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Como o mercado de carbono deve mudar estratégia das empresas brasileiras
Publicado 21/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 14 minutos
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Publicado 21/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 14 minutos
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A precificação do carbono deve se tornar parte central das decisões de investimento das grandes empresas brasileiras, avalia William Wills, diretor técnico do Centro Brasil no Clima. Segundo ele, o avanço do mercado regulado de carbono no Brasil tende a alterar estratégias corporativas, ampliar investimentos em tecnologias menos poluentes e aumentar a pressão por adaptação às exigências ambientais globais.
Em entrevista nesta quinta-feira (21) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Wills lembra quea lei do mercado de carbono passou quase dez anos em discussão no Congresso e entrou agora em uma fase considerada decisiva para sua implementação. “O ideal agora é a gente avançar com calma, com previsibilidade, montando uma regulamentação do mercado que seja moderna e em linha com outros mercados internacionais”, afirmou ao comentar o processo de regulamentação previsto até 2030.
Na avaliação do especialista, a previsibilidade é fundamental para que as empresas consigam adaptar processos produtivos e direcionar investimentos de longo prazo. “O objetivo fundamental do mercado de carbono não é onerar as empresas, mas criar um sinal econômico que estimule investimentos em tecnologias e processos menos intensivos em carbono”, destacou.
Segundo William Wills, a lógica do sistema é alinhar as emissões das empresas brasileiras às metas climáticas assumidas pelo país, incluindo os compromissos de redução de emissões até 2030 e a meta de neutralidade de carbono em 2050. “O objetivo é fazer com que as empresas se preparem para ser menos intensivas em carbono”, ressaltou.
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O governo já definiu os primeiros setores que deverão integrar o sistema de monitoramento e reporte de emissões, explicou William Wills, ao comentar a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda nesta semana. Segundo ele, o programa de MRV – Monitoramento, Reporte e Verificação – será essencial para estruturar o mercado regulado brasileiro.
“Uma parte muito importante do mercado de carbono é entender quem está emitindo e quanto está emitindo, com base em metodologias internacionais”, afirmou o diretor técnico do Centro Brasil no Clima.
Na primeira etapa, entre 2027 e 2031, deverão ser incluídos setores como papel e celulose, ferro e aço, cimento, alumínio primário, exploração e produção de petróleo, refino e transporte aéreo. Em fases posteriores, o programa deverá incorporar segmentos como mineração, setor elétrico, alimentos, química, transporte rodoviário e saneamento.
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Segundo Wills, a proposta foi estruturada com base em referências internacionais e considera fatores como intensidade de emissões, exposição ao comércio global e capacidade de adaptação das empresas. “A exposição desses setores ao comércio internacional é um ponto muito importante”, observou.
O mercado regulado fará com que o custo das emissões passe a integrar diretamente as planilhas financeiras das empresas, afirmou William Wills, ao comentar os impactos sobre competitividade e estratégia industrial. “O custo do carbono vai ter que entrar nas planilhas de investimento dessas indústrias”, explicou.
Segundo ele, tecnologias menos poluentes tendem a ganhar espaço dentro da indústria brasileira, mesmo quando forem inicialmente mais caras. “Tecnologias que eram um pouco mais caras, mas menos intensivas em carbono, vão ganhar competitividade e entrar no sistema produtivo brasileiro”, destacou.
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O especialista afirmou que um dos desafios será proteger a competitividade das empresas brasileiras durante a transição para uma economia de baixo carbono. Para isso, ele defende mecanismos como permissões gratuitas de emissão nas fases iniciais do mercado e ajustes de carbono na fronteira, nos moldes do modelo europeu.
“Se a indústria nacional passa a pagar um custo adicional de carbono, produtos importados equivalentes também deveriam enfrentar exigências comparáveis”, ressaltou ao defender mecanismos de proteção contra concorrência considerada desleal.
A alta recente do petróleo e as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio tendem a acelerar a busca por alternativas energéticas de baixo carbono, avaliou William Wills. Segundo ele, o novo cenário melhora a competitividade relativa de tecnologias mais limpas.
“As alternativas de baixo carbono se tornam automaticamente mais competitivas em relação ao combustível fóssil”, afirmou ao comentar os impactos do barril acima de 100 dólares sobre a transição energética global.
O diretor técnico destacou que o Brasil possui vantagens importantes nesse cenário, como matriz elétrica limpa, bioenergia, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono. “O Brasil tem condições de transformar esse mercado de carbono em instrumento de competitividade, não apenas de controle ambiental”, observou.
Os setores regulados inicialmente pelo mercado de carbono representam cerca de 30% das emissões totais do Brasil, afirmou William Wills, ao comentar o potencial econômico do sistema brasileiro. Segundo ele, o governo deverá arrecadar recursos relevantes por meio dos futuros leilões de permissões de emissão.
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“O governo arrecada esse recurso dos leilões e pode utilizar para diversos fins”, explicou o especialista ao comentar o funcionamento do modelo previsto na legislação.
Segundo Wills, parte dos recursos será destinada à manutenção da própria estrutura do mercado de carbono, mas a maior fatia deverá financiar a transição das empresas para tecnologias menos poluentes. “75% dos recursos arrecadados vão ser destinados a apoiar a transição das empresas”, concluiu.
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