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Ambipar: empresas em recuperação judicial podem manter patrocínios milionários?

Publicado 21/06/2026 • 22:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A parceria entre a Ambipar e a Ferrari foi apresentada ao mercado em fevereiro de 2025.
  • Pelo acordo, a empresa brasileira passou a atuar como parceira de sustentabilidade da equipe italiana.
  • A permanência do patrocínio chama atenção porque ocorre em um momento delicado para a companhia.
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em edição Ambipar: empresas em recuperação judicial podem manter patrocínios milionários?

Mesmo em recuperação judicial no Brasil e sob proteção do Chapter 11 nos Estados Unidos, a Ambipar continua exibindo sua marca em um dos espaços mais valiosos do esporte mundial, que são os carros da Ferrari na Fórmula 1.

A manutenção da parceria, anunciada em 2025, ocorre em meio a um processo de reestruturação de cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas e amplia os questionamentos de credores sobre as prioridades financeiras da companhia.

A parceria entre a Ambipar e a Ferrari foi apresentada ao mercado em fevereiro de 2025. Pelo acordo, a empresa brasileira passou a atuar como parceira de sustentabilidade da equipe italiana, colaborando em iniciativas ligadas à descarbonização e à meta de neutralidade de carbono da escuderia.

Mais de um ano depois, a marca continua estampada nos carros pilotados por Lewis Hamilton e Charles Leclerc, além de aparecer nos materiais oficiais da equipe. Os termos financeiros do contrato nunca foram divulgados publicamente.

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A permanência do patrocínio chama atenção porque ocorre em um momento delicado para a companhia, que tenta reorganizar suas finanças enquanto enfrenta disputas judiciais com credores no Brasil e nos Estados Unidos.

Questionada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Ambipar informou que não comentará sobre a continuidade do patrocínio.

O que acontece com contratos durante uma recuperação judicial?

Ao contrário do que muitos imaginam, uma empresa que entra em recuperação judicial não é obrigada a interromper imediatamente contratos de patrocínio, publicidade ou marketing.

A legislação permite que a companhia continue operando normalmente enquanto busca reorganizar suas dívidas.

A administração pode manter contratos considerados estratégicos para o negócio, desde que entenda que eles contribuem para a preservação da atividade empresarial, da marca ou da geração futura de receitas.

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O principal critério é demonstrar que a despesa possui justificativa econômica e não compromete o cumprimento das obrigações assumidas no processo de recuperação.

Credores questionam prioridades da empresa

No caso da Ambipar, porém, o tema ganhou uma dimensão maior diante das dúvidas que cercam a situação financeira da companhia.

Credores que participam do processo nos Estados Unidos afirmam que a empresa ainda não esclareceu adequadamente como um caixa bilionário reportado em meados de 2025 foi reduzido em poucos meses. A questão passou a ocupar espaço central nas discussões envolvendo a recuperação judicial.

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Enquanto isso, bancos brasileiros ampliam a pressão sobre a companhia. Bradesco, Banco do Brasil e Sumitomo recorreram à Justiça americana para tentar participar formalmente do Chapter 11 e influenciar as decisões relacionadas ao plano de reestruturação.

A Caixa Econômica Federal também buscou espaço no processo como detentora de debêntures emitidas pelo grupo.

Disputa entre credores

O embate envolve diferentes grupos de credores com interesses distintos. Os investidores que possuem títulos emitidos no exterior, responsáveis por aproximadamente R$ 5,4 bilhões da dívida, e bancos e investidores em debêntures locais, que somam cerca de R$ 5 bilhões em créditos.

Os bancos argumentam que foram deixados à margem das negociações conduzidas pela companhia com os credores estrangeiros. O objetivo agora é garantir participação nas decisões e no eventual destino dos ativos envolvidos na recuperação.

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A disputa deve ganhar novos capítulos nos próximos dias, quando a Justiça americana analisar os pedidos de ingresso desses credores no processo.

Defensores da manutenção desses acordos argumentam que visibilidade global e fortalecimento institucional podem ajudar a preservar negócios e atrair oportunidades futuras.

Já os críticos sustentam que, em momentos de crise, gastos dessa natureza tendem a ser observados com mais rigor por investidores, credores e órgãos reguladores.

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No caso da Ambipar, a permanência da marca ao lado da Ferrari transformou-se em um símbolo dessa discussão.

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