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Justiça dos EUA investiga destino de quase R$ 3 bilhões enviados pelo Banco Master a empresa de cripto
Publicado 29/08/2026 • 19:03 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 29/08/2026 • 19:03 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Banco Master
A Justiça dos Estados Unidos determinou que a One World Services (OWS) apresente informações detalhadas sobre operações realizadas com o grupo ligado ao Banco Master. A plataforma de negociação de criptoativos recebeu US$ 531 milhões, cerca de R$ 2,8 bilhões, enviados pelo banco entre 2018 e 2021, período em que a instituição ainda utilizava o nome Banco Máxima e já estava sob controle de Daniel Vorcaro.
A decisão foi tomada pelo juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, após uma solicitação apresentada pelo liquidante do Banco Master. O objetivo é esclarecer a origem, o destino e a natureza dos recursos movimentados pela OWS, além de verificar se o dinheiro transferido pertencia ao próprio banco ou aos seus clientes.
A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada pelo Estadão, mas informou que não faria comentários.
Leia mais: Caso Master: denúncia aponta supostas regalias a Daniel Vorcaro durante prisão na Papudinha
O pedido judicial reúne 16 exigências formais relacionadas às operações realizadas desde 2018 até o período atual. Entre os documentos solicitados estão contratos firmados entre a OWS e Daniel Vorcaro ou empresas ligadas ao grupo, registros dos serviços prestados, estruturas de governança e informações sobre ativos que tenham sido administrados ou mantidos sob custódia da plataforma.
A Justiça também quer dados sobre possíveis empresas utilizadas para movimentação de recursos, transferências realizadas e a origem dos valores.
As autoridades solicitaram ainda registros de comunicação relacionados às operações, incluindo mensagens trocadas por WhatsApp, Telegram, iMessage e Signal.
A medida amplia para os Estados Unidos a investigação sobre o caminho percorrido por recursos ligados ao Banco Master.
A OWS tem sede em Delaware, Estado americano conhecido pela facilidade para constituição de empresas e pelo elevado grau de proteção relacionado a informações societárias e patrimoniais. Segundo informações publicadas pelo Estadão, a investigação pretende justamente avançar sobre a identificação dos beneficiários e sobre a movimentação dos ativos ligados ao grupo de Daniel Vorcaro.
O jornal também relata que Delaware está entre os principais centros de estruturas empresariais nos Estados Unidos e pode oferecer obstáculos adicionais para a identificação de proprietários e beneficiários finais de determinados ativos.
Em agosto, uma decisão do Departamento do Tesouro americano estabeleceu de forma definitiva e permanente que empresas domésticas e cidadãos dos Estados Unidos não precisam informar beneficiários finais de ativos registrados no Estado. Mesmo diante desse cenário, o liquidante do Banco Master busca utilizar o processo judicial para reconstruir o caminho dos recursos e identificar quem efetivamente era o proprietário do dinheiro transferido para a OWS.
Leia mais: Banco Master: seis anos depois, CVM retoma julgamento sobre ativos incorporados à Brazil Realty
A One World Services não aparece pela primeira vez em investigações brasileiras. A empresa esteve entre os alvos da Operação Colossus, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2022. De acordo com informações reunidas pelo Estadão, a OWS Brasil teria movimentado mais de R$ 6 bilhões por meio de operações de balcão envolvendo criptomoedas.
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Siga o Times | CNBCAs investigações apuraram a possibilidade de a estrutura ter sido utilizada para facilitar operações de lavagem de dinheiro relacionadas a organizações criminosas, incluindo o PCC e o Hezbollah, com envio de recursos para a One World Services nos Estados Unidos.
A OWS opera de maneira diferente das grandes corretoras de criptomoedas voltadas ao público em geral. A empresa trabalha com negociações diretas e de valores elevados, atendendo clientes e operadores específicos. Esse modelo reduz a participação de intermediários e pode tornar mais complexo o acompanhamento das transações pelas autoridades responsáveis por fiscalização e controle financeiro.
A atuação da companhia também chegou ao Congresso brasileiro. Em setembro de 2023, a CPI das Pirâmides Financeiras da Câmara dos Deputados convocou representantes da OWS para prestar esclarecimentos sobre a participação da empresa no mercado paralelo de criptoativos.
As investigações relacionadas à família Froes, fundadora da OWS, continuam. Um dos nomes apontados como cliente e parceiro da empresa, o corretor Dante Felipini, conhecido como “Criptoboy”, foi preso e condenado em 2025 a 17 anos de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Segundo o Estadão, Felipini era apontado nas investigações como um dos operadores que utilizavam a plataforma para movimentar e ocultar recursos. É nesse contexto que as transferências realizadas pelo Banco Master ganharam atenção das autoridades americanas.
Uma das principais questões do processo é descobrir qual era a finalidade dos US$ 531 milhões enviados pelo Banco Master à OWS.
O liquidante pretende determinar se os recursos pertenciam ao próprio banco ou se estavam relacionados a valores de clientes. Também está sob análise a possibilidade de contas mantidas pela OWS no Banco Master terem sido abastecidas por remessas cambiais feitas pela instituição para financiar a aquisição de criptoativos no exterior.
Com a ordem judicial, a apuração passa a contar potencialmente com contratos, registros financeiros, estruturas societárias e comunicações que podem ajudar a reconstruir o trajeto dos quase R$ 3 bilhões transferidos para a empresa de criptoativos.
O caso amplia para os Estados Unidos a investigação sobre as movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master e pode fornecer novas informações sobre o destino dos recursos enviados à OWS.
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