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Por Nathalia Gimenes
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Publicado 20/06/2026 • 23:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: AFP
Crise financeira e visibilidade global o que a Ambipar ganha ao manter patrocínio na Ferrari
Mesmo em meio a uma recuperação judicial bilionária e sob questionamentos de credores e órgãos reguladores, a Ambipar continua associando sua imagem a uma das marcas mais valiosas do esporte mundial.
A empresa brasileira de soluções ambientais mantém sua parceria com a Ferrari na Fórmula 1 enquanto enfrenta um processo de reestruturação que envolve cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas e investigações sobre suas operações no mercado financeiro.
A parceria entre a Ambipar e a Ferrari foi anunciada em fevereiro de 2025. Desde então, o logotipo da companhia segue visível nos carros pilotados por Lewis Hamilton e Charles Leclerc, além dos uniformes da equipe.
O acordo foi firmado para apoiar o programa de descarbonização da Ferrari, que busca atingir a neutralidade de carbono até 2030.
O cenário atual contrasta com a posição apresentada pela companhia poucos meses antes do pedido de recuperação judicial.
Em junho de 2025, a Ambipar informava possuir aproximadamente R$ 4,7 bilhões em caixa consolidado. No entanto, em outubro do mesmo ano, a empresa recorreu à Justiça, alegando dificuldades de liquidez e a necessidade de reorganizar suas obrigações financeiras.
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Com o avanço do processo, o mercado passou a ter acesso a um quadro mais amplo do endividamento da companhia, estimado em cerca de R$ 10,5 bilhões.
A rapidez da deterioração financeira chamou a atenção de investidores, credores e analistas, que passaram a questionar como uma empresa que reportava um caixa robusto chegou a uma situação de crise em poucos meses.
A falta de informações financeiras atualizadas ampliou as dúvidas em torno da situação da companhia. A Ambipar ainda não divulgou os resultados referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2025, além do primeiro trimestre de 2026.
Segundo a empresa, os atrasos estão relacionados às dificuldades operacionais provocadas pela recuperação judicial e aos trabalhos de auditoria das demonstrações financeiras. A mudança na diretoria financeira também teria contribuído para o adiamento das divulgações.
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O tema ganhou relevância porque a ausência desses balanços impede que investidores e credores tenham uma visão clara sobre a evolução das contas da empresa durante o período mais crítico de sua crise financeira.
Além das dificuldades financeiras, a Ambipar enfrenta questionamentos regulatórios. A Comissão de Valores Mobiliários apura possíveis irregularidades em operações realizadas com ações da própria companhia por pessoas ligadas ao grupo controlador.
A autarquia também apontou falhas no fornecimento de documentos exigidos durante o processo de recuperação judicial.
Entre os materiais que não teriam sido apresentados integralmente estavam demonstrações financeiras e informações relacionadas ao fluxo de caixa da empresa.
O caso reforçou a atenção do mercado sobre a governança corporativa da companhia em um momento de forte pressão financeira.
A crise da Ambipar também chegou aos tribunais norte-americanos. Em outubro de 2025, uma unidade internacional do grupo buscou proteção judicial por meio do Chapter 11, mecanismo utilizado para reorganizações empresariais nos Estados Unidos.
Credores que participam do processo passaram a cobrar explicações mais detalhadas sobre a situação financeira da empresa e sobre a redução do caixa reportado anteriormente. Em documentos apresentados à Justiça, eles alegam falta de clareza sobre os rumos da reestruturação e criticam a condução das negociações.
A Ambipar, por sua vez, afirma que o processo segue dentro da normalidade e que continua trabalhando na reorganização de suas operações e passivos.
Apesar das disputas judiciais e das incertezas sobre sua situação financeira, a parceria com a Ferrari permanece ativa. A equipe italiana continua exibindo a marca da Ambipar em seus canais oficiais e nos elementos visuais utilizados durante a temporada da Fórmula 1.
Os detalhes financeiros do contrato nunca foram divulgados. Não há informações públicas sobre os valores envolvidos nem sobre o formato exato da parceria.
O que se sabe é que a empresa brasileira foi escolhida para colaborar com iniciativas ligadas à sustentabilidade, eficiência energética, economia circular e compensação de emissões de carbono.
Leia também: SÉRIE EXCLUSIVA — O escândalo Ambipar: o sumiço de R$ 4,7 bilhões do caixa e a suspeita de megafraude
A permanência em uma das equipes mais tradicionais do automobilismo mundial simboliza o contraste que hoje cerca a marca.
Questionada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Ambipar informou que não comentará sobre a continuidade do patrocínio.
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