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Dia Nacional da Saúde: rede pública já adota procedimentos com I.A. e alta tecnologia, mas oferta em larga escala deve demorar
Publicado 06/08/2026 • 09:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 06/08/2026 • 09:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Divulgação
Inteligência artificial passa a apoiar diagnósticos e organização de filas no sistema público
Celebrado na última quarta-feira (5), o Dia Nacional da Saúde marca um momento de reflexão sobre os avanços e desafios na assistência pública brasileira. Cirurgias robóticas, uso de inteligência artificial e programas de expansão de estrutura hospitalar mostram como a tecnologia avança no Sistema Único de Saúde (SUS), ainda que barreiras de integração e desigualdade regional persistam.
Segundo Gabriel Alencar Coelho, CEO da Hospcom, empresa de atuação no fornecimento de tecnologias para hospitais, a inovação já impacta desde o diagnóstico até a realização de procedimentos de alta complexidade.
Entre os avanços recentes, a telecirurgia ocupa posição de destaque. Nessa técnica, o cirurgião opera a distância, controlando um robô em tempo real por meio de sistemas de conectividade e precisão, como o Toumai™️.
🔍 Telecirurgia robótica: procedimento em que o médico comanda, a distância e em tempo real, um robô cirúrgico posicionado em outro hospital, permitindo que um especialista opere um paciente sem estar fisicamente no local.
Ainda de acordo com Coelho, a cirurgia robótica deixou de ser restrita a um pequeno grupo de hospitais e passou a estar presente em unidades de diferentes regiões do país.

Além da expansão em hospitais privados, o SUS registrou em 2025 sua primeira telecirurgia robótica de longa distância. O procedimento conectou, em tempo real, o Hospital de Amor da Amazônia, em Porto Velho (RO), ao Hospital de Amor, em Barretos (SP), onde o cirurgião realizou remotamente a ressecção de um tumor intestinal.
Para Coelho, o episódio evidencia como o acesso à tecnologia amplia a capacidade de atendimento em regiões distantes dos grandes centros médicos.
Leia também: Dr. Inovação: Mercado ilegal de canetas emagrecedoras cresce e amplia riscos à saúde pública
Outra frente de avanço é a inteligência artificial aplicada à triagem e ao apoio diagnóstico. A plataforma Doutora M.ia reúne mais de 30 especialidades médicas, da pediatria à geriatria, acessíveis pela internet em diferentes dispositivos.
Segundo Coelho, ainda é cedo para falar em adoção em larga escala da inteligência artificial nos hospitais públicos brasileiros. “No Brasil, ainda estamos engatinhando”, afirma o CEO, ao comparar o estágio nacional com o de países como Estados Unidos e China, onde a tecnologia já é usada de forma mais madura dentro dos hospitais.
Ainda assim, o executivo destaca que a inteligência artificial tem papel de apoio, e não de substituição, à prática médica. “Na minha visão, o grande ganho da IA não é substituir médicos. É permitir que o profissional tome decisões mais rápidas e mais assertivas”, diz.
De acordo com Coelho, o uso de IA no SUS pode contribuir para reduzir o tempo de espera de pacientes por meio da integração de dados clínicos, com ganhos de produtividade e de qualidade na assistência. O objetivo, segundo ele, é caminhar de uma medicina reativa para uma medicina preditiva, capaz de identificar riscos antes do surgimento de doenças.
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Siga o Times | CNBCEnquanto isso, o Governo Federal avança na modernização da rede pública com a estruturação de 229 salas cirúrgicas em diferentes regiões do país, dentro do programa PAC Cirurgias. A iniciativa busca ampliar a capacidade de realização de procedimentos no SUS.
🔍 PAC Cirurgias: programa que destina recursos para equipar e modernizar salas cirúrgicas de hospitais públicos em todo o país, com o objetivo de reduzir filas de espera por operações.
O projeto contempla a instalação de sistemas de vídeo-laparoscopia 4K, equipamentos de ultrassonografia, monitores e soluções para suporte anestésico. Coelho afirma que a tecnologia tem papel relevante na qualificação da assistência hospitalar, ao apoiar diagnósticos e procedimentos cirúrgicos com mais segurança.

Apesar dos avanços pontuais, Coelho aponta que o principal obstáculo à modernização da saúde pública não é a falta de equipamentos. “O problema não é falta de tecnologia. O maior problema é integração”, resume.
Segundo o CEO, hospitais dispõem de bons equipamentos, softwares e profissionais, mas o funcionamento segue isolado entre setores. “Os equipamentos não conversam entre si, os prontuários não compartilham informações e muitas vezes o dado fica preso dentro de cada sistema”, diz. “Sem interoperabilidade não existe inteligência artificial eficiente.”
🔍 Interoperabilidade: capacidade de diferentes sistemas de saúde compartilharem informações de forma automática e segura entre si.
Dados da pesquisa TIC Saúde, produzida pelo Cetic.br/NIC.br, mostram avanço do setor público nesse quesito. Segundo o levantamento, 64% das unidades públicas dispõem de sistemas de encaminhamento eletrônico de pacientes, contra 28% no setor privado. Já na integração à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), principal infraestrutura pública de interoperabilidade do país, a adesão chega a 72% entre as Unidades Básicas de Saúde.
🔍 RNDS: sigla para Rede Nacional de Dados em Saúde, infraestrutura do governo federal que permite o compartilhamento de informações clínicas entre diferentes unidades de saúde.
Para Coelho, o desafio de integração é sobretudo de gestão. “Não adianta comprar tecnologia sem pensar em integração, governança de dados e transformação dos processos. Tecnologia sozinha não resolve problema nenhum”, avalia.
Questionado sobre o risco de a tecnologia aprofundar desigualdades regionais de acesso à saúde, Coelho reconhece a possibilidade caso os avanços fiquem concentrados nos grandes centros urbanos. Ainda assim, defende visão contrária. “A inteligência artificial pode democratizar a saúde”, afirma. “Ela pode levar conhecimento especializado para cidades que nunca terão determinadas especialidades médicas presencialmente.”
Segundo o CEO, a expectativa é que a inteligência artificial se torne padrão nos hospitais brasileiros integrada ao prontuário eletrônico e aos equipamentos médicos, com treinamento baseado em literatura médica e protocolos clínicos, reduzindo o risco de respostas incorretas geradas por ferramentas genéricas.
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