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Gestão e Estratégia: Crescer sem perder o controle exige escolhas difíceis sobre capital, diz Misa Antonini
Publicado 27/05/2026 • 12:25 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 27/05/2026 • 12:25 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
O crescimento de uma empresa depende menos da quantidade de dinheiro disponível e mais da capacidade do empresário de tomar decisões estratégicas sobre controle, liquidez e expansão, afirmou Misa Antonini, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, durante participação no quadro “Gestão e Estratégia”, do jornal Real Time desta quarta-feira (27). Segundo ela, muitos negócios travam justamente porque os empreendedores tentam preservar simultaneamente objetivos incompatíveis.
“Todo mundo quer crescer, mas nem todo mundo está disposto a pagar o preço desse crescimento”, ressaltou Misa. Ela explicou que esse custo nem sempre envolve dinheiro diretamente, mas também perda de controle societário ou redução da liquidez do negócio.
Durante a entrevista, a especialista apresentou o conceito que chamou de “trilema do capital”, baseado em três pilares: controle, crescimento e liquidez. Segundo ela, empresários conseguem sustentar apenas dois desses fatores ao mesmo tempo.
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“Não dá para ter tudo”, frisou ao explicar que o empresário que deseja crescer mantendo autonomia sobre a empresa normalmente precisa abrir mão de distribuição de dividendos e reinvestir o caixa no próprio negócio.
Ela destacou ainda que empresários que desejam crescimento acelerado sem comprometer liquidez geralmente precisam buscar investidores externos. “Ele vai ter que trazer um fundo ou um investidor externo”, explicou.
Por outro lado, quem prioriza liquidez e controle tende a limitar a expansão da empresa. “A empresa gerou lucro, gerou caixa, e ele preferiu distribuir dividendos, abrindo mão do crescimento”, pontuou.
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Misa também chamou atenção para dados sobre mortalidade empresarial no Brasil. Segundo ela, estudos do IBGE mostram que grande parte das empresas fecha nos primeiros anos não por ausência de capital, mas por falhas de gestão e planejamento. “Muitas vezes é um problema de gestão, de planejamento e, principalmente, de decisão”, destacou.
A especialista alertou ainda para a importância de alinhamento entre sócios sobre os objetivos do negócio. Segundo ela, divergências sobre crescimento, distribuição de caixa e controle podem gerar conflitos internos graves. “Se um sócio tem uma agenda e o outro tem outra, isso vai ser predatório para a empresa”, observou.
Ao comentar a busca por capital externo, Misa afirmou que empresários precisam primeiro entender a origem do problema financeiro antes de recorrer a investidores ou empréstimos.
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Segundo ela, dificuldades de caixa frequentemente decorrem de falhas operacionais, como prazos ruins entre pagamentos e recebimentos. “Não vai ser trazendo capital externo que vai resolver esse problema”, alertou.
Ela comparou o capital a uma espécie de combustível para empresas. “Se você coloca gasolina numa máquina que não está funcionando bem, vai ser explosão”, destacou.
Na avaliação da especialista, aportes financeiros só fazem sentido quando a empresa já possui uma operação estruturada e busca expansão acelerada, abertura de unidades ou novos mercados.
Misa explicou que existem apenas três formas principais de entrada de dinheiro em uma empresa: geração de caixa operacional, venda de participação societária ou tomada de dívida. “O dinheiro mais barato que existe é o dinheiro gerado pela própria empresa”, ressaltou ao comentar a importância do crescimento orgânico.
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Seguir no GoogleEla também diferenciou o papel de sócios investidores e empréstimos bancários. Segundo a especialista, muitos empresários confundem os dois modelos de captação.
“Sócio é casamento e dívida tem fim”, afirmou. Enquanto empréstimos reduzem liquidez temporariamente, ela explicou que a entrada de um sócio implica compartilhamento permanente de decisões estratégicas.
A especialista também destacou erros frequentes na entrada de novos sócios. Segundo ela, empresários muitas vezes deixam de definir previamente regras claras para conflitos e encerramento da parceria. “Você precisa planejar o divórcio antes de entrar no casamento”, pontuou ao defender acordos societários detalhados.
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Ela explicou que o entusiasmo inicial de novos negócios costuma dificultar discussões sobre possíveis problemas futuros. “Está todo mundo tão emocionado com a possibilidade de crescimento que ninguém pensa no ‘e se der errado?’”, observou.
Ao final da entrevista, Misa reforçou que empresários precisam fazer escolhas claras sobre o futuro da companhia antes de buscar capital externo. “Seja brutalmente honesto com os seus objetivos”, concluiu. Segundo ela, entender do que o empresário está disposto a abrir mão é o primeiro passo para construir um crescimento sustentável.
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