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Exportações para os EUA atingem menor participação histórica, mas comércio segue em adaptação

Publicado 24/06/2026 • 18:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras está no menor nível histórico após aumento de tarifas comerciais.
  • Empresas têm encontrado rotas alternativas para acessar o mercado americano por meio de outros países, afirma pesquisador.
  • China deve continuar ampliando sua importância para o agronegócio brasileiro nos próximos anos, avalia especialista.

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos tem contribuído para reduzir a participação do país nas exportações brasileiras, mas os impactos variam entre os setores e vêm sendo parcialmente compensados por adaptações nas cadeias globais de comércio, afirmou Cícero Zanetti de Lima, doutor em Economia, professor e pesquisador do FGV Agro. Segundo ele, o atual cenário exige cautela na interpretação dos dados, já que mudanças recentes nas relações comerciais internacionais estão redesenhando os fluxos de exportação.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quarta-feira (24), o pesquisador lembrou que a reestruturação do comércio global ganhou força a partir das medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump, que alteraram a dinâmica das vendas brasileiras para o mercado americano.

“Nós estamos passando por um momento em que o comércio global vem se reestruturando. O aumento das tarifas e as medidas adotadas pelos Estados Unidos vêm remodelando o comércio brasileiro com o resto do mundo, principalmente com os Estados Unidos”, explicou.

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Menor participação histórica

Segundo Zanetti, os números mostram comportamentos distintos quando se compara o desempenho das exportações totais do Brasil com as vendas destinadas aos Estados Unidos.

Enquanto as exportações brasileiras cresceram em valor e volume no período analisado, as vendas para o mercado americano registraram retração.

“Quando a gente olha o comércio específico com os Estados Unidos, esse comércio caiu tanto em valor quanto em volume. Isso significa que nós estamos vendendo menos para o mercado americano e o principal motivo são as tarifas”, destacou.

O pesquisador ressaltou que a participação americana nas exportações brasileiras atingiu o menor patamar da série histórica, ao mesmo tempo em que a China ampliou sua relevância como destino dos produtos nacionais.

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Triangulação comercial

Apesar da redução das vendas diretas para os Estados Unidos, Zanetti observou que alguns setores encontraram mecanismos para manter o acesso ao mercado americano.

Segundo ele, produtos como carne bovina, café e outras commodities passaram a seguir rotas alternativas por meio de terceiros países. “Grande parte das exportações que saíam do Brasil para os Estados Unidos foram trianguladas por outros destinos, como é o caso da Argentina”, afirmou.

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O pesquisador explicou que esse movimento ocorre porque empresas brasileiras controlam parte relevante das cadeias globais de exportação desses produtos.

“Em alguns mercados, como carne, café, açúcar e soja, o Brasil é um dos principais fornecedores mundiais. Então o próprio mercado consegue criar novos caminhos para que essas exportações cheguem ao mercado americano”, pontuou.

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China segue estratégica

Ao comentar a relação comercial entre Brasil e China, Zanetti afirmou que a expectativa é de continuidade do fortalecimento dos laços econômicos entre os dois países.

Segundo ele, o crescimento da renda da população chinesa deverá sustentar a demanda por alimentos, energia e matérias-primas nas próximas décadas. “A gente vê o comércio Brasil-China muito forte no futuro. Estamos falando de uma população que continua aumentando sua renda e que vai ampliar a demanda por energia e proteínas”, ressaltou.

Para o pesquisador, o principal desafio brasileiro será agregar mais valor às cadeias produtivas exportadoras, ampliando a competitividade diante das exigências futuras do mercado internacional.

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“Precisamos criar mecanismos para agregar mais valor à produção, investir em certificação, denominação de origem e estar preparados para qualquer movimento da China em direção a exigências de sustentabilidade”, observou.

Na avaliação de Zanetti, mesmo com os esforços chineses para elevar sua produtividade agrícola, a dimensão da demanda interna continuará garantindo oportunidades para os exportadores brasileiros.

“A expectativa é que a China continue sendo um grande parceiro comercial do Brasil e aumente suas compras nos próximos anos”, concluiu.

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