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Carlo Pereira: Brasil expõe fragilidade estratégica ao depender de fertilizantes importados
Publicado 23/04/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 23/04/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
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A redução das operações da Mosaic no Brasil escancara a vulnerabilidade do país em insumos estratégicos para o agronegócio. É o que avalia Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, o movimento combina pressão tributária, encarecimento de matérias-primas e dependência externa em um momento de incerteza global.
Pereira afirmou que a situação é “muito preocupante” e disse que o Brasil segue sem uma posição robusta quando o tema envolve insumos estratégicos, em especial fertilizantes. Ao comentar o caso da Mosaic, ele destacou que a companhia já vinha enfrentando dificuldades tributárias e acabou atingida também pela disparada do enxofre no mercado internacional.
“O enxofre, que passou só em 2025, por exemplo, triplicou o valor”, disse. Segundo ele, a demanda global pelo insumo cresceu, enquanto o Brasil ainda depende de oferta limitada, seja por reservas locais, seja pela produção ligada ao refino de petróleo.
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Pereira afirmou que, diante desse cenário, a Mosaic concluiu que não conseguiria manter a produção de fertilizantes com enxofre nos níveis de custo atuais. “Essa série de fatores que aconteceram levaram então a empresa a abrir mão de boa parte das atividades aqui no Brasil, o que para o nosso agro é horroroso”, afirmou.
Na avaliação do Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o problema vai além de uma empresa. Ele ressaltou que o Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo, mas segue fortemente dependente da importação de insumos. Ao citar o potássio, disse que 97% do volume consumido no país vem do exterior, com peso relevante de Rússia e Belarus, além de outros mercados sujeitos a sanções e tensões geopolíticas.
Pereira também criticou a ausência de estoques estratégicos no país. Segundo ele, o Brasil não mantém reservas relevantes de fertilizantes, combustíveis ou alimentos, ao contrário de economias desenvolvidas. “A gente não tem estoque estratégico de nada”, disse.
Ele afirmou que países como Estados Unidos, Japão, China e integrantes da União Europeia mantêm estoques de produtos considerados essenciais. Ao citar o Japão, lembrou que o país asiático mantém reservas de petróleo desde a década de 1970 e também possui estoques relevantes de alimentos como arroz. Para Pereira, o contraste com o Brasil mostra que mesmo economias de mercado recorrem a mecanismos de proteção em setores estratégicos.
Na visão do especialista, a saída passa por planejamento de longo prazo, investimentos em infraestrutura e maior coordenação entre setor público e privado. Ele citou medidas em andamento, como o plano nacional de fertilizantes, projetos para ampliar o aproveitamento do gás natural e a previsão de aumento da produção de enxofre pela Petrobras a partir de 2028.
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Seguir no GooglePereira defendeu ainda que o Brasil se inspire em modelos adotados por países desenvolvidos para formar estoques estratégicos sem romper com a lógica de mercado. Ao mencionar iniciativas nos Estados Unidos, disse que há exemplos de parcerias entre governo e empresas para garantir minerais considerados críticos. “Existem várias receitas mundo afora. Não estou falando em trazer aqui alguma coisa da Rússia, mas, pelo contrário, que a gente se espelhe em modelos que tem nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão”, concluiu.
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