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Fintech Naskar, que oferecia remuneração maior que do Banco Master, desaparece com R$ 1 bi dos clientes
Publicado 08/05/2026 • 14:11 | Atualizado há 5 dias
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Publicado 08/05/2026 • 14:11 | Atualizado há 5 dias
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Naskar
Quando o escândalo do Banco Master veio à tona, o mercado financeiro se indignou com os rendimentos de até 140% do CDI oferecidos pela instituição de Daniel Vorcaro. Especialistas trataram a taxa como insustentável e o caso domina o noticiário até hoje. Pois uma fintech que ninguém conhecia até esta semana oferecia muito mais do que isso, em silêncio.
A Naskar Gestão de Ativos Ltda. prometia 2% ao mês aos seus clientes. Parece pouco? Graças aos juros compostos, 2% ao mês equivalem a 26,82% ao ano, o que representa 175% do CDI no patamar atual. Para comparar, um CDB excelente hoje paga 110% do CDI. A Naskar pagava 175%.
Até que parou de pagar. E sumiu.
No início de maio de 2026, a empresa interrompeu abruptamente as operações, bloqueou o aplicativo, tirou o site do ar e deixou cerca de 3 mil clientes sem explicações, pior, sem acesso aos recursos.
A estimativa é de que a fintech tenha captado entre R$ 850 milhões e R$ 900 milhões de investidores em todo o país. Os três sócios da companhia estão incomunicáveis.
Leia também: Gigante de criptomoedas vai à Justiça para cobrar calote de R$ 1,5 bilhão de holding ligada ao Banco Master
A Naskar operava por meio de contratos chamados de mútuo, modalidade de empréstimo com amparo no Código Civil, fora, portanto, da supervisão do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários. Quem assinava o contrato emprestava dinheiro à empresa e recebia 2% ao mês sobre o valor aplicado.
🔍 Contrato de mútuo – modalidade de empréstimo prevista no Código Civil brasileiro em que uma parte entrega à outra dinheiro ou bem fungível, com obrigação de devolução em prazo e condições acordadas. Por não ser produto financeiro regulado, escapa da supervisão do Banco Central e da CVM.
Para ter dimensão do que estava em jogo, quem investia R$ 1 milhão recebia R$ 20 mil mensais. Segundo o Portal Metrópoles, do Distrito Federal, onde a Fintech tinha sede, um empresário do DF tinha R$ 3,9 milhões aplicados. Um bancário mantinha R$ 2,3 milhões na plataforma. Um aposentado havia aportado R$ 1 milhão. Nenhum deles recebeu o pagamento previsto para segunda-feira (4) de maio.
Os três sócios da Naskar são Marcelo Liranco Arantes, sócio-administrador com atuação em outras empresas do setor financeiro, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, ex-jogador de vôlei pela Seleção Brasileira na década de 1980 e apresentador da ESPN Brasil por cerca de 20 anos.
Desde o início de maio, os três não atendem ligações, não respondem mensagens e pararam de atualizar as redes sociais. O site da empresa opera com instabilidade. O perfil no Instagram bloqueou os comentários e o aplicativo exibe mensagem de suporte técnico para quem tenta acessar a conta.
O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC entrou em contato com a assessoria da Naskar. A resposta foi que a empresa teria sofrido uma “perda na base de dados“. Questionados se houve ataque hacker ou outro tipo de falha, os representantes não responderam. Informaram apenas que a empresa está em processo de “auditoria interna” e que na “próxima semana” dará um “posicionamento aos clientes e ao mercado”. Não houve compromisso com data, com a reativação do serviço ou com a devolução dos valores captados.
As reclamações explodiram na plataforma Reclame Aqui nas primeiras horas após a interrupção dos pagamentos. Em menos de 24 horas, mais de 60 clientes registraram queixas, todas sem resposta da empresa.
“Tenho dinheiro em mútuo com a empresa e não depositaram no primeiro dia útil do mês, como sempre fizeram. Hoje, terceiro dia útil, já não consigo ter acesso à minha conta. Não atendem telefone, não respondem no Instagram. O que está acontecendo?”, escreveu um cliente de Camaçari, na Bahia, no dia (6) de maio.
Outro cliente de São Paulo relatou o mesmo padrão: “Até dia 4 estava entrando no aplicativo normal. Hoje fala que está passando por suporte técnico. Não recebo nenhuma informação sobre o atraso dos juros que ainda não foi creditado. O complicado é que os boletos não esperam.”
O Grupo Nexco, empresa que distribuiu os contratos da Naskar para sua base de clientes, ajuizou ação com pedido cautelar contra a fintech após a interrupção dos pagamentos.
A companhia afirma que também foi surpreendida pela paralisação e que diretores e funcionários seus figuram entre os prejudicados.
A estimativa da Nexco é de que cerca de 1.250 clientes, funcionários e pessoas de sua base tenham sido afetados, com prejuízo estimado em R$ 288 milhões. Considerando toda a operação da Naskar, a empresa calcula que a fintech possui cerca de R$ 850 milhões em contratos de mútuo, com impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas.
“O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação. A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial para resguardar direitos e buscar esclarecimentos”, afirmou Kauê Machado, do escritório Machado Gobbo, que representa o grupo e alguns clientes.
A Nexco destacou que, até o surgimento do problema, não havia identificado em registros públicos qualquer sinal de irregularidade. Segundo a companhia, não houve alerta prévio do Procon ou do Ministério Público que apontasse impedimento conhecido em relação à atuação da Naskar.
A Polícia Civil do Distrito Federal abriu apuração para investigar suspeita de estelionato ou pirâmide financeira. A CVM, que monitora captações irregulares, não listava a Naskar em seus alertas públicos. O Banco Central também não tinha a empresa em seu cadastro de instituições autorizadas.
🔍 Esquema Ponzi – modelo fraudulento em que os rendimentos prometidos aos investidores mais antigos são pagos com o dinheiro captado dos novos entrantes, e não com lucros reais da operação. A estrutura colapsa quando a captação de novos recursos não consegue mais sustentar os pagamentos.
A promessa de 2% ao mês, bem acima do que qualquer produto financeiro regulado oferece no mercado, é apontada por especialistas como sinal clássico de operação insustentável no longo prazo. O mesmo sinal que o mercado ignorou por 13 anos.
A Naskar informa que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados. As equipes técnicas seguem atuando na revisão e validação das informações, visando garantir segurança e precisão no tratamento dos dados. Os clientes serão atualizados o mais breve possível.
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