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Aloysio Nunes: investigação dos EUA contra Brasil entra em fase técnica, mas risco de politização preocupa
Publicado 07/07/2026 • 10:04 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 07/07/2026 • 10:04 | Atualizado há 2 horas
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A investigação comercial aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil, que examina desde o comércio digital e o etanol até o desmatamento e o sistema Pix, teve sua primeira audiência pública na segunda-feira (6), descrita por participantes como mais técnica e equilibrada do que se esperava.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o ex-ministro das Relações Exteriores e atual assessor da presidência da Apex em Bruxelas, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou que o resultado inicial é motivo de cautela, não de euforia.
“Eu compartilho uma opinião que foi emitida por alguns empresários brasileiros que participaram dessa primeira rodada e disseram que saíam da reunião moderadamente otimistas. Fiquemos nesse otimismo de moderação”, afirmou Nunes Ferreira, lembrando que a decisão do presidente Donald Trump de abrir a investigação, sob acusação de práticas de comércio desleais por parte do Brasil, “já tem mais de um ano”.
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Segundo ele, embora a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301, tenha sido motivada por argumentos políticos, a etapa atual exige uma análise técnica das alegações antes de qualquer negociação entre os governos.
Na avaliação do ex-chanceler, a origem do processo foi política. Ele lembrou que a justificativa inicial para a abertura da investigação mencionava apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e críticas ao Judiciário brasileiro, narrativa que, segundo ele, foi “em grande parte alimentada pelo ex-deputado Carlos Bolsonaro”.
Apesar disso, Nunes afirmou que a fase conduzida pelo USTR deve se concentrar em argumentos técnicos sobre a adoção ou não das tarifas. Somente após essa etapa haveria espaço para negociações políticas entre os dois países.
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Siga o Times | CNBCO ex-ministro também destacou que empresas dos Estados Unidos e do Brasil têm atuado para barrar as tarifas. Segundo ele, companhias como Coca-Cola, Tesla e eBay enviaram carta pedindo a suspensão das medidas. Ao mesmo tempo, observou que alguns setores americanos pressionam pela inclusão de produtos brasileiros, como a carne bovina, sob a alegação de ligação com áreas de desmatamento, argumento que ele contestou.
Para Nunes, esse movimento demonstra que há interesse do setor privado em evitar uma escalada da disputa comercial. Já o governo brasileiro, acrescentou, sustenta que divergências desse tipo devem ser tratadas em instâncias multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e não por meio da imposição de tarifas.
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O ex-chanceler avalia que o principal risco para o processo é sua politização. Ele criticou a participação do senador Flávio Bolsonaro em discussões sobre o tema nos Estados Unidos, afirmando que iniciativas desse tipo prejudicam a busca por uma posição convergente do país diante de medidas que, segundo ele, podem afetar empresas, trabalhadores e a economia brasileira.
Ao comentar a inclusão do Pix entre os temas investigados, Nunes afirmou que a resistência americana está relacionada à defesa do mercado de cartões de crédito. “A oposição dele é o Pix, na verdade, em defesa do mercado, dos cartões de crédito. Essa que é a realidade dos fatos.”
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Ele destacou a ampla adoção do sistema de pagamentos instantâneos no Brasil, superior, segundo ele, à observada em países como a Índia, e afirmou que o Pix é resultado de uma política do Banco Central e do sistema financeiro brasileiro.
Na avaliação do ex-ministro, esse é um tema que não deveria integrar uma negociação tarifária. “Você não pode resolver essa divergência impondo tarifa. (…) O Pix hoje é uma coisa, é algo inegociável.”
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