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Setor de etanol segue pressionado mesmo com queda do petróleo, diz diretor da Bioagência
Publicado 18/06/2026 • 18:30 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 18/06/2026 • 18:30 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
O acordo entre Estados Unidos e Irã e a consequente queda do petróleo não devem trazer alívio imediato para os produtores de etanol brasileiros, segundo Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência. Na avaliação do especialista, o setor atravessa uma safra desafiadora, marcada por forte oferta do biocombustível e margens comprimidas.
Segundo Rodrigues, os produtores de etanol não foram beneficiados pela disparada do petróleo observada durante o conflito no Oriente Médio porque os reajustes dos combustíveis foram contidos pelo governo.
“O efeito do aumento do preço internacional foi sentido no custo, mas não na receita. O governo segurou os reajustes da gasolina e do diesel e criou uma subvenção aos produtores de gasolina. Não houve contrapartida para o produtor de etanol”, afirmou nesta quinta-feira (18), em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
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O resultado, segundo ele, foi um cenário de forte pressão sobre a rentabilidade das usinas. “Hoje estamos vendendo abaixo do custo. É um fator bastante pesado para o setor”, destacou.
Para Rodrigues, a estabilização do petróleo em torno de US$ 80 (R$ 412,80) por barril reduz a necessidade de medidas emergenciais adotadas durante a crise, mas não altera significativamente a situação do etanol no curto prazo.
Na avaliação do diretor da Bioagência, a retirada de subsídios aos combustíveis fósseis pode ajudar a restabelecer condições mais equilibradas de concorrência entre gasolina e etanol. “Com esses patamares de preço do petróleo, não há muito espaço para redução da gasolina no mercado internacional. Provavelmente o governo retira a subvenção”, observou.
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Ele ressaltou que a decisão do consumidor continua fortemente ligada à diferença de preços entre os dois combustíveis. Por isso, a maior oferta de etanol registrada nesta safra exige que o produto permaneça competitivo nas bombas.
O especialista também afirmou que uma eventual redução dos custos de produção ocorrerá de forma gradual, já que os efeitos das mudanças nos preços internacionais demoram a percorrer toda a cadeia de suprimentos.
“Todo esse processo é muito lento. Existem cargas compradas a preços mais elevados e toda uma dinâmica de importação que leva tempo para se refletir nos custos do produtor”, explicou.
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Segundo Rodrigues, os insumos devem ficar mais baratos do que nos momentos mais críticos da crise, mas ainda permanecerão acima dos níveis observados antes do conflito.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, Rodrigues não vê espaço para uma migração significativa da produção de etanol para açúcar.
Isso porque o mercado internacional do adoçante também atravessa um período de excesso de oferta. “Os preços estão mais ou menos equalizados. Não existe um grande apelo para produzir mais açúcar em detrimento do etanol neste momento”, afirmou.
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Seguir no GoogleSegundo ele, as usinas estão equilibrando a produção entre os dois produtos enquanto aguardam uma recuperação dos preços internacionais do açúcar.
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Para o diretor da Bioagência, a crise no Oriente Médio expôs a vulnerabilidade da cadeia global de petróleo e reforçou o potencial do etanol como alternativa energética de longo prazo. “A questão geopolítica mostrou que o petróleo é um produto altamente instável. Isso pode abrir oportunidades para países que desejem programas mais estruturais de substituição da gasolina”, avaliou.
Rodrigues destacou que o Brasil demonstrou capacidade de resposta durante o período de turbulência graças à ampla oferta de etanol e à predominância de veículos flex. “O etanol é o substituto imediato da gasolina. O Brasil provou isso durante a crise, quando não tivemos problemas de abastecimento porque havia uma grande safra chegando ao mercado”, ressaltou.
Na avaliação do especialista, o episódio reforça o papel estratégico dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. “O setor mostrou uma resiliência muito grande e aponta para um futuro mais consistente para o etanol”, concluiu.
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