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El Niño pode agravar pressão sobre produtores já endividados, diz Kátia Abreu
Publicado 24/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O avanço do El Niño pode aumentar a pressão sobre produtores rurais brasileiros que já enfrentam endividamento e inadimplência, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e o Nordeste. Para Kátia Abreu, ex-ministra da Agricultura e ex-senadora, a baixa cobertura de seguro agrícola deixa o setor mais vulnerável às perdas provocadas por eventos climáticos.
Segundo Kátia, o cenário climático pode afetar a produção agrícola e a geração de energia, enquanto produtores já enfrentam dificuldades financeiras.
Kátia citou uma taxa de inadimplência de 7,4% entre produtores rurais, atribuída por ela a dados do Banco Central. O percentual estaria bem acima da média histórica de 1,8% mencionada pela entrevistada.
“Historicamente, a inadimplência do setor agropecuário não passa de 1,8% em média. Então nós estamos com 7,4% de inadimplência”, afirmou.
Segundo Kátia, parte da dificuldade financeira está relacionada ao aumento do endividamento em um período de dólar mais valorizado e custos menores. Posteriormente, a moeda americana perdeu valor, enquanto despesas de produção permaneceram pressionadas, na avaliação dela.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico e altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo.
Na avaliação da ex-ministra, o fenômeno pode produzir efeitos distintos dentro do próprio Brasil. Enquanto o Sul tende a receber condições mais favoráveis, Centro-Oeste, Matopiba, Norte e Nordeste podem enfrentar maior irregularidade nas chuvas.
Para a agricultura, o problema não está apenas na quantidade de precipitação, mas na falta de regularidade durante o ciclo produtivo. “O risco de tudo é que 47% da safra de soja no Brasil está no Centro-Oeste, quase a metade, onde tem um risco eminente”, disse.
O dado sobre a participação do Centro-Oeste na produção de soja deve ser confirmado em fontes oficiais antes da publicação.
Leia também: Agro brasileiro está mais preparado para enfrentar os impactos do ‘Super El Niño’, diz especialista
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Siga o Times | CNBCAlém do agronegócio, Kátia afirmou que eventos climáticos extremos podem afetar o setor de energia em países dependentes da geração hidrelétrica. Ela citou episódios de seca na Colômbia que teriam contribuído para problemas no abastecimento de eletricidade.
Para Kátia, a vulnerabilidade do produtor brasileiro é agravada pela baixa cobertura do seguro rural. Segundo ela, apenas 3,3% da produção brasileira estaria segurada.
A ex-ministra comparou o cenário brasileiro com outros mercados. Segundo os números citados na entrevista, os Estados Unidos teriam cobertura de aproximadamente 90% dos principais produtos agrícolas, enquanto a China chegaria a 70% e a Espanha teria cobertura entre 40% e 90%.
Os percentuais precisam ser confirmados antes da publicação.
Para Kátia, o seguro é uma das principais diferenças entre o sistema brasileiro e o de outros grandes produtores agrícolas, porque permite que agricultores enfrentem perdas climáticas sem comprometer integralmente sua capacidade financeira.
“Se alguém me perguntar qual a dificuldade do agronegócio, única e exclusivamente a questão do seguro agrícola. Isso nós precisamos solucionar o quanto antes”, afirmou.
A avaliação ocorre em um momento de maior preocupação com os efeitos do clima sobre a oferta agrícola. Para o Brasil, um eventual aumento da irregularidade das chuvas pode afetar especialmente regiões relevantes para a produção de grãos, ao mesmo tempo em que produtores com maior endividamento têm menos margem para absorver perdas.
Os números sobre a intensidade do El Niño e seus impactos econômicos globais citados durante a entrevista ainda precisam ser confrontados com dados de órgãos científicos e instituições internacionais antes de serem utilizados como referência factual.
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