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Braskem acumula R$ 54 bilhões em dívidas; entenda como a petroquímica chegou à crise

Publicado 24/08/2026 • 19:00 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Braskem acumula cerca de R$ 54 bilhões em dívidas e recorreu à recuperação extrajudicial para reorganizar o passivo.
  • Impasse com credores e pressão sobre o caixa dificultaram um acordo para alongar os pagamentos da companhia.
  • Recuperação extrajudicial terá escopo financeiro, enquanto as obrigações com fornecedores e clientes seguem normalmente.
Braskem acumula R$ 54 bilhões em dívidas; entenda como a petroquímica chegou à crise

Foto: Reprodução

A Braskem chegou a uma dívida estimada em R$ 54 bilhões e precisou recorrer à Justiça para reorganizar seus compromissos financeiros. Nesta segunda-feira (24), a petroquímica protocolou um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo.

A medida abre um período de proteção de até 90 dias para que a companhia avance nas negociações com os credores e estruture um plano definitivo. Diferentemente da recuperação judicial, o mecanismo permite que a empresa negocie diretamente com os grupos envolvidos e depois leve o acordo para homologação judicial.

Leia também: Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 54 bilhões

O tamanho do endividamento da Braskem

O elevado passivo é um dos principais obstáculos enfrentados pela Braskem. Com uma dívida dessa dimensão, a companhia encontra menos espaço para buscar novos recursos sem aumentar os custos financeiros.

Por isso, a empresa passou a avaliar uma combinação de alternativas para reorganizar a estrutura de capital. Entre as possibilidades estão novos financiamentos, aportes dos acionistas controladores e operações que utilizem ativos da companhia como garantia.

Entretanto, nenhuma dessas alternativas resolveu o impasse até agora. Grupos de credores chegaram a apresentar propostas para uma possível reorganização, mas as sugestões eram indicativas e não representavam um acordo definitivo.

Pressão sobre o caixa da Braskem aumentou

A dificuldade para chegar a um acordo ganhou peso diante dos compromissos financeiros que se aproximavam. Em junho, a Braskem recorreu à Justiça e conseguiu uma tutela cautelar que suspendeu temporariamente determinadas cobranças e execuções de credores envolvidos nas negociações.

A proteção durou 60 dias e ajudou a preservar o caixa enquanto a empresa tentava avançar nas conversas. Nesse período, cerca de R$ 2,7 bilhões em obrigações que venceriam em julho deixaram de pressionar imediatamente as finanças da companhia, principalmente compromissos relacionados a títulos emitidos no exterior.

A medida, porém, tinha prazo determinado. Com o fim da proteção se aproximando, a Braskem precisava definir um caminho para continuar negociando sua dívida sem ampliar o conflito com os credores.

Leia também: Braskem em crise: entenda a disputa entre empresa e credores

Credores queriam mudanças nas condições

A disputa financeira envolve, principalmente, investidores que possuem títulos de dívida da Braskem. Parte deles passou a defender condições diferentes das propostas inicialmente apresentadas pela companhia.

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Entre as alternativas discutidas estavam novos financiamentos garantidos por ativos da petroquímica. Também entrou nas conversas a possibilidade de uma participação maior dos acionistas controladores, incluindo eventuais aportes da IG4 Capital e da Petrobras.

A empresa, por outro lado, avaliava que ampliar a tomada de crédito poderia ter efeito limitado diante do tamanho do endividamento. Uma eventual capitalização também poderia alterar a participação dos acionistas sem resolver, sozinha, todos os problemas financeiros.

Tentativa anterior não avançou

Antes do pedido protocolado agora, a Braskem já havia tentado estruturar uma recuperação extrajudicial. A proposta previa três anos de carência e extensão de cinco anos no prazo para pagamento das dívidas, sem redução dos valores devidos.

O plano, contudo, não conseguiu reunir apoio suficiente dos investidores. Com isso, as negociações continuaram enquanto aumentava a pressão por uma solução que atendesse aos credores sem comprometer ainda mais a capacidade financeira da empresa.

O que muda com o novo pedido

Agora, a recuperação extrajudicial passa a ser o instrumento formal escolhido pela Braskem para tentar reorganizar seu passivo. Entre os principais credores estão investidores que detêm títulos da companhia e grandes bancos brasileiros.

Leia também: Braskem Idesa entra com pedido de recuperação judicial nos EUA; objetivo é reduzir dívida em quase US$ 1 bilhão

O processo tem escopo estritamente financeiro. Segundo a própria Braskem, as obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros continuam vigentes e devem ser cumpridas normalmente.

Assim, a crise financeira não significa, neste momento, interrupção das operações. O desafio está em encontrar um acordo capaz de aliviar a pressão sobre o caixa e, ao mesmo tempo, oferecer condições aceitáveis aos credores.

Os próximos 90 dias serão decisivos para esse processo. A Braskem terá de transformar as negociações em um plano que consiga reunir o apoio necessário e permita à companhia reorganizar uma dívida de R$ 54 bilhões sem precisar avançar para uma recuperação judicial.

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