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Falta de silos no Brasil força venda barata de grãos e espreme margem do produtor
Publicado 10/08/2026 • 11:45 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 10/08/2026 • 11:45 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A incapacidade da infraestrutura de armazenagem do país em acompanhar o ritmo da produção agrícola voltou a ameaçar a rentabilidade no campo. O descompasso entre a safra recorde de grãos e a capacidade estática de silos e armazéns retira o poder de barganha do produtor rural, cenário que atinge o ápice no segundo semestre com o escoamento simultâneo do milho e do algodão.
Enquanto concorrentes globais, como os Estados Unidos, conseguem reter 65% da capacidade estática dentro das próprias propriedades, o Brasil armazena apenas 15% na origem, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). A escassez de espaço obriga o agricultor a uma venda compulsória logo após a colheita, o que coloca a produção no mercado mais rapidamente, aumenta a oferta no e pressiona as cotações para baixo.
“O déficit é mais agudo em regiões de expansão agrícola no segundo semestre, como o Matopiba e o norte de Mato Grosso. O armazenamento planejado protege o produtor contra a oscilação de preços, mas demanda superar barreiras regulatórias locais, garantir eficiência energética e manter a estrita conformidade com as exigências técnicas de certificação”, aponta Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil.
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Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa de Estoques, aponta que a capacidade estática disponível no país chegou a 233,8 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 1,1% em relação ao levantamento anterior.
Apesar do avanço físico, o volume é insuficiente para acompanhar o ritmo da produção no campo. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimam que a safra brasileira de grãos para o ciclo 2025/2026 alcance 360,1 milhões de toneladas — um crescimento de 2,2% em comparação com a temporada passada. Essa diferença entre o que é colhido e a capacidade de estocagem mantém um déficit estrutural de aproximadamente 126,3 milhões de toneladas.
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Siga o Times | CNBCDo total de 233,8 milhões de toneladas de capacidade instalada no país, os silos continuam sendo a principal estrutura utilizada para a guarda de produtos agrícolas. Eles respondem por 124,7 milhões de toneladas, o equivalente a 53,3% de toda a capacidade útil nacional, segundo o IBGE.
Investir em silos dentro da porteira ainda esbarra em obstáculos como a lentidão na emissão de licenças ambientais estaduais, as regras da Lei nº 9.973 — que regulamenta o Sistema de Certificação de Armazéns — e as normas de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego, a exemplo da NR-33 para espaços confinados.
Nesse cenário, a qualidade dos materiais e da engenharia passou a ser fator crítico. O uso de aços de alta resistência estrutural e revestimentos galvanizados é exigido para suportar o fluxo contínuo de cargas. Contudo, especialistas alertam que a barreira física não basta para combater o estresse térmico.
“Se a estrutura de armazenagem não contar com um sistema ativo e automatizado de circulação de ar, a oscilação térmica interna acelera a taxa respiratória do grão, provocando o consumo de matéria seca e a consequente perda real de peso do lote”, explica Oliveira. A saída passa por projetos de alta performance com termometria digital e ventilação automatizada, capazes de preservar os padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e pelo mercado internacional.
Diante de safras que testam a resiliência logística do país, a expansão tecnológica da armazenagem é tratada pelo setor como o principal elo regulador para blindar o agronegócio contra a volatilidade. “A sustentabilidade financeira da porteira para dentro depende da autonomia de comercialização. E ela só é alcançada quando o produtor dispõe de uma estrutura robusta e capaz de preservar a integridade biológica do seu patrimônio por longos períodos”, conclui o executivo.
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