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Pix não concorre com cartões e ajuda a economia, diz diretor da Abbaas sobre críticas dos EUA
Publicado 03/06/2026 • 10:52 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/06/2026 • 10:52 | Atualizado há 1 hora
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O Pix não concorre diretamente com os cartões de crédito e débito e se consolidou como uma ferramenta para solucionar demandas que os meios tradicionais de pagamento não atendiam, afirmou Rogério Melfi, diretor-executivo da Associação Brasileira de Banking as a Service (Abbaas), ao comentar as críticas dos Estados Unidos ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Segundo o executivo, que concedeu entrevista nesta quarta-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a narrativa de que o Pix prejudica empresas estrangeiras de meios de pagamento não encontra respaldo na evolução do mercado. “O Pix diminuiu o número de saques e outras transações financeiras, e não exatamente o número de cartões. As operações de débito e crédito continuam crescendo. Essa comparação de concorrência entre cartões e Pix é inválida”, afirmou.
Rogério Melfi destacou que o modelo adotado pelo Brasil segue uma tendência observada em diversos países, com infraestruturas de pagamentos instantâneos operadas ou supervisionadas por bancos centrais. Segundo ele, o sistema brasileiro funciona como uma política pública voltada à modernização financeira e ao estímulo da atividade econômica.
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“O sistema de pagamentos instantâneos operado e regulado pelo Banco Central cria uma plataforma que permite desenvolver soluções de pagamento e acelerar a economia. Isso traz benefícios para toda a economia circular”, explicou.
Para o dirigente da Abbaas, o modelo adotado pelo Brasil não representa uma exceção no cenário internacional. Pelo contrário, ele acompanha uma transformação que vem ocorrendo em diferentes regiões do mundo.
Ao comparar o cenário atual com a realidade anterior ao lançamento do Pix, Melfi lembrou que transferências por TED podiam levar dezenas de minutos e envolver custos adicionais, enquanto boletos exigiam dias para compensação. Também havia limitações de interoperabilidade entre instituições financeiras e carteiras digitais.
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“O Banco Central identificou a necessidade de pagamentos instantâneos e de interoperabilidade entre todos os participantes do sistema. Antes, o usuário dependia de processos mais lentos e fragmentados”, afirmou.
Segundo ele, o sucesso do Pix está diretamente ligado à rápida aceitação por consumidores e empresas. “O brasileiro adotou o Pix porque existia uma dor reprimida. Havia necessidade de pagamentos mais rápidos e os meios existentes não supriam essa demanda”, observou.
Na avaliação do executivo, a situação dos Estados Unidos é diferente porque o mercado local mantém forte utilização de instrumentos tradicionais, como cheques, dinheiro em espécie e cartões de crédito. Ainda assim, ele afirmou que o avanço dos pagamentos instantâneos também faz parte da agenda americana.
Leia também: Tarifaço: a investigação americana pode afetar o Pix?
“Existe uma iniciativa chamada FedNow, criada para desenvolver pagamentos instantâneos nos Estados Unidos. Mas a adoção depende de fatores culturais e das necessidades específicas de cada mercado”, explicou.
Melfi ressaltou que os sistemas de pagamento instantâneo avançam em diversas regiões do mundo, especialmente na América Latina, Europa e Ásia, tornando-se uma tendência global para o setor financeiro.
Sobre a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o diretor-executivo da Abbaas afirmou que o processo ainda está em fase de consultas e que entidades do setor terão espaço para apresentar esclarecimentos sobre o funcionamento do Pix e sua estrutura regulatória.
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Seguir no Google“É importante mostrar como funciona a operação, quem participa do Pix e como esse ecossistema está estruturado”, disse.
Leia também: Acusação dos EUA contra o Pix tem base econômica fraca e motivação política, avalia ex-economista do Fed
Na avaliação dele, uma eventual escalada das tensões comerciais reproduziria um cenário já observado meses atrás, quando tarifas e restrições passaram a afetar as relações econômicas entre os dois países. Ainda assim, acredita que os efeitos negativos não ficariam restritos ao Brasil.
“Seria um remédio ruim para ambos os lados, mas com potencial de prejudicar ainda mais a economia dos Estados Unidos”, concluiu.
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