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Agro brasileiro está mais preparado para enfrentar os impactos do ‘Super El Niño’, diz especialista

Publicado 30/07/2026 • 13:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O super El Niño caracteriza-se quando a anomalia de temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial atinge ou supera dois graus acima da média histórica.
  • Setor de alimentos é historicamente o componente mais instável dos índices de inflação, concentrando tanto as maiores altas quanto as maiores quedas.
  • Especialista acredita que agro brasileiro está mais preparado para enfrentar do cenário de possível adversidade.

Os recentes temporais e vendavais registrados no litoral de São Paulo e no Rio de Janeiro podem ser apenas o cartão de visitas de um cenário ainda mais rigoroso para os próximos meses. O Brasil caminha para enfrentar um El Niño de elevada intensidade, fenômeno climático que promete se estender pelo menos até setembro com força superior à observada em anos anteriores.

De acordo com a avaliação do pesquisador do FGV Agro Felipe Serigate, em entrevista ao Real Time, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o fenômeno, popularmente chamado de Super El Niño, caracteriza-se quando a anomalia de temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial atinge ou supera dois graus acima da média histórica.

“A gente diz que a atmosfera vai operar sob um El Niño quando as águas do Pacífico excedem uma anomalia ali de meio grau acima da média histórica. Quando essa anomalia de temperatura é de dois graus, aí é classificado como um El Niño de elevada intensidade, ou o pessoal tem colocado mais aí na imprensa, um Super El Niño”, explicou o pesquisador.

Leia também: Super El Niño pode frear PIB e espalhar perdas globais do agro à infraestrutura

Impacto na inflação

Embora os recentes dados do IPCA-15 tenham apontado um alívio temporário nos preços com a deflação no grupo de alimentação e bebidas, o especialista alerta que o cenário inflacionário para os próximos meses permanece altamente volátil devido à chegada do fenômeno climático.

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Segundo Serigate, o setor de alimentos é historicamente o componente mais instável dos índices de inflação, concentrando tanto as maiores altas quanto as maiores quedas. O especialista ressalva que a trégua atual nas gôndolas não representa uma tendência estrutural e que os efeitos do rigoroso fenômeno climático nas lavouras brasileiras podem reverter rapidamente esse panorama no segundo semestre.

“O que a gente viu nesse IPCA-15 é uma boa notícia para a inflação, mas isso não pode ser considerado como estrutural ou com uma tendência. Ninguém pode ficar surpreso se a gente fizer essa conversa lá em setembro e o cenário for justamente o oposto”, apontou.

País está mais preparado

Apesar de o impacto do El Niño poder significar bilhões no PIB, o Brasil apresenta um cenário de maior resiliência produtiva do que em períodos críticos anteriores, como o impacto severo da La Niña entre 2023 e 2024.

Serigate aponta o aprendizado acumulado pelo setor agropecuário como o principal diferencial para mitigar perdas nas lavouras. “O setor tem ficado mais bem preparado. Isso não significa que esteja imune, não significa que todo mundo já fez a sua lição de casa. Mas você tem hoje variedades, em termos de sementes, de mudas, e de técnicas que tornam essa produção mais resiliente, apresentando maior resistência, por exemplo, ao estresse hídrico e à seca”, concluiu.

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