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Banco sem licença, fazendas sem endereço, posto invisível: o império de papel da ‘gestora americana’ que anunciou a compra da Naskar
Publicado 19/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 18 minutos
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Publicado 19/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 18 minutos
KEY POINTS
Foto: Montagem
Quem é Douglas Azara, empresário de 25 anos ligado à compra da Naskar
Quando a Azara Capital anunciou, em 13 de maio de 2026, a compra da Naskar por R$ 1,2 bilhão, os cerca de 3.000 investidores que haviam perdido acesso ao dinheiro depositado na fintech receberam a notícia com alívio. Uma gestora americana assumiria o passivo, prometia honrar os pagamentos e apresentava ativos superiores a R$ 2,4 bilhões como garantia.
O problema é que esses ativos, quando consultados nos registros públicos brasileiros, levam a fazendas sem endereço localizável, a um posto de gasolina que não aparece na rodovia onde está registrado e a um único número de celular, da cidade de Uberlândia, Minas Gerais, que atende empresas em seis estados diferentes.
Levantamento do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nos cadastros da Receita Federal, nas Juntas Comerciais de seis estados e no Distrito Federal identificou 12 empresas vinculadas a Douglas Silva de Oliveira Azara, o brasileiro de 25 anos que se apresentou publicamente como responsável pela Azara Capital. Juntas, essas empresas somam R$ 2,4 bilhões em capital social declarado. Nenhuma tem presença física verificável.
Leia também: Naskar: venda à gestora americana levanta suspeita de farsa e sócios estudam pedir recuperação judicial
🔍 Azara Capital é a gestora que anunciou a compra das operações da Naskar, fintech investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal por suposta captação irregular de recursos de cerca de 3.000 investidores. A empresa afirma ter sede em Miami, nos Estados Unidos, mas não consta em nenhum registro oficial americano consultado pela reportagem, incluindo a SEC, a FINRA e a Florida Division of Corporations.
Presença em todas as 12 holdings e ativos imobiliários mapeados
As duas entidades brasileiras apresentadas como braço financeiro da Azara Capital – a Azara Instituição de Pagamento Ltda e a Phoenix Instituição de Pagamento Ltda – foram abertas no mesmo dia, quarta-feira (4) de fevereiro de 2026, no mesmo endereço em Brasília, com CNPJs sequenciais, mesmo capital social de R$ 13 milhões cada, mesmo objeto social e nove CNAEs secundários idênticos, palavra por palavra.
O endereço compartilhado é a SHS Quadra 6, Conjunto A, Bloco A, Salas 501 e 512, Asa Sul, Brasília – um escritório virtual operado pelo Concept Offices Brasil 21, disponível a partir de R$ 83 mensais. No mesmo endereço também estão registradas a TRX Investimentos e a Truviax Negócios e Empreendimentos, outras empresas do cluster.
Entre os achados mais reveladores do levantamento está o número de telefone (34) 9911-XXXX. O DDD 34 pertence à região de Uberlândia, em Minas Gerais, cidade onde Douglas tem domicílio registrado. Esse mesmo número aparece como contato oficial de sete das 12 empresas do grupo, distribuídas por Rio Verde (GO), Brasnorte (MT), Porto Velho (RO), Silvanópolis (TO), Ourilândia do Norte (PA), Rio dos Bois (TO) e Alto Parnaíba (MA).
O Times Brasil | CNBC telefonou e mandou uma mensagem de texto para o número, mas não houve retorno.
Uma transportadora no interior de Goiás, fazendas de gado no Mato Grosso e em Rondônia, um armazém no Tocantins, um posto de gasolina e uma fazenda de soja no Maranhão – todos atendidos pelo mesmo celular mineiro. O padrão se repete nos endereços de e-mail: quatro dessas empresas usam o domínio @trxinvestimentos.com.br como contato institucional, incluindo duas nas quais a TRX Investimentos não figura sequer como sócia.
🔍 TRX Investimentos é uma das empresas do grupo, com sede declarada em Brasília e CNAE de pecuária. Aparece como sócia em ao menos três das fazendas do cluster e como responsável por e-mails institucionais de empresas das quais não faz parte societária. O domínio trxinvestimentos.com.br está suspenso por ordem judicial desde antes de outubro de 2025 – mais de seis meses antes do colapso da Naskar.
Nota da redação: Por uma questão de homonímia, existe a TRX Investimentos, citada neste texto, e a TRX Investimentos Real Estate, gestora de FIIs, listada em bolsa e dona de dois grandes fundos imobiliários, o TRXF11 e o TRXY11, esta não tem nenhuma ligação com a Azara ou empresas do mesmo grupo.
A empresa com maior capital declarado do grupo é a Jabuti Capital Venture Group Ltda, com R$ 1,07 bilhão registrado na Receita Federal. Seu nome fantasia é Banco Phoenix. Usar a palavra “banco” no nome de um estabelecimento sem autorização do Banco Central viola o artigo 18 da Lei 4.595/1964 e a Resolução CMN 4.122/2012. A Jabuti Capital é uma Sociedade Empresária Limitada com um único sócio, sem registro no Banco Central, sem registro na CVM e sem registro na Anbima.
O objeto social declarado na Junta Comercial vai além do nome. Entre as atividades listadas estão “bancos múltiplos com carteira comercial”, “companhias hipotecárias” e “arrendamento mercantil” – todas atividades privativas de instituição financeira autorizada pelo Banco Central. O site bcophoenix.com.br seguia ativo, é menos mambembe que o site da Azara Capital, mas quando se tenta abrir uma conta, ele te leva à uma página inexistente.
A empresa foi aberta originalmente em Uberlândia, em janeiro de 2024. Em 17 de dezembro de 2025, adotou o nome fantasia Banco Phoenix. Em 14 de janeiro de 2026 – 109 dias antes do colapso da Naskar – transferiu sua sede para a Alameda Rio Negro, 503, Sala 2020, em Alphaville, Barueri.
Leia também: EXCLUSIVO: Sócios da Naskar desmontaram estrutura financeira semanas antes de sumirem com quase R$ 1 bilhão
A Alameda Rio Negro, 503 fica em Alphaville, no complexo empresarial Rio Negro, em Barueri. No número 500 do mesmo complexo – edifício contíguo, mesmo andar – estão registradas a 7Trust Finance, parceira operacional da Naskar, a Next Holding Financeira, controladora da 7Trust, e a NextGen Serviços de Apoio Administrativo, empresa do mesmo grupo. Em 8 de setembro de 2025, os três sócios controladores da Naskar declararam simultaneamente mudança de endereço residencial para salas individuais nesse mesmo 20º andar.
A coincidência geográfica tem mais um elemento. O endereço de Miami declarado no site da Azara Capital – 1000 Brickell Avenue – é um escritório virtual multiusuário que hospeda mais de 200 empresas em poucas suítes. A operadora que comercializa esse endereço em Miami é a mesma que comercializa o endereço da Alameda Rio Negro 503 em Alphaville: a New Office America.
O Times Brasil | CNBC não localizou documentação pública que comprove vínculo societário direto entre Douglas Silva de Oliveira Azara e os controladores da Naskar. A proximidade geográfica, a operadora compartilhada e a cronologia de constituição das empresas do cluster – todas abertas nos meses anteriores ao colapso – são fatos públicos verificáveis. As conclusões sobre sua natureza cabem às autoridades competentes.
Cinco das 12 empresas têm nomes com possível referência judaica ou israelense: Fazenda Tel-Aviv, Fazenda Jerusalem, Lonestar Transportes – cujo nome pode remeter tanto à tradição texana quanto à Estrela de Davi, símbolo do judaísmo – e o Banco Phoenix, nome fantasia da Jabuti Capital, cujo site declara que a empresa é inspirada na “tradicional Família Azara, que desde 1852 constrói legado, credibilidade e presença no mercado financeiro global”, com “90% de clientes judeus”. A Sommerlath Armazéns Gerais, por sua vez, leva o sobrenome da família da rainha Sílvia da Suécia.
A escolha dos nomes dialoga com a resposta que a assessoria de Douglas deu ao Times Brasil | CNBC quando questionada sobre a origem do capital integralizado nas 12 empresas: “Os recursos são de origem familiar judaica e decorrentes de herança. Esse patrimônio foi posteriormente submetido a uma estratégia de diversificação por meio de alocações no mercado de criptoativos entre 2016 e 2022.”
Pesquisas em bases genealógicas sefarditas, incluindo o JewishGen, não listam “Azara” entre famílias bancárias judaicas. O sobrenome tem origem documentada no município de Azara, em Huesca, na região de Aragão, Espanha, e está associado a naturalistas e diplomatas espanhóis dos séculos XV ao XVIII. Nenhuma documentação foi apresentada para comprovar a herança alegada como origem dos R$ 2,4 bilhões declarados.
Nota Explicativa: Assessoria afirma que o patrimônio tem “origem familiar judaica e decorrente de herança”. Pesquisas em bases genealógicas sefarditas não listam “Azara” entre famílias bancárias judaicas.
🔍 Instituição de pagamento é uma empresa autorizada pelo Banco Central a processar pagamentos, transferências e outras operações financeiras. Para operar legalmente, precisa de autorização prévia do BC, processo que, pelo rito da Resolução BCB 80/2021, leva entre seis e dezoito meses. A Azara IP, segundo a própria assessoria de Douglas em resposta ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, “encontra-se em fase de estruturação técnica e operacional”. Ainda não tem autorização para funcionar.
Além das inconsistências cadastrais, registros judiciais públicos mostram que Douglas Silva de Oliveira Azara responde a uma ação penal por estelionato no Tribunal de Justiça do Tocantins desde 2024, processo 0049654-50.2024.8.27.2729. Em 26 de janeiro (segunda-feira) de 2026 – oito dias antes de abrir a Azara IP e a Phoenix IP – o juízo expediu ofício à Gerência de Inclusão, Classificação e Remoção da Diretoria de Administração Penitenciária de Palmas, órgão responsável pela coordenação de mandados de prisão interestadual. Em 10 de fevereiro (terça-feira), o Ministério Público protocolou parecer e o processo foi concluso para despacho. Em 17 de maio (domingo), o processo foi classificado como “sensível, com acesso restrito” no JusBrasil.
Há ainda uma ação civil movida pela Sotreq S/A, dealer oficial da Caterpillar, no valor de R$ 562.000,00, perante o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Segundo os autos, a TRX Investimentos e Douglas não cumpriram contrato de locação de equipamentos pesados, repassaram as máquinas a terceiros sem autorização e desligaram os rastreadores para dificultar a localização.
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