Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Ozempic e Mounjaro: como as canetas emagrecedoras estão mudando o ambiente de trabalho
Publicado 28/12/2025 • 20:00 | Atualizado há 8 meses
ALERTA DE MERCADO:
Ibovespa sobe 1,6% após Tesouro dos EUA aumentar recompra de títulos
Trump suspende tarifas de 50% impostas ao Canadá por três dias
Irã avalia ataques contra alvos dos EUA na Europa; Emirados Árabes Unidos interrompem comércio com Teerã
Pressão dos EUA para que aliados aumentem gastos com defesa pode resultar em mais estados nucleares
Disney processa governo Trump por exigir renovação antecipada das licenças da ABC
S&P 500 cai pela terceira sessão consecutiva, pressionado pela alta dos rendimentos dos títulos e dos preços do petróleo no mundo
Publicado 28/12/2025 • 20:00 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Foto: REUTERS/George Frey/Foto de arquivo
Medicamento Mounjaro
No Natal de 2024, Elon Musk resumiu em duas frases uma virada cultural que já tinha saído da bolha médica: “Papai Noel do Ozempic”, escreveu no X, junto a uma foto fantasiado de Papai Noel. Em seguida, completou: “Tecnicamente, é Mounjaro, mas isso não soa tão bem.”
A piada, e o alcance de tudo o que Musk posta, ajuda a explicar por que a conversa sobre os GLP-1 (as famosas “canetas emagrecedoras”) deixou de ser confidência e passou a ser fenômeno social.
O Financial Times descreveu um efeito colateral inesperado desse fenômeno: os contatos profissionais “encolhendo”. Ou seja, aquela sensação de chegar a uma reunião e perceber que alguém está visivelmente mais magro do que da vez anterior.
E aí vem a pergunta que ninguém quer fazer em voz alta: comenta ou não comenta? Até pouco tempo atrás, o “manual” era mais simples. Hoje, com as canetas no centro do debate, a etiqueta corporativa virou um campo minado. E todo mundo sente isso, mesmo sem admitir.
Leia mais:
Lançamento do Mounjaro é antecipado no Brasil; saiba quanto vai custar
Bilhões em jogo: farmacêuticas travam guerra global pelo domínio de remédios para emagrecer
O aumento do uso de canetas emagrecedora é grande o suficiente para chamar atenção de empresas, seguradoras e do próprio mercado. Nos EUA, uma estimativa da RAND indica que cerca de 12% da população já usou algum medicamento GLP-1 para perda de peso.
Do lado corporativo, o tema já entra na conta. Segundo a pesquisa de benefícios da Kaiser Family Foundation (KFF), 43% das empresas americanas com 5 mil ou mais funcionários passaram a oferecer cobertura para esses tipos de medicamentos em 2025, 28% acima do registrado no ano passado.
No Reino Unido, o plano de saúde Vitality anunciou um programa para oferecer acesso a remédios como o Wegovy e o Mounjaro com condições especiais e descontos, além de acompanhamento médico. Esse movimento é visto como um marco por envolver o ecossistema corporativo do setor.
O argumento público costuma ser o da saúde (redução de risco, prevenção, menos número de afastamentos). Mas, no bastidor, a conversa que atravessa corredores é outra: a magreza voltou a ser lida como sinal de disciplina, performance e “autocontrole”. E isso, como o próprio FT sugere, reabre uma velha discussão sobre quem é visto como “mais comprometido” no trabalho.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCExiste um impacto econômico mais direto e mensurável: o consumo. Um estudo publicado no Journal of Marketing Research, com análise de dados de compras de lares, encontrou queda média de cerca de 5% (5,3%) nos gastos em supermercados em até seis meses após o início do GLP-1. Em fast foods, a redução ficou em torno de 8%.
Se isso parece detalhe, o setor de alimentos já está reagindo. Reportagem da Reuters descreve empresas e redes ajustando produtos e porções, tentando capturar a tendência “compatível com usuários de GLP-1”, especialmente com a perspectiva de uma nova onda de adesão com formatos mais convenientes.
Ou seja, não é só o prato que muda. Muda o tempo de mesa, muda a dinâmica social do almoço e muda a demanda agregada, do snack ao fast food. Até o jeito de marcar reunião em restaurante começa a levar em conta quem está ou não “na caneta”.
Com a popularização, aumenta também um comportamento de risco. “Dar um jeitinho” para se encaixar, seja nos critérios, seja no bolso. A própria Vogue sintetizou a ansiedade social com um título que virou meme: “Será que todo mundo está usando Ozempic em pequenas doses escondido, menos você?”
No Brasil, a regulação corre atrás desse novo mercado. A Anvisa determinou retenção de receita para agonistas de GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, e justificou a medida citando preocupação com eventos adversos e uso fora das indicações aprovadas, reforçando a necessidade de acompanhamento médico.
Leia mais:
Fabricante do Mounjaro vai investir bilhões em novo remédio contra a obesidade; entenda
Efeito Mounjaro: Eli Lilly se torna primeira empresa de saúde a valer US$ 1 trilhão
Há ainda o problema paralelo da oferta irregular ou manipulada. A própria agência reguladora publicou esclarecimentos e regras sobre manipulação, destacando riscos sanitários e restrições, incluindo o caso da semaglutida.
E é aqui que o assunto volta para o escritório — não como fofoca, mas como cultura. Se a magreza vira “tendência”, a pergunta que fica é: quem paga o preço social quando não adere, ou não tem possibilidade de aderir à novidade? O Financial Times menciona o temor de uma “sociedade em dois níveis”: os que têm acesso e os que ficam de fora.
No meio disso tudo, o comentário sobre o corpo alheio voltou ao centro das discussões. E, no ambiente de trabalho, isso é altamente sensível, seja por saúde mental, por discriminação, por constrangimento ou por limites profissionais. Talvez o clássico “você parece ótimo” continue sendo o elogio‑coringa, e possivelmente o mais honesto possível para se utilizar na era das canetas. A ver.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Quem são os credores da Casas Bahia?
2
Fiat Argo X chega para disputar liderança entre carros mais vendidos do Brasil
3
Claude vai marcar textos gerados por IA com marca d’água e dificultar o “copiar e colar”
4
Recuperação judicial de Casas Bahia, Marabraz e Tok&Stok escancara os gargalos do varejo
5
Cedro busca parceiros internacionais para porto de R$ 3,6 bilhões em Itaguaí, diz CEO José Carlos Martins