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Enel questiona critérios de resposta a emergências da Aneel e pede análise técnica sobre perda da concessão

Publicado 17/05/2026 • 23:30 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • A companhia afirma que uma decisão sobre eventual cassação da concessão precisa estar baseada em critérios técnicos e verificáveis.
  • A distribuidora sustenta ainda que não existe previsão específica no contrato de concessão.
  • Com o encerramento do prazo para apresentação da defesa em 13 de maio, a Aneel deve analisar os argumentos da distribuidora antes de levar o processo para votação da diretoria colegiada.

Divulgação

A cobrança pelo TMAE (Tempo Médio de Atendimento a Emergências) virou um dos principais pontos de conflito entre a Enel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no processo que pode levar à perda da concessão da distribuidora em São Paulo.

Em defesa apresentada nesta semana à agência reguladora, a empresa afirmou que sofreu tratamento diferente do aplicado em comparação a outras concessionárias do país e pediu uma perícia técnica para analisar os impactos das tempestades registradas no fim de 2025.

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Disputa entre Enel e Aneel gira em torno do TMAE

O TMAE mede quanto tempo uma distribuidora leva para responder e restabelecer o serviço após ocorrências emergenciais na rede elétrica.

O indicador ganhou peso após os apagões provocados por fortes temporais em São Paulo nos últimos anos, que deixaram milhares de consumidores sem energia por longos períodos.

Na defesa enviada à Aneel, a Enel argumenta que passou a ser obrigada a cumprir metas de TMAE já em 2025, enquanto outras distribuidoras só terão exigências semelhantes a partir de 2026. A companhia também afirma ser a única concessionária do país com apuração mensal desse indicador.

Segundo a empresa, isso criou um tratamento regulatório desigual dentro do setor elétrico. A distribuidora sustenta ainda que não existe previsão específica no contrato de concessão para metas relacionadas ao restabelecimento do serviço em casos de eventos climáticos extremos.

Processo pode levar à perda da concessão

O processo aberto pela Aneel avalia a possibilidade de caducidade da concessão da Enel em São Paulo. A medida pode resultar na extinção do contrato firmado em 1998, caso a agência conclua que houve falhas graves na prestação do serviço.

A distribuidora atende cerca de 8,3 milhões de clientes na região metropolitana paulista e tenta afastar a possibilidade de punição máxima. No documento de defesa, a companhia aponta supostos vícios processuais e questiona critérios usados pela reguladora.

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A empresa também cita o princípio da isonomia ao afirmar que outras concessionárias não foram submetidas às mesmas exigências regulatórias.

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Outro argumento apresentado envolve o acordo de investimentos entre Brasil e Itália, já que a Enel pertence a um grupo italiano.

Defesa pede perícia técnica

Um dos principais pedidos da companhia é a realização de uma perícia técnica para avaliar os impactos das tempestades ocorridas em dezembro de 2025 sobre a infraestrutura elétrica.

A Enel defende que os eventos climáticos extremos devem ser considerados na análise do processo e podem representar uma excludente parcial de responsabilidade.

A companhia afirma que uma decisão sobre eventual cassação da concessão precisa estar baseada em critérios técnicos e verificáveis.

A defesa também menciona relatório do Tribunal de Contas da União que, segundo a empresa, não identificou descumprimento dos indicadores DEC e FEC, usados para medir duração e frequência das interrupções de energia.

Próximos passos da Aneel

Com o encerramento do prazo para apresentação da defesa em 13 de maio, a Aneel deve analisar os argumentos da distribuidora antes de levar o processo para votação da diretoria colegiada.

Ainda não há data definida para a decisão final, mas o caso é acompanhado de perto pelo setor elétrico por envolver uma das maiores concessões de distribuição de energia do país.

Leia mais:

No centro da disputa, o TMAE passou de indicador técnico para peça-chave na decisão que poderá definir o futuro da concessão da Enel em São Paulo.

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