas tentam desvincular os retornos dos investidores dos períodos de menor atividade do mercado.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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