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Eleições 2026

Eleitor indeciso e abstenção podem definir disputa apertada, diz Mateus Netzel, diretor do PoderData

Publicado 15/10/2026 • 16:24 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Mateus Netzel avalia que reação do eleitorado de Lula reduziu diferença para Flávio Bolsonaro e mantém segundo turno em empate técnico.
  • Diretor do PoderData/Aya aponta que abstenções, migração de votos e decisões de última hora terão peso na eleição presidencial.
  • Entrevistado destaca possível impacto da escala 6x1 e dos debates, especialmente pela repercussão de trechos nas redes sociais.

A capacidade de mobilizar eleitores que não votaram no primeiro turno e conquistar quem ainda pode mudar de escolha será decisiva na disputa presidencial, afirmou Mateus Netzel, diretor executivo do PoderData/Aya, em entrevista nesta quinta-feira (15) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

O levantamento mais recente do instituto aponta Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva com 49%, resultado que representa empate técnico diante da margem de erro de 1,8 ponto percentual. A diferença era de seis pontos na pesquisa anterior.

Leia também: Pesquisa PoderData/Aya mostra Flávio com 51% e Lula com 49%

“O que a gente tem agora é um empate técnico com o Flávio Bolsonaro ainda herdando esse movimento das urnas do primeiro turno à frente. E agora o que a gente está tentando medir com as pesquisas é qual vai ser o tamanho dessa reação e até onde vai essa reação da campanha do presidente Lula”, disse.

Reação e escala 6×1

A recuperação do presidente, explicou Netzel, ocorreu após a primeira rodada do segundo turno, quando o resultado das urnas havia impulsionado o eleitorado de Flávio. A diferença caiu de seis para dois pontos percentuais entre as duas pesquisas.

“A primeira pesquisa que apareceu, que a gente publicou logo após a votação do primeiro turno, teve uma vantagem maior para o Flávio. Mas agora a pesquisa mais recente já mostra que a campanha do Lula se reorganizou e está conseguindo energizar seus eleitores”, afirmou.

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 é outro fator observado pelo instituto. Para Netzel, os efeitos políticos da votação da PEC poderão aparecer nas próximas rodadas de intenção de voto.

Leia também: Flávio tem 53% contra 47% de Lula em levantamento anterior

“Em teoria, é uma notícia muito positiva para a campanha do presidente Lula, que já vinha reagindo e agora vai ter mais combustível para continuar movimentando a sua base, o seu eleitorado. Agora, a gente precisa ver se será suficiente para ele empatar também numericamente ou eventualmente até virar”, avaliou.

O peso da abstenção

O diretor destacou que, com as candidaturas fortemente polarizadas, a parcela de eleitores disposta a mudar de lado é menor do que no primeiro turno, mas pode determinar o resultado.

“Como a margem está muito apertada, tudo vai entrar na conta: as abstenções, em que local as abstenções vão ser maiores, a capacidade de mobilização da campanha do presidente Lula em relação a quem não votou nele no primeiro turno e a transferência de votos dos candidatos que não passaram para o segundo turno”, declarou.

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Na análise das abstenções, Netzel chamou a atenção para a dificuldade de identificar quem deixará de votar. Ele comparou a abstenção próxima de 20% nas eleições com os 4% a 5% que costumam declarar em pesquisas que não irão às urnas.

“As pessoas que não vão votar geralmente não respondem na pesquisa que não vão votar. Tem uma discrepância muito grande, acaba sendo muito difícil realmente medir qual é o perfil dessa pessoa”, explicou.

Segundo o entrevistado, a participação no Nordeste já foi mais elevada no primeiro turno, enquanto estados do Sudeste e Centro-Oeste apresentaram mais abstenções. Isso cria desafios distintos para a mobilização das campanhas.

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“No Nordeste, por exemplo, que é onde o Lula ganha com as maiores vantagens, ele já teve os menores índices de abstenção. A média nacional foi de 20%, tivemos estados no Nordeste com 17%, 18%. Os estados com nível de abstenção mais alto foram os do Sudeste e Centro-Oeste”, afirmou.

Debates e redes sociais

Sobre os debates presidenciais, o executivo considerou que a televisão já não tem a mesma influência de eleições anteriores, embora um desempenho ruim possa pesar em uma disputa estreita.

“Numa eleição tão apertada, um bom desempenho, mas principalmente um mau desempenho de algum dos dois candidatos num debate pode ser decisivo para esse eleitor que ainda tem uma chance de oscilar de um lado para outro”, ponderou.

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Netzel também observou que o efeito dos debates se prolonga nas plataformas digitais, já que os candidatos preparam declarações pensando nos cortes e nas publicações que circularão posteriormente.

“Até a maneira de falar, de argumentar, de apresentar os seus pontos nos debates e nos programas televisivos, nas sabatinas, os candidatos são treinados para fazer certas coisas já pensando no uso que isso vai ter nas redes sociais. Isso muda a própria dinâmica do debate”, concluiu.

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