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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Brasil desperdiça oportunidades por visão de curto prazo, diz ex-presidente da Fiesp Horácio Lafer Piva
Publicado 22/06/2026 • 23:22 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 22/06/2026 • 23:22 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O Brasil segue desperdiçando oportunidades por causa da visão de curto prazo, da falta de previsibilidade e da baixa capacidade de mobilização da sociedade, afirmou Horácio Lafer Piva, economista, empresário e ex-presidente da Fiesp.
A avaliação foi feita durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques. O programa conversa com lideranças para discutir temas como economia, política, inovação, tecnologia, desenvolvimento institucional e ambiente de negócios.
“O que me incomoda demais é essa sensação de desperdício. São as oportunidades do Brasil que escorrem pelo vão dos dedos”, disse Piva.
Segundo ele, o país aparece como alternativa relevante em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, reordenamento de cadeias produtivas e busca por novos destinos de investimento. Ainda assim, afirmou, a falta de visão de longo prazo impede que o Brasil transforme potencial em crescimento sustentado.
Para Piva, a política brasileira continua excessivamente condicionada ao calendário eleitoral. Ele defendeu mudanças estruturais no sistema político, como mandatos de cinco anos sem reeleição consecutiva, para reduzir o peso do curto prazo nas decisões públicas.
O ex-presidente da Fiesp também avaliou que as eleições brasileiras seguem majoritariamente guiadas por fatores domésticos. Na visão dele, a conjuntura internacional pode influenciar o debate, mas temas internos continuam sendo decisivos para o eleitor.
Ao comentar o cenário macroeconômico, Piva afirmou que os juros elevados são consequência do desequilíbrio fiscal, e não a origem do problema.
“Juros é uma consequência e não é causa”, afirmou.
Segundo ele, a redução estrutural das taxas depende de disciplina nas contas públicas, corte de gastos e reforma administrativa. Piva também criticou medidas populistas que pressionam a inflação, classificada por ele como o imposto mais perverso sobre os mais pobres.
Na avaliação do economista, o país precisa enfrentar o debate fiscal com mais clareza. Sem isso, disse, a economia permanece presa a juros altos, baixo investimento e menor capacidade de crescimento.
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Piva também apontou a insegurança jurídica como um dos principais entraves ao investimento. Ele citou mudanças frequentes no ambiente regulatório e a politização de agências reguladoras como fatores que reduzem a confiança do setor privado.
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Siga o Times | CNBCNa indústria, o ex-presidente da Fiesp criticou o protecionismo histórico do Brasil. Segundo ele, a estratégia limitou a inserção competitiva do país nas cadeias globais.
Para Piva, o caminho agora passa por uma neoindustrialização baseada em inovação, deep techs, startups e adoção de inteligência artificial pelas grandes empresas. Ele afirmou que o Brasil tem criatividade e capacidade empresarial, mas precisa criar condições para transformar essas vantagens em competitividade.
Sobre inteligência artificial, Piva defendeu uma visão equilibrada. Para ele, a tecnologia não deve ser tratada nem como ameaça absoluta nem como solução automática para todos os problemas.
“É muito perigoso você vilanizar e muito perigoso você endeusar”, afirmou.
O economista disse ver a IA como um atalho e um instrumento de apoio para empresas e profissionais. Mas alertou que a tecnologia exige preparo, senso crítico e capacidade de uso produtivo.
Segundo Piva, se a sociedade delegar decisões de forma passiva às máquinas, corre o risco de perder autonomia. “Os algoritmos vão nos engolir”, disse.
Ao listar as prioridades do país, Piva citou educação, segurança física e jurídica, reforma administrativa, reforma da Previdência e ajuste fiscal.
Apesar das críticas ao curto prazo, o ex-presidente da Fiesp afirmou manter uma visão positiva sobre o Brasil em horizonte mais longo.
“Investir no Brasil, para mim, é investir no futuro”, disse.
Para empresários e investidores, Piva recomendou resiliência diante da instabilidade política e econômica. Segundo ele, o país ainda precisa atravessar um período de incerteza, mas tem condições de crescer se enfrentar as reformas estruturais.
“Vai ter que prender a respiração no curto? Temos que prender”, afirmou. “Mas, se estiver disposto a prender um pouco a respiração, chegamos lá, decolamos.”
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