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Energia eólica pode deixar conta de luz mais cara? Entenda
Publicado 15/09/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 15/09/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: unsplash
Energia eólica pode deixar conta de luz mais cara? Entenda
Parques eólicos do Reino Unido são acusados de explorar uma brecha em contratos de energia renovável para aumentar seus ganhos. A discussão envolve uma regra que permite a alguns parques adiar o início de contratos subsidiados.
Nesse período, segundo o The Telegraph, os empreendimentos podem vender eletricidade pelo preço do mercado, que atualmente está acima dos valores previstos em alguns contratos. A prática não configura, segundo a reportagem, uma irregularidade.
Ainda assim, executivos e analistas do setor questionam se o mecanismo está sendo usado de acordo com o objetivo original dos contratos.
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A discussão envolve os Contratos por Diferença, conhecidos como CfDs. Os acordos estabelecem preços para a eletricidade durante períodos de 15 ou 20 anos. O objetivo é oferecer previsibilidade de receita aos desenvolvedores e facilitar o financiamento de projetos de energia renovável.
Os consumidores também ajudam a financiar esse sistema por meio das contas de energia. Por isso, os ministros britânicos defendem os CfDs como uma forma de garantir eletricidade por preços relativamente baixos. O mecanismo também busca proteger os consumidores contra grandes oscilações no mercado.
A controvérsia aparece quando um parque já está pronto para operar, mas adia o início do contrato. Enquanto o CfD não começa, o empreendimento pode vender a eletricidade no mercado aberto. Quando o preço de mercado supera o valor estabelecido no contrato, o parque pode obter uma receita maior.
O governo britânico eliminou essa possibilidade para novos contratos em 2023. Projetos que receberam CfDs antes da mudança, porém, ainda podem utilizar a regra.
O parque eólico Seagreen, localizado na costa de Angus, na Escócia, é um dos casos citados na reportagem. Uma análise de dados de mercado feita pelo The Telegraph estima que o empreendimento tenha obtido cerca de £ 27 milhões (cerca de R$ 187,5 milhões) adicionais nos últimos dois anos.
O valor estaria relacionado ao adiamento do início do CfD. A primeira fase do projeto recebeu o contrato em 2019. A construção terminou em 2023, mas o acordo tinha início previsto apenas para março de 2025.
A data de início foi adiada repetidamente. As proprietárias SSE, TotalEnergies e PTTEP agora esperam ativar o contrato em março de 2027. O prazo final previsto pelas regras do acordo é setembro de 2028.
Até lá, o Seagreen pode continuar vendendo sua eletricidade pelo preço de mercado. Não há indicação de irregularidade por parte das empresas.
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A diferença entre os valores ajuda a explicar o ganho adicional. Durante 2026, os preços da eletricidade no mercado spot britânico subiram cerca de £ 75 (R$ 522) por megawatt-hora (MWh). Atualmente, eles estão em torno de £ 156 (R$ 1.087) por MWh.
O CfD do Seagreen, por outro lado, estabelece um preço de cerca de £ 55 (R$ 383) por MWh nos valores atuais. Com o contrato adiado, o parque permanece exposto ao preço mais alto do mercado.
Para David Turver, analista independente do setor energético, esse uso da regra contraria o objetivo original dos CfDs. A possibilidade de adiar o início do contrato foi criada para ajudar os desenvolvedores a administrar riscos relacionados a atrasos na construção.
O questionamento ocorre porque alguns parques já concluíram as obras e, mesmo assim, podem postergar a ativação do acordo. Assim, conseguem aproveitar preços mais elevados da eletricidade no mercado.
O governo britânico já havia pedido que os parques eólicos agissem de forma justa. Na avaliação dos ministros, os empreendimentos também deveriam considerar o apoio público recebido durante seu desenvolvimento.
Em 2023, o governo eliminou a possibilidade de adiamento para novos contratos. Os projetos que assinaram acordos antes da mudança, contudo, continuam sujeitos às regras anteriores.
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A Seagreen Wind Energy Limited afirmou que informou a Low Carbon Contracts Company, em agosto de 2026, sobre a previsão de início do CfD da primeira fase do projeto. Segundo a empresa, a decisão seguiu os termos e condições estabelecidos no contrato.
O caso, portanto, não significa que a energia eólica esteja, por si só, aumentando diretamente as contas de luz. A controvérsia envolve uma regra contratual que permite a determinados parques adiar o início do CfD e aproveitar preços mais elevados no mercado.
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