O Grupo Boticário prepara uma oferta mais intensa de serviços nas franquias, após testes realizados nos últimos anos.
Artur Grynbaum afirma que a empresa acompanha o mercado de suplementos, mas só avançará com uma proposta diferenciada.
Inteligência artificial já é usada em testes de produtos, logística, crédito, previsão de vendas e recomendações aos consumidores.
A ampliação dos serviços oferecidos nas lojas e a avaliação de oportunidades no mercado de suplementos fazem parte dos próximos movimentos do Grupo Boticário, afirmou Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do grupo, em entrevista ao programa Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. O executivo explicou que a rede passou a testar novas formas de atendimento, diagnóstico e personalização para ir além da venda de cosméticos.
Depois de experiências realizadas nos últimos anos, a companhia pretende intensificar a oferta de serviços em sua rede de franquias. “A gente está migrando, sim, para uma questão de serviços, onde a gente fez alguns testes nos últimos anos, e agora entra com uma plataforma mais intensa junto à nossa rede de franquias”, declarou.
A transformação muda o papel de mais de 4 mil lojas espalhadas pelo Brasil. Para Grynbaum, os pontos físicos passam a reunir experimentação, orientação profissional, apoio logístico e tecnologias capazes de ajudar na escolha e no uso dos produtos. “Eu tenho que entregar uma solução para o meu cliente”, resumiu.
Suplementos no radar e mudanças no consumo
A expansão para suplementos e vitaminas também é acompanhada pela empresa, mas não há anúncio de lançamento. “A gente olha, a gente já olhou no passado, a gente continua olhando e tem que achar a equação correta”, disse. Segundo o executivo, uma eventual entrada depende de uma proposta que acrescente valor ao consumidor.
“Não adianta eu lançar um produto para ser mais um”, afirmou Grynbaum. Ele relacionou o interesse pelo segmento à aproximação entre beleza, bem-estar, prevenção e longevidade, além de mudanças nos hábitos de consumo de pessoas mais jovens.
Nesse contexto, o grupo criou a campanha Beleza Consciente para orientar consumidores sobre o uso apropriado de cosméticos. O executivo citou a influência das redes sociais e alertou para o interesse de crianças de 9 ou 10 anos por produtos com ácidos que podem não ser adequados à idade.
Canetas emagrecedoras e novos produtos
A companhia também acompanha os efeitos do uso de medicamentos para emagrecimento sobre as necessidades de cuidados com pele e cabelos. Grynbaum citou produtos do portfólio voltados à firmeza da pele e ao volume capilar, associando essas ofertas às mudanças que alguns consumidores relatam após a perda de peso.
O executivo mencionou um produto com peptídeos da linha de skincare e um xampu da linha Siàge como exemplos de respostas a essas demandas. As declarações tratam de cuidados cosméticos e não significam que os produtos previnam ou tratem efeitos médicos dos medicamentos.
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Para ampliar o conhecimento sobre necessidades específicas das consumidoras, o grupo mantém uma iniciativa de pesquisa em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein voltada à saúde e às características do corpo feminino, incluindo questões relacionadas à menopausa e a mudanças na pele e nos cabelos.
IA nos bastidores e personalização
A inteligência artificial já está presente em várias etapas da operação, afirmou Grynbaum. Entre os exemplos citados estão programação industrial, logística, escolha de locais para novas lojas, concessão de crédito a revendedoras, previsão de vendas e recomendações no aplicativo.
Nos laboratórios, a tecnologia permite realizar testes de produtos em paralelo e reduzir o tempo necessário para determinadas etapas. “Hoje, temos uma IA nos testes de produtos que nos permite fazer vários testes em paralelo”, explicou. A adoção foi precedida por um trabalho de estruturação da base e da arquitetura de dados da empresa.
Outra frente é a hiperpersonalização. Grynbaum relembrou uma iniciativa iniciada em 2010 para desenvolver fórmulas adaptadas às características da pele de cada pessoa, posteriormente descontinuada. Agora, a companhia retoma experimentos em duas lojas para oferecer, por exemplo, tons de base e fragrâncias ajustados às preferências individuais.
O consumidor entre lojas, plataformas e algoritmos
A presença em marketplaces, como o Mercado Livre citado na entrevista, faz parte da estratégia de acompanhar o consumidor em diferentes canais. “Uma marca de consumo tem que ir onde o seu cliente está”, afirmou Grynbaum, ao defender uma jornada integrada entre lojas, comércio eletrônico, franquias e plataformas digitais.
O executivo disse que a companhia também precisa preparar suas informações para um ambiente em que agentes de IA possam interagir entre si e influenciar recomendações de compra. Para ele, a tecnologia deve facilitar processos sem eliminar o atendimento presencial e a relação de confiança construída com os clientes.
“Não é só uma substituição pura e simples”, afirmou. Na avaliação de Grynbaum, a conveniência digital precisa coexistir com a orientação especializada, a experiência na loja e o vínculo humano que sustentam a relação entre consumidores e marcas.
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