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Alta de custos pode tirar aviões de operação e levar a cortes de rotas, alerta especialista

Publicado 15/04/2026 • 11:49 | Atualizado há 4 dias

KEY POINTS

  • Aumento de custos pode levar companhias a retirar aeronaves de operação e cortar rotas menos rentáveis.
  • Proposta de IVA de 27% tende a reduzir demanda e pressionar ainda mais o setor aéreo.
  • Especialista avalia que tributação pode ser contraproducente e frear atividade econômica ligada ao turismo.

A combinação de alta de custos e aumento de impostos pode levar companhias aéreas a reduzir rotas, cortar voos e até manter aeronaves em solo, avalia Maurício França, especialista em aviação e sócio da L.E.K. Consulting. Segundo ele, o cenário já observado no exterior pode se repetir no Brasil caso a proposta de IVA de 27% sobre o transporte internacional avance.

Você aumenta o preço, diminui a demanda, aquela rota que estava no break-even deixa de fazer sentido; as pessoas não voam e você tira a rota”, afirmou, em entrevista na manhã desta quarta-feira (15) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Ele destaca que, diferentemente de alguns mercados, a situação pode ser ainda mais crítica no Brasil por causa da estrutura de custos das empresas.

França explica que, mesmo com redução de voos, os custos permanecem elevados. “Se você tem um avião que está pagando, é péssimo. O que eu faço com ele? Eu continuo pagando o leasing”, disse, ao apontar a dificuldade de ajuste das companhias em momentos de queda de demanda.

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Tributação pode reduzir demanda e atividade

Para o especialista, a motivação da proposta de taxação é clara: aumentar a arrecadação. “É um setor muito visível, ‘fácil’ de taxar, e estamos falando de dezenas de bilhões de reais”, apontou, ao citar o tamanho da indústria aérea no país.

No entanto, ele avalia que o efeito pode ser contrário ao esperado. “No momento que você taxa, você abaixa a demanda: as pessoas voam menos, viajam menos”, ressaltou. Isso, segundo ele, impacta toda a cadeia econômica associada ao setor.

Impacto vai além das companhias aéreas

França ressalta que a aviação tem forte efeito indireto sobre a economia, impulsionando turismo, hotelaria, alimentação e serviços. “Uma pessoa voa, mas depois ela consome hotel, comida e várias outras coisas.

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Por isso, ele considera que a política de aumento de impostos pode ser contraproducente no longo prazo. “Se você realmente fizer a conta, talvez seja melhor tributar menos e deixar o setor crescer”, pontuou.

Brasil pode ir na contramão de outros países

O especialista também destacou que, em muitos países, o setor aéreo recebe tratamento diferente justamente por seu impacto econômico. “Outros países não tributam como aqui, porque entendem o efeito positivo do setor”, afirmou.

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Para ele, insistir em uma carga tributária elevada pode limitar o potencial do Brasil. “A gente pode acabar reduzindo atividade econômica em vez de aumentar arrecadação”, concluiu.

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